Experiência e competência: Fabiola Dourado atua há mais de 15 anos nos setores de infraestrutura e logística (Divulgação) A ampliação da competitividade da infraestrutura brasileira passa por uma atuação conjunta entre os setores público e privado. A avaliação é da gerente-executiva do Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp), Fabiola Dourado, que defende o diálogo institucional, o planejamento de longo prazo e a integração dos modais de transporte como pilares para impulsionar o comércio exterior. “Acredito muito no diálogo. Quando existe essa troca, fica mais fácil avançar em projetos que atendam às necessidades da logística e dar continuidade às discussões sobre infraestrutura. Para o Brasil ganhar competitividade, é preciso olhar para a cadeia como um todo. Não adianta avançar em uma ponta sem considerar o restante do caminho”, afirma a executiva, que atua há mais de 15 anos nos setores de infraestrutura e logística. Segundo Fabiola, a cooperação entre governo e iniciativa privada é fundamental para a segurança jurídica, a atração de investimentos e a viabilização de projetos estruturantes. “As articulações institucionais são necessárias para criar um ambiente de diálogo e governança em busca das melhores soluções para tirar do papel projetos essenciais de infraestrutura. Trabalhar juntos nas demandas imediatas, mas também olhar o longo prazo, olhar a cadeia, a intermodalidade e ampliar a visão holística necessária em um país continental como o Brasil”. Para ela, “a cocriação é essencial para desenvolver um ambiente com segurança jurídica e influenciar na construção de uma política pública que estimule a economia e a geração de renda para o País”. A executiva cita o Plano Nacional de Logística (PNL 2050), do Governo Federal, e o Plano de Logística e Investimentos (PLI), do Governo de São Paulo, como exemplos de planejamento de longo prazo. Também destaca a atuação da Infra S.A. na estruturação de parcerias público-privadas (PPPs) e concessões. “Considero um grande exemplo que permite que o setor privado traga o investimento e destrave grandes projetos de infraestrutura necessários para o crescimento econômico do País”. Visão integrada Com experiência nos setores ferroviário, de celulose e portuário, Fabiola defende uma logística integrada para reduzir custos e aumentar a eficiência. “Minha experiência no setor ferroviário me ajudou a ampliar esse olhar e a entender melhor a importância de cada elo da cadeia logística. Quando falamos em infraestrutura, é importante pensar de forma integrada e considerar a conexão entre os diferentes modais. A carga percorre uma cadeia e depende dessa integração e de acessos para chegar ao destino com mais eficiência”, ressalta. Ela lembra que o Porto de Santos é estratégico para o comércio exterior, mas alerta que seu crescimento poderá ser limitado caso obras estruturantes não sejam executadas. “O crescimento do Porto de Santos até 2035, como mostrou o estudo Santos 10+, do Sopesp, pode ser limitado por gargalos logísticos se as decisões estruturantes não forem tomadas e as obras previstas não forem realizadas a tempo”. A gerente-executiva ressalta a importância da integração do porto com os modais de transporte e as empresas. “Quando o porto opera de forma integrada com ferrovias, obras de acesso, rodovias e indústria reduzimos custos, tempo e ineficiências. Com isso, fortalecemos o Brasil no comércio exterior”. Liderança feminina Além da atuação institucional, Fabiola também incentiva a presença feminina em um setor historicamente masculino. Mentora do Instituto Vasselo Goldoni (IVG) e integrante do movimento Elas na Logística, a profissional considera que ampliar a participação das mulheres fortalece toda a cadeia logística. “Formar mais mulheres para ocupar cargos de liderança e postos de trabalho em ambientes masculinos é um dos temas que me atravessam profundamente”. Para ela, a diversidade amplia a capacidade de inovação. “E prepara melhor o setor para enfrentar os desafios da infraestrutura e da logística nos próximos anos”.