Erika Chaves mediou painel com as executivas Béatrice Dupuy, Patrícia Gravina e Fernanda Machado (Samuel Andrade/Especial para A Tribuna) Buscar investimentos e estruturar projetos mais sustentáveis tem sido um desafio para o Governo Federal. A conclusão é da diretora do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) da Casa Civil, Patrícia Gravina. Ela foi uma das integrantes do painel O que fazer para alavancar a infraestrutura? Como conectar sustentabilidade e desenvolvimento?, no 2º Encontro Mulheres a Bordo. A mediação foi da vice-presidente do Instituto Iberoamericano de Direito Marítimo, Erika Chaves. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Patrícia explica que em todos os novos contratos de projetos portuários consta a obrigação de levantamento do inventário de emissões de gases de efeitos estufa (GEE). O problema está ainda na baixa adesão dos próprios complexos portuários. “Um estudo que foi feito com a GIZ (Agência Alemã de Cooperação Internacional) demonstrou que 81% dos nossos portos nem sequer têm esse inventário. Temos feito um esforço nesse sentido”. Outra preocupação é com o aumento dos valores de seguros envolvendo eventos da natureza, cada vez mais frequentes, e seus impactos. “Existem ideias, como, por exemplo, dentro dos projetos portuários, você pensar em um caderno específico de levantamento de riscos e de seguros. Isso aconteceria na fase de estruturação do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (Evtea)”. Alavancar os investimentos sustentáveis, porém, esbarra no próprio conceito do mercado portuário, diz ela. “Vejo uma busca mais por debêntures (títulos de dívida de médio e longo prazo emitidos por sociedades anônimas - exceto bancos - para captar recursos no mercado) de infraestrutura, pelo Fundo da Marinha Mercante, mas existem outros dispositivos no mercado financeiro. Há fundos verdes de modo geral, incluindo internacionais. As concessionárias de aeroportos e de rodovias utilizam mais esses dispositivos do que no setor portuário”. Olhar para o entorno A gerente-executiva de Comunicação Corporativa e Sustentabilidade da Santos Brasil, Béatrice de Toledo Dupuy, diz que não é possível escolher entre desenvolver o Brasil e cuidar do meio ambiente, mas fazer uma conciliação. “As duas coisas têm que seguir juntas. Temos, por exemplo, guindastes RTG elétricos (usados para empilhar, desempilhar e movimentar contêineres), novos caminhões movidos a gás natural e painéis solares. O foco é sempre reduzir as nossas emissões. A ideia é chegarmos a net zero até 2050”, comentou, referindo-se ao estado de equilíbrio entre a quantidade de GEE emitido na atmosfera e a quantidade que é removida dela. Social A coordenadora de Sistema de Gestão Integrado na Eldorado Brasil Celulose, Fernanda Machado, vai na mesma linha e deixa claro que a reflexão passa não por quanto as empresas estão crescendo, mas por como isso está acontecendo e o que está se fazendo valer como logística portuária. “De nada adianta o desenvolvimento econômico se não levo para o social. Não pode haver o desequilíbrio que envolve um lado caminhando e o outro ficando para trás”, comenta. Fernanda cita como exemplo os impactos que a circulação de caminhões pode provocar no cotidiano das famílias, inclusive no deslocamento dos pais que levam os filhos à escola. “Se está atrapalhando, temos que ver e recalcular a rota. Se o impacto traz eficiência, mas atinge o entorno, então temos que deixar isso de lado. Temos que ver para não trazer nenhum tipo de conflito para a comunidade, os colaboradores e o próprio meio ambiente”, reforça a executiva da Eldorado Brasil. Fonseca citou a Resolução 657 e o programa Rodovia Segura para Todos (Reprodução) Fortalecer O diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Marcelo Fonseca, acredita que a presença feminina em cargos de liderança fortalece a formulação de políticas públicas mais holísticas e profundas para a infraestrutura do País. Ele ressaltou que as pautas de sustentabilidade e equidade de gênero na ANTT deixaram o discurso e já se materializam em normas e cláusulas contratuais do transporte terrestre. Como exemplo, citou a Resolução 657 e o programa Rodovia Segura para Todos, focado no atendimento e na proteção das mulheres nas rodovias, projeto gerido e desenvolvido por comitês femininos. O executivo reforçou que a diversidade agrega valor técnico às decisões do setor.