O ambiente corporativo diverso, plural e inclusivo já é realidade no comércio exterior brasileiro e segue em expansão, demonstrando a transformação gradual de um ecossistema historicamente masculino. Esta foi uma das conclusões do 1º Encontro Mulheres a Bordo 2026, realizado nesta terça-feira (5), na sede do Grupo Tribuna, em Santos. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Gestores que participaram do painel “Política de Diversidade e Liderança: Como ser He for She?” destacaram que a formação de equipes diversas resulta menos de uma política institucional e mais de ações concretas no cotidiano das empresas. O perfil mais valorizado é o de profissionais preparados, com iniciativa e disposição para ampliar suas competências, assumir novos desafios e transitar entre áreas, mesmo sem experiência. O debate foi mediado pela presidente do Comitê Mulheres a Bordo, Flávia Takafashi. Primeira a falar, a diretora substituta da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Cristina Castro, salientou que “inovar é fazer algo agregando valor social”. Para ela, o setor só se desenvolve se for composto de pessoas diferentes, de gêneros e etnias diversos. “Se forem os mesmos homens brancos, héteros e cis nas lideranças, serão as mesmas soluções brancas, héteros e cis. A gente só tem riqueza na pluralidade. A política de administração pública voltada à pluralidade não vem só para demonstrar a importância da diversidade, mas para deixar um marco”. O CEO da DP World Santos, Fabio Siccherino, declarou que é preciso ouvir as mulheres. “Quando as mulheres se sentam à mesa, não é só dar voz. É parar de interrompê-las. É dar essa oportunidade delas serem ouvidas. A DP World entendeu esse processo desde o início e criou oportunidades para as mulheres se capacitarem e se desenvolverem dentro da organização”. Pioneira na Santos Brasil como diretora de Planejamento Operacional, Evelyn Lima disse que assumiu o cargo porque o CEO da empresa apostou na sua competência, mas enfatizou que é fundamental se preparar para lidar com situações adversas e inesperadas em cargos de liderança. “Às vezes, a gente pensa: me jogaram aqui e terei que aprender a nadar sozinha. Sim, você vai. Você está ali para tomar decisões. O autoconhecimento e o autodesenvolvimento nos preparam para essas situações”. O diretor da Eldorado Brasil, Flavio da Rocha Costa, citou a cobrança interna por diversidade nos processos seletivos. Nesse cenário, houve um avanço significativo na participação feminina em áreas operacionais nos últimos anos. “Hoje, 50% da área de logística é formada por mulheres, independentemente da posição, inclusive em funções que envolvem operação de caminhões”. O diretor-executivo da Deme Brasil, Disney Barroca, destacou que a empresa, com sede na Bélgica, conta com mais de 5,4 mil colaboradores em 90 países e se tornou plural. “A partir da internacionalização, por uma questão geográfica ou natural, a Deme se diversificou. Pluralidade gera riqueza, diversidade gera inteligência”. Balanço Após o evento, Flávia avaliou positivamente o aprofundamento do debate. “A gente fala desse tema há muito tempo, mas hoje (ontem) conseguimos avançar, trazendo propostas concretas sobre o que as empresas podem fazer para abrir esses espaços”. Ela observou que o evento estimulou a construção de caminhos práticos para as mulheres superarem desafios históricos. “Nem sempre os espaços corporativos oferecem as mesmas oportunidades, mas é preciso criar caminhos. Hoje, a gente debate, instiga e constrói um ambiente mais favorável para isso”. Valorização e incentivo Iniciativa do Grupo Tribuna, o projeto Mulheres a Bordo foi criado em 2025, com o objetivo de valorizar e incentivar a presença feminina no comércio exterior brasileiro. Em 2026, a iniciativa está ainda mais robusta e tem reportagens quinzenais em A Tribuna e editoria própria no site. As ações incluem dois encontros para debates — o primeiro foi realizado ontem e o próximo será em 1º de outubro — e a Missão Internacional ao Panamá, que ocorrerá entre 18 e 21 de agosto.