Santos passa a contar com o primeiro Ponto de Entrega Voluntária (PEV) do programa RetornaTinta (AdobeStock) O segmento de tintas promete oferecer novas cores à sustentabilidade na Baixada Santista. Santos passa a contar com o primeiro Ponto de Entrega Voluntária (PEV) do programa RetornaTinta, iniciativa da Abrafati (Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas) que permite o descarte ambientalmente correto de sobras e embalagens de tinta. A iniciativa nasce para resolver um problema silencioso, mas grave: o descarte incorreto de tintas, vernizes e solventes pode contaminar o lençol freático, rios, canais e o mar, que impactam diretamente a biodiversidade da região, que depende da preservação de praias e manguezais. O ponto de coleta funciona na Avenida Gen. Francisco Glicério, 206, no Gonzaga, em uma unidade da loja Leroy Merlin. “Em 2026, o foco do RetornaTinta foi a expansão da rede em São Paulo. A escolha de cada novo ponto de coleta segue alguns critérios, como a distribuição geográfica e o interesse e engajamento do lojista parceiro. Santos reuniu as duas condições: é um dos principais centros urbanos da Baixada Santista e conta com uma loja engajada e interessada em integrar o programa”, afirma a gerente de sustentabilidade da Abrafati, Cindy Moreira. Segundo ela, a média geral do programa é de uma coleta por mês por PEV, mas o fluxo em Santos será avaliado, à medida que a iniciativa ganhe tração. “Até hoje, nos demais PEV, mais de 3,2 mil litros de tintas foram coletados pelo programa, sendo destinados ao coprocessamento seguro. Também foram coletados cerca de 270 kg de embalagens, encaminhados para reciclagem (metálicas, plásticas e barricas de papelão)”, descreve. Coleta especializada Cindy relata que a operadora logística Gasa Ambiental recolhe os resíduos e os envia para centrais de triagem: as sobras de produto passam por coprocessamento em fornos de cimento para virar energia limpa, enquanto as embalagens plásticas, metálicas e de papelão retornam para a indústria recicladora via programas como Prolata, Descarta Aí e Mãos pro Futuro. “Com essa estrutura, garante-se que todo o material recolhido pelo programa seja destinado à reciclagem ou ao coprocessamento, o que reduz o volume enviado a aterros e diminui a necessidade de extração de novas matérias-primas do meio ambiente, economizando energia, água e reduzindo emissões associadas ao ciclo produtivo”. De acordo com a gerente de sustentabilidade da Abrafati, o custo de coleta, transporte e destinação é integralmente coberto pelos apoiadores do programa (fabricantes de tintas e lojistas parceiros) sem ônus para o consumidor. “Esse modelo, alinhado ao princípio da responsabilidade compartilhada previsto na Política Nacional de Resíduos Sólidos, é o que permite ao RetornaTinta oferecer o descarte de forma gratuita e acessível nos Pontos de Entrega Voluntária”, finaliza Cindy. Modelo de Ponto de Entrega: 3,2 mil litros de tinta já foram coletados (Divulgação) Especialistas destacam importância da logística reversa Especialista em gestão ambiental e sustentabilidade e analista corporativo de mudança climática, Maycon Alves destaca a importância de logística reversa, com o processo de coleta, transporte e retornada de produtos, embalagens ou materiais desde o ponto de consumo. “Trata-se de um instrumento importante previsto na política nacional de resíduos sólidos e demais legislações aplicáveis”, explica. Entre os benefícios, estão a minimização da necessidade por recursos naturais devido ao reaproveitamento dos materiais já produzidos; mitigação do descarte incorreto, pois, muitas vezes, latas de tintas são descartadas em terrenos baldios ou área de mata o que pode causar a contaminação do solo e água, além de impactos na biodiversidade; e a redução de custos das empresas que realizam, por evitarem a aquisição de embalagens novas, necessitando apenas uma adequação. Já o especialista em meio ambiente, Francisco Carvalho, destaca o processo de devolução das tintas, sobras de produtos e embalagens utilizadas como uma importante medida de gestão ambiental eficiente. “Mais do que evitar que esses materiais sejam descartados de maneira inadequada, a iniciativa contribui para reduzir riscos de contaminação do solo, da água e do ar, além de favorecer a destinação ambientalmente adequada dos resíduos”, aponta. Ele lembra que, embora as tintas façam parte do cotidiano de obras, residências, empresas e estabelecimentos comerciais, determinados produtos e resíduos provenientes da atividade de pintura podem conter solventes, pigmentos, aditivos e outras substâncias químicas, exigindo cuidados específicos durante o armazenamento, transporte e destinação.