Para Cláudia, a modernização tecnológica impulsionou as mulheres em áreas antes ocupadas por homens (ABTP/Divulgação) Um ambiente corporativo diverso e inclusivo gera um ecossistema criativo e inteligente, o que é determinante para fortalecer a estratégia de negócios de empresas de um setor tão competitivo quanto o de comércio exterior. Essa é a visão da diretora-executiva, de Relações Institucionais e Comunicação da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), Cláudia Borges. Para a executiva, a modernização tecnológica e a automação das operações no setor portuário brasileiro impulsionaram a participação de mulheres em áreas historicamente ocupadas por homens, como a logística portuária e a operação de equipamentos de grande porte. “Os investimentos constantes em inovação nos terminais portuários têm sido um fator preponderante para o aumento da presença feminina no setor, antes mais dependente da força física comumente associada aos homens”. Cláudia disse que a inclusão já foi incorporada pelo setor como ferramenta de fortalecimento da inteligência corporativa. “A diversidade de gênero nas empresas portuárias deixou de ser apenas uma questão de representatividade e passou a ser entendida como uma estratégia de negócios”, ressaltou. A própria trajetória de Cláudia reflete a mudança de visão institucional voltada à diversidade e à inclusão no setor portuário. Com mais de 20 anos de atuação nas áreas de logística, infraestrutura e transporte, ela se tornou a primeira mulher a acumular a gestão das diretorias Executiva, de Relações Institucionais e de Comunicação da ABTP. A entidade reúne 107 empresas associadas, responsáveis por mais de 250 terminais portuários em 22 estados brasileiros. Juntas, elas representam cerca de 75% da movimentação portuária nacional e respondem por 16,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do País. Trajetória Cláudia ingressou na ABTP em 2019 e assumiu a diretoria executiva em 2022. Ela também coordena os comitês de Reforma Tributária, Segurança e ESG, além dos grupos de trabalho de Integridade e Inovação da associação, e responde ainda pela articulação das delegacias regionais da ABTP em Santos, Paranaguá (PR), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Luís (MA). “Quando recebi a missão, soube que competência, consistência e entrega abrem portas. Mulheres têm, sim, espaço para liderar discussões estratégicas, influenciar decisões e representar institucionalmente um setor tão relevante para o País”, declarou. Esforço conjunto Cláudia enfatizou que o avanço feminino no segmento depende de um esforço conjunto entre mulheres, empresas e lideranças masculinas. “A construção de um ambiente mais diverso passa pela criação de oportunidades iguais, políticas de desenvolvimento profissional, programas de liderança, combate a preconceitos e incentivo à inclusão em todos os níveis. Quando homens e mulheres trabalham juntos nesse processo, o setor ganha em inovação, produtividade e qualidade na tomada de decisão”. Segundo a executiva, a ABTP mantém iniciativas voltadas à valorização da presença feminina nos portos e terminais portuários. A entidade incentiva a participação de mulheres em fóruns e debates estratégicos, divulga lideranças femininas do setor e promove discussões sobre igualdade de oportunidades e desenvolvimento profissional. “Quando empresas criam ambientes mais diversos, seguros e inclusivos, todos ganham: profissionais, organizações e o próprio setor portuário”, afirmou. Conhecimento Integrante da comitiva da Missão Internacional Porto & Mar 2026, promovida pelo Grupo Tribuna na China, país que é referência global em automação, inteligência artificial e sustentabilidade, Cláudia declarou que “conhecer como os portos chineses vêm utilizando inteligência artificial, automação e gestão de dados para aumentar a produtividade e a competitividade é uma oportunidade valiosa para a ABTP e o setor portuário brasileiro”.