Gilmara explica que há necessidade de demonstrar capacidade técnica e liderança em ambientes masculinos (Divulgação) Determinada a contribuir para a transformação da infraestrutura logística no País, Gilmara Temóteo, hoje diretora-executiva da Associação Brasileira das Entidades Portuárias e hidroviárias (Abeph), nunca encarou a massiva participação masculina no setor como barreira e encontrou nos desafios o estímulo para se preparar e consolidar sua carreira profissional no ramo que escolheu. Gilmara já comandou dois portos brasileiros. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! “Minha motivação sempre esteve ligada ao propósito de contribuir para a transformação e modernização da infraestrutura logística brasileira. Quando iniciei minha trajetória, a presença feminina em posições de liderança no setor era bastante limitada, mas nunca enxerguei isso como um impedimento”, afirma Gilmara Temóteo. A executiva comenta que os desafios existiram, principalmente relacionados à necessidade constante de demonstrar capacidade técnica e liderança em ambientes tradicionalmente ocupados por homens. “Com o tempo, aprendi que competência, preparo e resultados consistentes são os instrumentos mais eficazes para superar barreiras”, pontua a diretora da Abeph. No comando dos portos Gilmara foi a primeira mulher a comandar um porto público no Brasil. Ela presidiu a Companhia Docas da Paraíba (Docas-PB), que gerencia o Porto de Cabedelo, entre 2015 e 2023. A autoridade portuária está delegada pelo Governo Federal ao estado da Paraíba. “Esse foi um marco importante não apenas para minha trajetória pessoal, mas também para o fortalecimento da participação feminina em cargos estratégicos do setor portuário”, comemora Gilmara. Em 2023, ela também foi diretora-presidente interina da Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), que administra os portos de Salvador, Aratu-Candeias e Ilhéus. “Independentemente de eventuais marcos estatísticos, considero mais relevante o fato de que essas experiências demonstram que as mulheres estão cada vez mais preparadas para ocupar posições de alta liderança no setor”, ressalta a executiva. Diversidade como estratégia Para Gilmara, a presença feminina deve ser encarada como um diferencial estratégico para o setor. “Diversidade não é apenas uma pauta social; é uma questão estratégica. Ambientes diversos tendem a produzir decisões mais equilibradas, inovadoras e sustentáveis”, ressalta. Na avaliação da diretora-executiva da Abeph, “a inclusão de mulheres em posições de liderança amplia perspectivas, fortalece a governança, melhora os processos de tomada de decisão e contribui para organizações mais preparadas para lidar com os desafios contemporâneos”. Incentivo à nova geração Gilmara coordena um grupo voltado à promoção de mulheres no setor e incentivo à participação delas em eventos, fóruns e programas de capacitação. “Se minha história contribuir para mostrar que é possível alcançar posições de liderança por meio de estudo, dedicação, ética e trabalho sério, já me sinto realizada”, declara a executiva. Há aproximadamente 14 anos construindo sua carreira no setor portuário e logístico, iniciada na Docas-PB, Gilmara aconselha as mulheres interessadas em ingressar no segmento que invistam em qualificação. “Busquem conhecimento continuamente, desenvolvam sua autoconfiança e não tenham receio de ocupar espaços de liderança. O setor portuário precisa cada vez mais de diversidade de visões e talentos”. Ao refletir sobre os aprendizados, ela destaca a resiliência e a capacidade de construir consensos como características fundamentais para liderar. “Também aprendi que liderar não significa impor, mas construir, ouvir, dialogar e gerar resultados. Essa talvez seja a principal lição que levo de toda a minha trajetória no setor portuário”, conclui.