Do Azerbaijão, onde acompanha debates da COP29, André Ferretti, do Grupo Boticário, participou do fórum (Sílvio Luiz/ AT) No momento em que as mudanças climáticas estão na ordem do dia, tanto na reunião do G20, no Rio de Janeiro, como na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (COP29), no Azerbaijão, o alerta de que algo precisa ser feito, de forma urgente, foi reforçado nesta terça-feira (19), durante o último encontro do ano do projeto Agenda ESG, no auditório do Grupo Tribuna, em Santos. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Especialistas reforçaram que este ano deve terminar como o mais quente de todos os tempos. E que uma correção de rota depende de todos: empresas, governos e cidadãos. “Na COP, é preciso negociar cada vírgula. Não é divertido, mas é desafiador. É a busca por grandes pautas e avanços, para um mundo mais integrado e sustentável”, afirma o professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) na Baixada Santista e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, Ronaldo Christofoletti. Ele citou exemplos de elevação de temperatura que ajudam a explicar tragédias climáticas, como a que ocorreu neste ano no Rio Grande do Sul. “Faltam 45 dias para terminar o ano, mas vamos bater um recorde histórico, com 1,5 grau acima da temperatura global em comparação à era pré-industrial.” O professor sustenta que nenhum setor da sociedade sozinho vai resolver o problema. “Nós precisamos do setor empresarial, da ciência para dar base nisso. do Governo, porque é quem também regula os processos locais, regionais ou nacionais da sociedade civil e todo mundo junto que vai fazer a diferença.” Financiamento Gerente sênior de Economia da Diversidade da Fundação Grupo Boticário, André Ferretti, participou on-line de Baku, no Azerbaijão, onde acompanha as discussões da COP29. Segundo ele, o foco está no financiamento das ações voltadas para as mudanças climáticas. “Os países mais desenvolvidos têm tentado trazer alguns países que não são desenvolvidos, mas estão numa condição diferenciada, a contribuírem nesse financiamento. Da reunião do G20 já vem uma mensagem positiva, de reconhecimento das maiores economias do mundo de que, de fato, é preciso aumentar esse investimento”, declarou. Para ele, há tempo para reagir, mas é urgente tomar medidas. “Que os países apresentem novas metas de reduções de emissões mais ousadas, da ordem de 60% do que era emitido em 2019. Mas, a cada dia que a gente posterga essas ações, fica pior.” O encontro desta terça (19) passeou pelas vertentes da sigla ESG (ambiental, social e governança, na sigla em inglês), numa prova da transversalidade do tema. Jayme Garfinkel, presidente do Instituto Ação pela Paz, destacou um aspecto do olhar social: a reinserção de egressos do sistema carcerário na sociedade — segundo ele, um processo árduo. “Temos no Brasil, hoje, 800 mil pessoas presas, na faixa dos 25 aos 55 anos, economicamente ativas. Não é uma causa fácil, mas quem está preso um dia vai voltar à liberdade. Por que não aproveitar o tempo de pena e apostar na ressocialização?”, questiona Garfinkel. Oportunidade Para a mestre em Direito pela FGV/ SP e sócia fundadora do Blanchet Advogados, Gabriela Blanchet, foi uma oportunidade especial de debate com diferentes olhares. “A gente teve uma discussão muito rica. As empresas precisam olhar para isso com seriedade, com a urgência que o tema demanda. E a governança tem um papel fundamental para isso, porque essa conscientização precisa vir também da alta liderança.” Para o diretor de Finanças e Suprimentos da Santos Brasil, Márcio Cristiano, a discussão sobre ESG deixou de ser um tema exclusivo de áreas de sustentabilidade das empresas. “A companhia já a vem praticando com fornecedores, Autoridade Portuária, todos os stakeholders (partes interessadas). É uma troca.” CEO da Aquapolo Ambiental, Marcio José reforça que o ESG garante a sustentabilidade econômica, social e de desenvolvimento. “Antigamente, era a pegada de carbono. Agora se debatem a questão hídrica, a agricultura. O debate sofreu um refinamento.”