Gabriela Costa destaca infraestrutura portuária privada; Danielle Bernardes ressalta a integração do transporte; Cynthia Ruas defende mais atenção nas concessões (Samuel Andrade, especial para A Tribuna) A proximidade das eleições presidenciais reforça a necessidade de pensar nos próximos quatro anos, independentemente de quem será o escolhido pelas urnas. A ideia não foi diferente no painel Cadeia Logística Inteligente, dentro do 2º Encontro do Mulheres a Bordo 2026, realizado na última quinta-feira, no auditório da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em Brasília. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! O motivo é que a líder do projeto Mulheres a Bordo e mediadora, Flávia Takafashi, propôs às debatedoras, cada qual pertencente a um órgão do setor portuário, que escolhessem uma prioridade para trabalhar durante o próximo mandato presidencial. Nas respostas, muita convergência. Decisão estratégica do País A diretora-executiva da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), Gabriela Costa, destaca a importância dos acessos aos portos e pede que a infraestrutura portuária privada seja analisada como uma decisão estratégica do País e não apenas como uma escolha do empreendedor. “É curioso quando falamos de acesso enquanto terminal de uso privado e muitas pessoas dizem que, se é privado, fez porque quis e, agora, que se vire com acesso. Quando se pega a movimentação portuária nacional, 65% é feita pelo terminal de uso privado”, comenta. No entanto, Gabriela acrescenta que esse olhar prioritário visando os acessos deve ser em relação aos terminais, sejam públicos ou privados, que realizam movimentação relevante. “Eles (os acessos) vão ser a nossa preocupação para os próximos quatro anos. Está, inclusive, na carta da ATP aos presidenciáveis, que foi entregue nas últimas semanas. Esse é um ponto que a gente quer debater com quem irá assumir a presidência”, revela. Tecnologia A superintendente de Sustentabilidade, Pessoas e Inovação da ANTT, Cynthia Ruas, segue a mesma linha e defende que, nas concessões, haja atenção desde o início à forma como os acessos serão resolvidos. A tecnologia e a sustentabilidade serão facilitadoras desse caminho. “Em alguns trechos, temos praças de pedágio tão distantes umas das outras que, quando o caminhão vai passar, o valor da taxa que ele tem que pagar é uns R\$ 900. Isso vem com a possibilidade de usar free flow e tecnologia de pesagem em movimento”, descreve. Os corredores logísticos sustentáveis multimodais também estão na lista. A intenção da ANTT é identificar trechos rodoviários com gargalos logísticos, inclusive ambientais, que integrem corredores de acesso aos portos. Até o momento há um corredor de acesso ao Porto de Paranaguá (PR), outro ao Porto de Itaguaí (RJ) e um terceiro em desenvolvimento, envolvendo a BR-163, chegando ao Porto de Miritituba (PA). “Temos que nos manter firmes nessa ideia desses pequenos trechos que servem a muitos e focar o trabalho nisso. Isso vai trazer um ganho enorme para todos”, afirma. Alinhamento A gerente-executiva governamental da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Danielle Bernardes, deixa claro o desafio de mostrar ao Governo a importância da integração das modalidades de transporte - até mesmo nos ativos sob gestão pública, devido à dificuldade de alinhamento. “As empresas querem olhar o delas, mas também existem agências e ministérios diferentes. Estamos ali para tentar unir e coordenar, chamando para conversar, formando grupos e fazendo estudos sobre essa integração. O maior desafio para o próximo governo é o de continuar trabalhando em políticas públicas que olhem para o País de forma mais integrada e não setores de forma isolada”, define.