Viveiro de Mudas é uma iniciativa mantida pela Ecovias há 15 anos e na qual atuam 22 pessoas com deficiência intelectual, cujo regime de trabalho é o mesmo dos demais funcionários. Projeto recebeu prêmio da ONU (Rogério Soares/ AT/ Arquivo) Uma empresa ou um serviço público não é algo isolado dentro de uma comunidade. Seus serviços buscam integração com a sociedade da qual fazem parte — e isso se estende aos colaboradores. Pois aplicar o S (social) da sigla ESG, sinônimo de boas práticas, une setor privado e serviço público em um mesmo interesse: demonstrar responsabilidade social em suas atitudes. “O ponto mais crítico a ser levantado do S é em relação ao bem-estar do colaborador. Tanto no ambiente organizacional positivo como em momentos de qualidade com sua família. Afinal, o colaborador é profissional e pessoal ao mesmo tempo. Não há como separar isso”, afirma a professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Marcela Argollo. Para ela, “trabalhando bem esse ponto, o social externo acaba sofrendo impactos positivos”. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Enquanto isso, a EcoRodovias busca reafirmar o equilíbrio entre o social interno e a relação com o ambiente em que orbita. A empresa instituiu a Agenda ESG 2030 – nas Vias da Sustentabilidade, com objetivos e metas que demandam uma série de investimentos e inovações. Contudo, programas já consolidados ajudam a mostrar o peso das boas práticas no dia a dia da empresa. “A parte social, a gente trabalha de maneira multidisciplinar, dentro do grupo. Hoje, a gente tem mais de 20 iniciativas socioambientais que atendem tanto o público interno como o público externo. Mas, focando no público interno, a gente tem ações de engajamento social, como voluntariado, campanhas do agasalho, doação de sangue... Também temos um projeto premiado pela Organização das Nações Unidas (ONU), que é o Viveiro de Mudas”, diz o coordenador de Relações Institucionais da Ecovias, Caio Cesar Vicentini de Barros. A iniciativa, com 15 anos de existência, conta com a atuação de 22 pessoas com deficiência intelectual, contratadas pelas empresas como auxiliares de viveiristas. “Todas as nossas obrigações de reposição florestal são geradas nesse viveiro de mudas. Ele já bateu mais de 1 bilhão de mudas produzidas”, explica Barros. “Eles têm o mesmo regime de trabalho que os outros funcionários, incluindo remuneração variável por produtividade. Também possuímos uma horta de que eles também cuidam, que produz hortaliças, temperos e ervas utilizados em nosso restaurante”, exemplifica. Junto à comunidade O coordenador de Relações Institucionais da Ecovias acrescenta que a ligação com as comunidades em que atua é uma das preocupações da empresa. “A gente fala sobre uma diversidade de temas, como segurança viária e educação dentro das escolas. São exemplos de iniciativas que a comunidade recebe muito bem. A gente entende que eles são agentes de transformação no meio. Falar de ESG para eles faz todo o sentido. O público infantil, por exemplo, estimula comportamentos melhores dos pais.” A preocupação com os funcionários é outra premissa respeitada pela empresa. “A gente tem programas que visam à reeducação financeira para os colaboradores, para passarem de devedores a investidores. Isso faz com que trabalhem com mais tranquilidade, o que ajuda a diminuir o estresse no ambiente de trabalho. Esse é um dos benefícios.” Junto à comunidade, as ações de voluntariado mantêm o público muito mais engajado, inteirado das questões sociais, dos problemas do entorno. “Tudo isso a gente entende como ganhos. E as ações mitigam um pouco dos impactos diretos e indiretos que o nosso negócio leva para as pessoas”, complementa. Manifesto ESG da Autoridade Portuária de Santos (foto) é um coletivo que integra mais de 20 empresas portuárias e no qual se debatem ações (Alexsander Ferraz/ AT) Poder Público também trabalha para seguir boas práticas A Administração Pública não fica alheia à necessidade de um olhar social condizente com as práticas de ESG. Na Prefeitura de Santos, por exemplo, o comitê ODS (sigla para objetivos de Desenvolvimento Sustentável) Santos 2030 integra todas as secretarias e a administração indireta. São pactuadas metas nos contratos de participação direta nos resultados (PDR) com ações para o S do ESG. “Monitoramos os dados dos serviços públicos ligado ao S. Fazem parte metas como aumento de munícipes em região de alta vulnerabilidade com o acesso ao CadUnico, revitalização em locais de descarte irregular de resíduos em áreas de alta vulnerabilidade e ampliação de cursos de capacitação e qualificação”, explica o chefe do Departamento de Políticas Públicas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, Fábio Tatsubô. Segundo ele, o Movimento ODS Santos estimula a integração das boas práticas ODS e ESG na iniciativa privada. Também se considera, diz, o Manifesto ESG da Autoridade Portuária de Santos, um coletivo que integra mais de 20 empresas portuárias e no qual boas práticas do S são amplamente debatidas. Tatsubô afirma que o servidor público também é peça importante desse ecossistema de boas práticas. “O bem-estar do servidor público também é realizado na Prefeitura com programas de prevenção relacionadas à saúde, integração e acolhimento, como o Conviver”, complementa.