O turismo brasileiro, que faturou R\$ 228,1 bilhões no ano passado, também vem se transformando para atender aos preceitos de ESG (meio ambiente, social e governança). Prova disso é o Guia ESG do Turismo Brasileiro - Boas Práticas para Competitividade no Mercado Internacional, lançado pela Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com a entidade, a necessidade surgiu da convergência de pressões do mercado global, exigências regulatórias internacionais e um olhar atento para a realidade operacional do trade brasileiro. O projeto foi executado ao longo de 2026 e é fruto da construção colaborativa realizada em etapas que envolveram pesquisa, avaliação metodológica, capacitação, escuta ativa e validação com a participação de empresários do setor e a Embratur. “Ao longo desse processo, realizamos workshops para entender a maturidade ESG do setor e validar caminhos metodológicos. Esse processo revelou que o trade brasileiro já realiza diversas práticas alinhadas à sustentabilidade no seu dia a dia, e que o desafio nem sempre é fazer mais, mas registrar melhor, organizar informações e demonstrar resultados de forma consistente”, diz a agência, em nota. Ainda conforme a Embratur, desde o início havia a ideia de que não podia ser um documento teórico, longe da realidade do trade. “Por isso, montamos uma estrutura em rede com especialistas e os empresários do setor. No centro do projeto, tivemos uma equipe de profissionais que uniu a agência, na sua área de ESG, somada à expertise da Inovae Soluções Sustentáveis, que atuou como consultoria externa. A grande força do projeto esteve na mobilização interna e do mercado”. Intuição Segundo a Embratur, existe a percepção de que o empresário brasileiro já faz muita coisa boa por intuição, e o guia entra para ajudar a organizar, medir e dar visibilidade a isso. Outro ponto central é que ações pequenas e constantes valem mais do que ações que demandam grandes esforços e investimentos registradas de forma irregular. O guia foi fundamentado nos três pilares da sustentabilidade. O pilar ambiental tem foco na gestão eficiente de recursos, redução de impactos, eficiência energética e gestão de resíduos. Já o social foca na promoção do desenvolvimento humano e cultural, na valorização da equipe, na integração com a comunidade local e priorização de fornecedores regionais. E o de governança trata da organização, do registro e da comunicação transparente, criando processos simples para definir responsáveis. “Nossa preocupação principal foi garantir que o guia pudesse ser uma ferramenta operacional integrada”, finaliza a entidade. Para especialistas, guia é válido, mas há caminho a percorrer A empreendedora social e coordenadora de projetos Mariana Madureira afirma que oferece uma ferramenta prática poderosa para quem quer começar a implementar ESG. A disponibilização das planilhas é um diferencial que apoia, mas não esgota ações em cada um dos três pilares. “O fato de não esgotar reforça o sentido de uma ferramenta mais simples para começar, uma vez que o mercado oferece outras mais complexas que podem intimidar”, argumenta. Para ela, a Embratur dá um imenso passo com a publicação desse guia bastante detalhado e, na minha visão, falta apenas o elemento de comprometimento e monitoramento pela entidade. “Como a Embratur saberá quantas iniciativas aderiram? Acredito que as respostas passem pela nova plataforma Desbrava e futuras ações de incentivo. Mas, sem dúvida, foi um grande passo”. Para a jornalista e diretora de relações institucionais do Muda! - Coletivo Brasileiro de Turismo Responsável, Ana Duek, a realidade de boa parte do trade turístico torna difícil a implantação plena do guia. “O que a gente vê muito na prática são iniciativas e empresas que, às vezes, não conseguem nem colocar o básico em prática. Se torna até um pouco utópico que os pequenos, a grande massa do turismo, vão ter tempo, disponibilidade de equipe e entendimento”, entende. “A gente tem algumas etapas. É diferente você entregar um guia ou uma consultoria ali na porta ajudando a pessoa a implementar realmente as práticas de sustentabilidade”. Para ela, entretanto, o guia é um passo importante, mas há caminhos a seguir. “O guia traz bastante essas certificações de sustentabilidade dentro do turismo, mas que são excludentes, porque são muito caras, e vêm com regras e métricas muito europeias, que iniciativas daqui não conseguem se enquadrar”, pontua.