Integrantes de comitiva do Grupo Tribuna acompanharam de perto passagem de navio no Canal do Panamá (Luciana Moledas/TV Tribuna) A primeira visita técnica da Missão Internacional Mulheres a Bordo, promovida pelo Grupo Tribuna, colocou as participantes diante de uma das mais importantes obras da engenharia mundial. Nesta terça-feira (18), o grupo conheceu as Eclusas de Miraflores, no Canal do Panamá, onde acompanhou de perto a passagem de uma embarcação e o funcionamento do sistema que, há mais de um século, permite a conexão entre os oceanos Atlântico e Pacífico. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! A experiência proporcionou às profissionais uma visão prática de uma operação que combina engenharia, logística e gestão de recursos hídricos. Nas eclusas, o controle do nível da água permite elevar ou baixar as embarcações até a altura necessária para que prossigam pela hidrovia. A água entra e sai das câmaras por canais e válvulas, em um processo que utiliza a força da gravidade e faz da gestão dos recursos hídricos um dos elementos fundamentais para a operação do canal. Para a coordenadora de Recursos Humanos do Ecoporto, Michelli Barreto, que integra a comitiva, conhecer a estrutura de perto também permitiu estabelecer uma relação entre a experiência vivenciada no Panamá e a realidade do Porto de Santos. “Fazer parte do projeto Mulheres a Bordo é um privilégio. É um privilégio ver toda essa logística e como isso impacta na nossa logística também, no Porto de Santos”. Expoente Com 82 quilômetros de extensão, o Canal do Panamá é uma das principais rotas do comércio marítimo mundial e desempenha papel estratégico na conexão entre mercados ao reduzir distâncias, tempo de viagem e custos para as embarcações. A travessia pelo canal leva aproximadamente dez horas. Por outras rotas, o percurso pode demandar até 20 dias, com um custo operacional até dez vezes maior. A presidente do Porto do Itaqui (MA), Oquerlina Costa, destacou a oportunidade de acompanhar de perto uma operação de passagem pelo canal. “É uma experiência incrível, principalmente quando a gente acompanha com exclusividade uma operação de passagem de um navio. Isso está sendo muito enriquecedor. Eu tenho certeza de que a gente vai levar daqui experiências bem positivas”. Para Oquerlina, a missão internacional também amplia a troca de conhecimento entre profissionais de diferentes áreas e portos brasileiros. A convivência na programação permite compartilhar experiências, conhecer outras realidades e discutir práticas que podem contribuir para o cotidiano profissional das participantes. Diferentes perspectivas A coordenadora de Sistema de Gestão Integrada (SGI) da Eldorado Brasil Celulose, Fernanda Machado, ressaltou que uma das riquezas da missão está na possibilidade de profissionais com diferentes formações e áreas de atuação observarem uma mesma operação sob perspectivas distintas. “Cada uma tem uma lente para essa visita. Dentro da sua atuação no setor, cada uma vem tentando observar e agregar na área de atuação. O maior valor dessa missão é ter essa diversidade de mulheres entendendo uma mesma operação, mas levando esse conhecimento diferente de alguma forma”. Programação reforça presença feminina no setor Além do conhecimento técnico proporcionado pela visita ao Canal do Panamá, a programação reforçou um dos propósitos da Missão Internacional Mulheres a Bordo: promover conexões e a troca de experiências, além de fortalecer a presença feminina no setor marítimo e portuário. Elas tiveram contato com detalhes da operação que é referência global (Luciana Moledas/TV Tribuna) Para Michelli Barreto, a experiência ganhou um significado ainda mais pessoal por ocorrer dentro de um projeto que reúne conhecimento técnico, diversidade e representatividade feminina. “É viver um sonho. Eu vim de uma situação de vulnerabilidade social e econômica e para estudar, vendi água na praia e catei latinha. Estar aqui no Panamá, em um projeto de diversidade, onde eu posso representar mulheres e representar a comunidade de onde eu vim, é muito mais do que um sonho. É inspirar pessoas e mulheres a chegarem aonde elas querem”. Fernanda Machado também destacou o potencial da iniciativa para abrir caminhos e inspirar outras mulheres a ingressarem e avançarem profissionalmente no setor. “Assim como outras mulheres também abriram esses caminhos para tantas que hoje estão, que a gente possa ser também essas mulheres inspiradoras para tantas outras que chegarão aqui conosco”, afirmou.