A diretora-executiva da Associação Brasileira das Entidades Portuárias e Hidroviárias (Abeph), Gilmara Temóteo, defende que haja uma evolução na forma de se medir o sucesso dos portos brasileiros. Ela foi uma das integrantes do painel Infraestrutura & Comércio Exterior - Riscos e Oportunidades, no 2º Encontro do Mulheres a Bordo. A mediação foi da diretora de Programa da Secretaria Nacional de Portos, Rebecca Ferreira. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! “O número grande de cargas e o sucesso logístico são importantes, mas não devem ser o parâmetro essencial. É necessário que se olhem diferentes realidades geográficas. Um porto com vocação de movimentação de granéis sólidos não pode ser comparado a um outro com vocação de contêineres”, afirma a diretora da Abeph. Gilmara lembra que a capacidade de resiliência e de resposta às condições climáticas, o nível de autonomia da gestão e a capacidade de desenvolver novos negócios passam por esse olhar. “Vivemos um momento regulatório um pouco esquizofrênico. Conquista, ano a ano, de recordes sucessivos é indicador de sucesso, mas outros parâmetros precisam ser considerados no desenvolvimento do sistema portuário, de modo que ele seja competitivo e faça a diferença no comércio exterior”, reforça. No Espírito Santo A diretora jurídica e regulatória na VPorts Autoridade Portuária, Adriana Pessotti, trouxe a situação vivida no Espírito Santo, onde houve há quatro anos a privatização da administração que abarca os portos de Vitória, Vila Velha e Barra do Riacho. “Passamos por crises e vimos que o porto é multipropósito, não ficando preso a uma carga somente. Se não estamos exportando chapa de granito, fazemos isso com granito de bloco”, afirma Adriana. “Tivemos, em um primeiro momento, aprendizagem e adaptação de contrato para cumprimento dessas obrigações e passamos a uma nova fase em novos investimentos, como melhora de infraestrutura para sermos mais eficientes. O próprio contrato de concessão traz mecanismos para isso. Não é extremamente rígido”, emenda. Adriana explica que, no quinto ano de vínculo, é possível a primeira revisão de parâmetros, podendo apresentar propostas que não estão previstas originalmente, como a ampliação de movimentação - antes entre 7,5 e 8 milhões de toneladas, passando para 9 milhões de toneladas neste ano. “Conseguimos dar outra visão e dinamismo para o porto. Resolvemos questões antes intransponíveis. Precisava licitar para fazer sinalização horizontal, comprar café ou fazer dragagem. Isso para a gente é mais simples. Sabemos que o porto tem limitações físicas, mas que podem ser compensadas de outras maneiras. É um modelo que está dando certo”. Ela explica que já foram assinados 20 contratos de exploração de áreas, contra um a cada quatro anos quando o porto era administrado de forma pública. Fuga de mão de obra A advogada Samara Gualberto mostra preocupação a respeito da fuga de mão de obra nos portos do Arco Norte, onde comanda e representa o escritório Ruy de Mello Miller (RMM). Embora haja melhorias e o interesse crescente na formação no setor, além de maior envolvimento por parte das empresas, ela ainda percebe uma maior quantidade de mão de obra indo para o Sudeste. “Não tem como falar do Norte e não falar de oportunidades. Mas o que a gente vê é a mão de obra indo para o Sudeste. O que a gente nota no Arco Norte é uma divisão: grandes empresas já têm essa cultura na sua organização, já têm política de governança, mas a gente ainda nota nas empresas locais aquela questão que vai fazer porque precisa ou porque o Ministério Público estava pedindo”.