Usina fotovoltaica Araucária, na Represa Billings, foi inaugurada no início do ano, em parceria com a Emae, do Governo do Estado (Governo do Estado de São Paulo/Divulgação) Embora ainda haja persistência no uso dos combustíveis fósseis como fonte de energia, por outro lado já há iniciativas baseadas em alternativas que trazem resultados positivos, como as usinas solares flutuantes. Elas foram apresentadas no encontro pelo diretor financeiro da KWP, José Luiz Wald. A KWP é uma holding de empresas operacionais que desenvolvem e operam projetos de geração de energia por meio de usinas solares flutuantes. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A KWP faz parte da joint venture responsável pela instalação de uma usina solar flutuante localizada na represa Billings. O empreendimento contempla os consumidores de baixa tensão da Região Metropolitana de São Paulo e é realizado em parceria com a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae). São 10 mil placas fotovoltaicas (de energia solar) presas por meio de cabos que flutuam no espelho d’água e que devem gerar cerca de 6 MW, capaz de abastecer quatro mil residências nessa primeira fase do projeto. Durante o encontro, Wald enumerou os benefícios das usinas solares flutuantes quando comparadas àquelas instaladas em solo. Entre eles, está a geração de até 15% mais energia. “Outro ponto é a preservação da água onde ela é instalada, chegando a reduzir em até 70% a evaporação. Para companhias de saneamento e hidrelétricas, essa é uma vantagem importantíssima. Além disso, toda grande metrópole tem um grande reservatório próximo, então, pode recorrer a esse tipo de usina com geração próxima ao consumo, evitando perda pelas grandes transmissões como as que temos no Brasil”, diz Potencial Para Wald, o Brasil possui uma imensidade de reservatórios de hidrelétricas com infra muito superior à utilização. “Com as usinas solares flutuantes, é possível privilegiar a geração solar e, à noite, usar a água como uma espécie de bateria”. De acordo com Wald, já são 7 gigas de energia solar flutuante instalados ao redor do mundo e essa tecnologia é desenvolvida há pelo menos 15 anos. “No Brasil, temos os primeiros projetos em escala comercial e a expectativa de grande crescimento nos próximos cinco anos, com projetos atingindo mais do que um giga de potência instalada”, estima. Voz dos Oceanos conscientiza sobre poluição dos mares Ainda neste ano, o Voz dos Oceanos deve aportar em Santos. Reconhecido como iniciativa de importante repercussão para sensibilizar sobre a grave questão da poluição plástica dos oceanos, esse projeto tem agora uma nova etapa com a jornada marítima “Voz dos Oceanos - Rota Brasil”, cuja trajetória inclui o maior município da Baixada Santista. A proposta é navegar por 90 dias depois de zarpar no último dia 10 de Florianópolis, costeando o litoral brasileiro, percorrendo 12 cidades e chegando ao Rio de Janeiro em novembro, quando ocorrerá o encontro do G20 naquela cidade. No evento, a tripulação vai apresentar as mensagens de ambientalistas, estudantes, líderes de iniciativas e ONGs, além de representantes da sociedade civil, coletadas durante a viagem e que formarão um mural a bordo, o “Ecoando Vozes”. A notícia foi dada pela velejadora, ambientalista e escritora Heloisa Schurmann, uma das principais líderes do Voz dos Oceanos e que há 40 anos veleja pelos mares do mundo testemunhando o gradual e agressivo avanço dos plásticos que sufocam as águas. Ela fez a palestra de abertura do primeiro encontro da Agenda ESG deste ano, contando a história de sua família, a primeira do Brasil a dar a volta ao mundo em um veleiro, e como a paixão pelos mares se transformou em uma grande expedição para gerar conscientização sobre a poluição plástica nos oceanos e engajamento social em busca de soluções. Desafio plástico “Ao velejar, nosso desafio, maior até que as tempestades, são os plásticos. Tivemos dois momentos impactantes dessa experiência: o primeiro ocorreu em 1997, na Henderson Island, no ponto mais distante de qualquer continente ou ilha do planeta. Ali, em nossa primeira volta ao mundo, encontramos plástico; o outro momento ocorreu na West Fayu, uma pequena ilha desabitada, onde havia muito desse material, principalmente garrafas pet”, contou. O “Voz dos Oceanos - Rota Brasil” é a segunda etapa do Voz dos Oceanos, expedição realizada com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Enquanto o Rota Brasil navega com o veleiro Vitória Régia, a primeira etapa conta com o veleiro Kat e teve início em 2021. Sua missão é visitar 60 destinos, entre eles 11 cidades brasileiras, com o objetivo de testemunhar e registrar a poluição dos mares e buscar soluções inovadoras para combater esse problema. Os dois veleiros se encontrarão no próximo ano em Belém, onde será realizada a COP 30, levando resultados de pesquisas realizadas e também do programa educacional do Projeto. Heloísa ainda destacou a importância das atitudes individuais como fundamentais para a mudança do grave cenário de ameaças ambientais. “Cada um de nós pode ser um agente de mudança ao adotar atitudes que podem parecer simples, como evitar plásticos de uso único, mas que servem de exemplo”, disse. A Voz dos Oceanos participa da campanha pública “Pare o Tsunami de Plástico - combater essa catástrofe precisa virar lei”, liderada pela organização Oceana e que tem entre os objetivos engajar a sociedade por meio de uma plataforma on-line (pareotsunamideplastico.org) e uma petição direcionada para a aprovação do PL 2.524/2022, que “propõe soluções concretas para reverter essa inundação de plásticos”.