Deputada federal em segundo mandato, presidente da Comissão de Viação e Transportes da Câmara e jornalista, Rosana Valle (PL) admitiu que sofreu preconceito por ser mulher, em especial no Legislativo, mas encoraja o público feminino a se posicionar e, dessa forma, impor respeito. A parlamentar contou um pouco de sua trajetória pessoal e profissional e dos desafios da vida pública na palestra “Protagonismo e posicionamento: criando a sua voz”, nesta terça-feira (5), encerrando o 1º Encontro Mulheres a Bordo 2026. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! “(A Câmara) É um ambiente onde enfrentei muitas dificuldades, por ser um ambiente machista”, afirmou Rosana ao relembrar sua atuação na Comissão de Viação e Transportes. Ela compartilhou situações de constrangimento frequentes. “Os funcionários se acostumaram com esse padrão do que é um político, um deputado, e falavam assim: ‘O senhor pode entrar, a senhora vai onde?’ Eu falava: ‘Não, a deputada sou eu, eu que vou entrar, ele é o meu assessor’”, relatou. Em outros momentos, Rosana disse ter sido interrompida ou visto suas falas serem ‘explicadas’ por colegas homens. “Os deputados queriam explicar o que eu estava dizendo”. A deputada também mencionou episódios de desvalorização baseados em aparência. “Em algumas situações, cheguei a ouvir: ‘Nossa, a senhora está muito elegante. A senhora vai falar hoje, pois está muito elegante’”, relatou com indignação. Para ela, essas atitudes refletem um problema estrutural. “Não é culpa dos homens, é culpa de uma sociedade, do que foi passado de geração para geração”, pontuou. Dúvidas e descrédito A parlamentar destacou que seu ingresso na política, aos 46 anos, foi cercado de dúvidas e descrédito. “Quando fui eleita pela primeira vez, ouvi: ‘Ela vai ser de um mandato só porque não conhece política, porque é uma jornalista’”, relembrou. As críticas continuaram. “Ah, não vai ser reeleita nem para síndica de prédio e essa daí não vai ser mais reeleita. (...) Fui reeleita pelo meu trabalho”, celebrou. Antes da vida pública, Rosana fez carreira no jornalismo, área na qual, segundo ela, também enfrentou desafios, que serviram de base para sua atuação política. “Sempre gostei muito de escrever, fazia produções e sempre me considerei uma mulher sensível”, afirmou. Rosana ressaltou que o seu crescimento profissional foi resultado de esforço contínuo. “Se a gente quiser se destacar em alguma área, tem que fazer mais do que os outros fazem”, aconselhou. A experiência no setor portuário, acompanhando projetos e visitando portos internacionais quando era repórter, também contribuiu para sua atuação legislativa. “Estive nos portos mais eficientes do mundo e acompanhei as transformações do Porto de Santos”. Transformações Apesar das dificuldades, Rosana ressaltou avanços e a importância do protagonismo feminino. “Sinto que a sociedade está mudando, que homens e mulheres têm contribuído para esse protagonismo”. Ainda assim, reconhece que há barreiras importantes, especialmente nos espaços de decisão. “Muitas vezes as mulheres vão até um ponto. Dali para cima não vão mais.” Para a deputada, a mudança passa por ações individuais e coletivas. “Assumam o protagonismo do caminho de vocês”, orientou ao público. Ela também destacou a necessidade de enfrentar crenças limitantes. “Eu tive que me livrar de crenças incapacitantes que me acompanharam desde a infância”. A parlamentar defendeu que a presença feminina em posições de poder é fundamental para transformar a sociedade. “Quando nós tivermos mais mulheres nos espaços de poder, teremos uma sociedade com mais justiça social”, afirmou. Ao encerrar, Rosana reforçou o compromisso com a pauta feminina e com o setor portuário. “Continuo com muito orgulho nessa trajetória representando o Porto e as mulheres”, declarou. E concluiu com uma mensagem direta às participantes: “Confio muito na força das mulheres”.