No setor portuário e marítimo, legislação não consegue evoluir na velocidade que os investidores precisam (Vanessa Rodrigues/AT) O desenvolvimento de grandes projetos de infraestrutura e a transição para práticas sustentáveis no setor portuário e marítimo dependem de estabilidade e segurança jurídica. A avaliação é da advogada especialista em Direito Marítimo, Portuário e Aduaneiro, Cristina Wadner, que participará do 2º Encontro Mulheres a Bordo, na próxima quinta-feira, a partir das 14 horas, em Brasília. Para ela, o Direito pode ser visto como indutor de investimentos e inovação. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! “Quando falamos em infraestrutura, sustentabilidade e desenvolvimento, estamos tratando de projetos de longo prazo, que exigem segurança jurídica, previsibilidade regulatória e regras capazes de acompanhar a velocidade das transformações tecnológicas e ambientais. No setor portuário e marítimo, nem sempre o marco regulatório evolui na mesma velocidade”, diz a especialista. Diante desse cenário, a advogada frisa que a falta de uma regulação específica não pode paralisar a inovação. “Não estou defendendo atuar à margem da lei. Há instrumentos jurídicos que permitem testar novas soluções com segurança”. Transição energética Como alternativa concreta para destravar avanços, Cristina explica que a outorga verde permite, na prática, projetos de transição energética em áreas portuárias por meio de autorizações temporárias. A especialista também afirma que “existe um caminho intermediário para experimentar, monitorar, avaliar resultados e, a partir dessa experiência, construir uma regulação mais adequada. Esse é um dos pontos que pretendo levar ao debate”. A previsibilidade das regras é fundamental para dar suporte aos expressivos aportes financeiros exigidos pelo segmento. “Essa discussão é importante porque os investimentos em infraestrutura são elevados e têm horizonte de décadas. O investidor precisa saber quais são as regras, quais compromissos ambientais deverão ser cumpridos e ter confiança de que haverá estabilidade regulatória”, destaca. A presença feminina no centro dessas decisões estratégicas também traz um ganho direto para a formulação de políticas e projetos. A advogada reitera que “discutir isso em um encontro de mulheres tem um peso especial: ainda somos minoria nos espaços de decisão sobre grandes projetos. Trazer diversidade para essa mesa amplia perspectivas e melhora a qualidade das soluções. Afinal, quem pensa e constrói a infraestrutura do futuro precisa refletir também a diversidade da sociedade que vai utilizá-la”. O evento Organizado pelo Grupo Tribuna, o 2º Encontro Mulheres a Bordo será na sede da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), na Capital Federal. O fórum reúne lideranças e especialistas para debater os rumos da logística, infraestrutura, regulação, sustentabilidade e comércio exterior no País. Além do painel com a advogada Cristina Wadner, dedicado a debater como alavancar a infraestrutura conectando sustentabilidade e desenvolvimento, a programação inclui discussões sobre logística inteligente, regulação do transporte terrestre, riscos e oportunidades no comércio exterior, entre outros temas. Inscrições pelo link. Programação 14h30 – Logística, crescimento e regulação - Guilherme Theo, diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) - Flávia Takafashi, líder do projeto Mulheres a Bordo 14h50 – Painel 1: Cadeia Logística Inteligente - Gabriela Costa, diretora-executiva da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP) - Luiza Bublitz, presidente da Aliança Navegação e Logística 15h30 – Painel 2: O que fazer para alavancar a infraestrutura? Como conectar sustentabilidade e desenvolvimento? - Erika Chaves, vice-presidente do Instituto Iberoamericano de Direito Marítimo - Cyntia Ruas, superintendente de Sustentabilidade, Pessoas e Inovação na ANTT - Béatrice de Toledo Dupuy, gerente executiva de Comunicação Corporativa e Sustentabilidade da Santos Brasil - Fernanda Machado, coordenadora de Sistema de Gestão Integrada da Eldorado Brasil - Cristina Wadner, advogada especialista em Direito Marítimo, Portuário e Aduaneiro 16h10 – Coffee break 16h30 – Painel 3: Infraestrutura & Comércio Exterior – riscos e oportunidades - Rebecca Ferreira, diretora de programa da Secretaria Nacional de Portos - Adriana Pessotti, diretora jurídica e regulatória na Vports Autoridade Portuária - Samara Gualberto, advogada no escritório Ruy de Mello Miller (RMM) - Gilmara Temóteo, diretora-executiva da Associação Brasileira das Entidades Portuárias e Hidroviárias (Abeph) 17h10 – Painel de encerramento: Reputação, Posicionamento e Credibilidade - Katia Cubel, diretora da Engenho Comunicação - Paula Bertelli, gerente de Comunicação da BTP