Participantes defenderam que empresas mais diversas produzem melhores resultados e ambientes corporativos mais inteligentes (Alexsander Ferraz/AT) Os cargos de liderança no setor portuário são ocupados, em sua maioria, por homens e eles devem praticar a inclusão para promover a pluralidade dentro das empresas, gerando ambientes inovadores e retendo talentos. Essa foi a principal convergência entre os participantes do 1º Encontro Mulheres a Bordo 2026, promovido pelo Grupo Tribuna na última terça-feira, em Santos. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Mediadora do painel “Política de Diversidade e Liderança: Como ser He for She?”, a presidente do Comitê Mulheres a Bordo, Flávia Takafashi, afirmou que a discussão sobre equidade precisa ir além do protagonismo feminino e envolver diretamente os homens em posições de liderança. No painel, os participantes defenderam que empresas mais diversas produzem melhores resultados e criam ambientes corporativos mais inteligentes. O CEO da DP World Santos, Fabio Siccherino, disse que a equidade depende de decisões concretas das lideranças masculinas. “Tem que deixar de ser discurso e virar decisão. Decisão de contratar, decisão de promover e de dividir privilégios e poder”. Para o executivo, a diversidade passou a ser um diferencial estratégico para as organizações. “A diversidade é justa, mas mais do que isso, ela é inteligente. Ela traz inteligência para a organização e ajuda a empresa a crescer”. O diretor-executivo da Deme Brasil, Disney Barroca, também associou diversidade ao fortalecimento da inteligência corporativa. “Pluralidade gera riqueza, diversidade gera inteligência”, declarou. Em seguida, ele reiterou que a pluralidade passou a fazer parte da cultura organizacional da empresa de maneira natural no processo de internacionalização da companhia. Para o executivo, ambientes corporativos diversos favorecem escolhas qualificadas e melhores resultados. “No filtro final, que acaba sendo o da competência, as coisas acabam acontecendo de forma natural”. O diretor da Eldorado Brasil, Flavio da Rocha Costa, afirmou que a inclusão precisa ser incorporada à cultura organizacional e aplicada na prática cotidiana das empresas. “A mudança acontece no dia a dia, com intenção e atitude. (...) Eu não olho se é homem, mulher, negro ou branco. O que importa é a capacidade”. Ele também destacou que empresas mais diversas apresentam melhores resultados financeiros e operacionais. “Não basta abrir espaço. É preciso manter essas mulheres dentro do sistema”. Além do institucional A diretora de Planejamento Operacional da Santos Brasil, Evelyn Lima, afirmou que diversidade deixou de ser apenas uma pauta institucional para se tornar elemento estratégico da operação portuária. Segundo ela, o desempenho operacional depende diretamente da valorização das pessoas. “A performance dessas pessoas faz essas coisas acontecerem”, afirmou, complementando que ambientes mais inclusivos fortalecem inovação, pertencimento e retenção de talentos. “Quando a gente tem uma cultura fragmentada em que nem todas as pessoas do time são ouvidas, a gente acaba não conseguindo movimentar o que a gente movimenta”. Diretora substituta da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Cristina Castro reforçou que políticas permanentes de diversidade consolidam mudanças estruturais. Em sua fala, destacou a importância da participação masculina no debate. “Em um evento de mulheres, ver homens é fundamental. Nós estamos cansadas de falar para nós mesmas”. Segundo ela, a pluralidade melhora resultados e amplia a capacidade de inovação das organizações. “A diferença ainda incomoda. E ela só vai deixar de incomodar quando os altos executivos entenderem o quanto isso gera dinheiro”.