Unir investimentos em infraestrutura, inovação, eficiência e, principalmente, planejamento em prol da logística, passando diretamente pelos acessos aos portos, é mais importante do que a tecnologia dos terminais portuários. A afirmação é da diretora-executiva da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), Gabriela Costa. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! “Temos terminais investindo fortemente em inovação, sustentabilidade e em modernização. Grande parte é eletrificada, muitos são automatizados, mas temos acessos extremamente deficientes. De nada adianta ter um terminal no estado da arte se a gente não consegue chegar com a rodovia, ferrovia e com a hidrovia”, sentencia. A diretora da ATP foi uma das integrantes do painel Cadeia Logística Inteligente, dentro do 2º Encontro do Mulheres a Bordo 2026, realizado nesta quinta-feira (15) no auditório da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em Brasília. A mediação foi da líder do projeto Mulheres a Bordo, Flávia Takafashi. Gabriela lembra que o problema acontece em todas as regiões brasileiras. “Se a gente for para a Região Sul do País, temos problemas significativos na BR-101 em Santa Catarina, que dá acesso aos principais portos do Estado - Itapoá, Navegantes e Itajaí. No Porto do Açu, no Rio de Janeiro, há um trecho que liga a estrada ao Porto que é lamentável. E se for fazer comparação do Porto do Açu, hoje, com portos públicos, ele é o segundo em movimentação. E esse problema se reflete também na Região Norte, quando a gente analisa o de Miritituba (PA), com 11 terminais privados e um acesso absolutamente lastimável. Está agora dentro da concessão da Via Brasil na BR-163, mas com um cronograma bastante atrasado ainda”, detalha. Corredores A superintendente de Sustentabilidade, Pessoas e Inovação da ANTT, Cynthia Ruas, explicou que estão sendo criados três corredores logísticos sustentáveis multimodais. A ideia é pegar trechos rodoviários específicos que tenham gargalos logísticos, inclusive envolvendo questões ambientais, e que precisem chegar a um porto. Um deles - o terceiro - envolve justamente o da BR-163 no Pará, segundo a superintendente. “Quando a gente reformulou o contrato, foi incluída uma cláusula específica de que deve ser feito esse corredor na 163, chegando ao Porto de Miritituba. Está escrito dessa forma. Agora, dia 12 de novembro, vamos ter o procedimento competitivo para saber quem, de fato, vai ficar com o ativo rodoviário da BR-163. Independentemente de quem for ficar, a obrigação já está lá”. O primeiro é o que liga Curitiba ao Porto de Paranaguá, da EPR Litoral Pioneiro, concessionária de rodovias do Grupo EPR que atua no Paraná. “Há um outro que está sendo desenvolvido, já foi aprovado no âmbito da superintendência, mas que agora vai para aprovação no âmbito da diretoria colegiada da ANTT, que é o corredor da Motiva Rio SP. É um trecho da BR-116 para que a cooperação seja firmada junto ao Porto de Itaguaí (RJ)”, completa. Multimodalidade A gerente executiva governamental da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Danielle Bernardes, considera necessário que o Governo Federal valorize a multimodalidade. “Temos poucos operadores de transporte multimodal. É um desafio regulatório e jurídico. Será que tem segurança para operar? Será que a Reforma Tributária olhou para ter incentivos? Enfim, há mais desafios do que soluções concretas”, afirma. “Precisamos saber onde estão as nossas cargas”, emenda.