<p class="p-smartimagebox"><img attr-cid="policy:1.535849" attr-version="policy:1.535849:1793957087" class="p-smartimage" src="/image/policy:1.535849/Restaurante-Escola Estação Bistrô.png?f=3x2&w=400&q=0.3" /><br /> <span class="p-smartcaption">No Restaurante-Escola Estação Bistrô, no Valongo, alunos preparam croquete com sobras de carnes (Alexsander Ferraz/AT)</span></p> <p class="first-token" data-path-to-node="0" style="--animation-duration: 600ms;"><span>Cascas,</span> talos, folhas, partes de pescados e até sobras de refeições podem ganhar uma nova utilidade na cozinha, em vez de terminar no lixo. Além de representar economia a famílias e empresas, o reaproveitamento de alimentos contribui para a preservação ambiental e o combate à fome. Na Baixada Santista, iniciativas mostram que pequenas mudanças nos hábitos de consumo fazem a diferença.</p> <p data-path-to-node="1"><a href="https://www.whatsapp.com/channel/0029Va9JSFuGehEFvhalgZ1n">Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp!</a></p> <p data-path-to-node="1">Um exemplo é o Restaurante-Escola Estação Bistrô, desde 2012 na Estação do Valongo, em <a href="https://www.atribuna.com.br/cidades/santos">Santos</a>. Fruto de uma parceria entre a UniSantos e a Prefeitura, alia gastronomia, formação profissional e práticas sustentáveis.</p> <p data-path-to-node="2">Segundo a nutricionista Nicole Santiago Nunes e o coordenador Anderson Santana Souza, a redução do desperdício começa no planejamento das compras, no controle do estoque e na definição das porções. Talos, folhas e cascas comestíveis são utilizados em caldos, refogados e recheios, enquanto aparas de carnes podem virar molhos e croquetes.</p> <p data-path-to-node="3">O restaurante também adota o sistema Primeiro que Vence, Primeiro que Sai (PVPS), priorizando produtos com validade mais próxima. As práticas fazem parte da formação dos alunos em situação de vulnerabilidade social atendidos pelo projeto.</p> <p data-path-to-node="4"><b data-index-in-node="0" data-path-to-node="4">Do mar para a mesa</b> O chef Dario Costa também aposta no aproveitamento integral dos pescados nos restaurantes Madê e Paru, em Santos. A proposta valoriza espécies pouco conhecidas, como sororoca, xaréu, olhete e guaivira, além de partes normalmente descartadas.</p> <p data-path-to-node="5">Cabeças e espinhas são utilizadas em caldos e óleos, enquanto escamas podem virar gelatina. No Paru, instalado no Mercado de Peixes, uma pipoquinha de camarão aproveita a carne localizada entre a cabeça e a carcaça do crustáceo. As carcaças são secas e transformadas em sal para finalizar o petisco. “Se o peixe foi retirado do mar, precisamos encontrar uma maneira de aproveitá-lo e valorizar o trabalho dos pescadores”, afirma Dario.</p> <p data-path-to-node="6">Segundo ele, a prática permite extrair mais valor dos ingredientes e reduzir resíduos, embora os estabelecimentos não tenham levantamento sobre a economia gerada.</p> <p class="p-smartimagebox"><img attr-cid="policy:1.535850" attr-version="policy:1.535850:1793957144" class="p-smartimage" src="/image/policy:1.535850/WhatsApp Image 2026-11-06 at 06.25.28.jpeg?f=3x2&w=400&q=0.3" /><br /> <span class="p-smartcaption">Em Santos, Madê aposta no aproveitamento integral dos pescados (Fernando Yokota/Divulgação)</span></p> <p data-path-to-node="7"><b data-index-in-node="0" data-path-to-node="7">Combate à fome</b><br /> Na Baixada Santista, o programa Sesc Mesa Brasil recolhe alimentos que perderam valor comercial, mas continuam próprios para consumo, e os destina a instituições sociais.</p> <p data-path-to-node="8">Segundo Ariane Feltrin Pasuld, nutricionista, bióloga e coordenadora do programa em Santos, são arrecadadas e distribuídas, em média, 38 toneladas de alimentos mensalmente, beneficiando 60 instituições e 13 mil pessoas.</p> <p data-path-to-node="9">O trabalho atende Santos, São Vicente, Praia Grande, Bertioga, Guarujá e Cubatão. Além da distribuição, promove ações educativas sobre alimentação saudável, aproveitamento integral dos ingredientes e preservação ambiental.</p> <p data-path-to-node="10"><b data-index-in-node="0" data-path-to-node="10">Impactos</b><br /> Para Karina Amêndola, pesquisadora que desenvolveu uma tese de doutorado sobre gestão sustentável de resíduos orgânicos em unidades de alimentação, o desperdício provoca consequências que vão além do descarte de comida.</p> <p data-path-to-node="11">“Muito se fala no Brasil da reciclagem de plástico, papel, vidro, lata, alumínio, eletrônicos, etc. Mas o maior volume de resíduo no Brasil é o resíduo orgânico”, analisa.</p> <p data-path-to-node="12">Segundo a especialista, o acúmulo desses materiais nos aterros contribui para a emissão de gases de efeito estufa, reduz a vida útil dos espaços e pode provocar problemas associados ao chorume. Uma alternativa é a compostagem, que transforma resíduos orgânicos adequados em adubo.</p> <p data-path-to-node="13">Karina destaca que o desperdício também representa perda de água, energia e dinheiro empregados na produção dos alimentos. Na pesquisa, ela identificou a falta de indicadores de descarte em unidades de alimentação. Segundo Karina, as perdas ocorrem no preparo, nas sobras da produção e nos pratos dos consumidores.</p> <p data-path-to-node="14">A recomendação para restaurantes é monitorar os resíduos e ajustar compras, porções e produção à demanda real. “Uma vez que você não desperdiça, você vai produzir aquilo que você vai de fato vender”, resume.</p> <p data-path-to-node="15">A especialista relaciona essas medidas ao conceito ESG e ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 12, voltado ao consumo e à produção responsáveis. Para ela, o combate ao desperdício também envolve responsabilidade social. “A gente tem um compromisso moral de não jogar comida fora quando muitas pessoas no Brasil passam fome”, destaca.</p> <p class="first-token" data-path-to-node="0"><b data-index-in-node="0" data-path-to-node="0">FAÇA EM CASA</b></p> <ul data-path-to-node="1"> <li> <p data-path-to-node="1,0,0"><b data-index-in-node="0" data-path-to-node="1,0,0">Planeje as compras:</b> confira a geladeira e a despensa antes de ir ao supermercado.</p> </li> <li> <p data-path-to-node="1,1,0"><b data-index-in-node="0" data-path-to-node="1,1,0">Aproveite os ingredientes:</b> talos, folhas e cascas comestíveis podem virar farofas, caldos e outras receitas.</p> </li> <li> <p data-path-to-node="1,2,0"><b data-index-in-node="0" data-path-to-node="1,2,0">Experimente outros peixes:</b> espécies menos conhecidas e preparações com o pescado inteiro podem ampliar o aproveitamento.</p> </li> <li> <p data-path-to-node="1,3,0"><b data-index-in-node="0" data-path-to-node="1,3,0">Organize a geladeira:</b> utilize primeiro os produtos com vencimento mais próximo.</p> </li> <li> <p data-path-to-node="1,4,0"><b data-index-in-node="0" data-path-to-node="1,4,0">Congele as sobras:</b> armazene corretamente as preparações para consumir depois.</p> </li> <li> <p data-path-to-node="1,5,0"><b data-index-in-node="0" data-path-to-node="1,5,0">Prepare porções adequadas:</b> cozinhe conforme o número de pessoas.</p> </li> <li> <p data-path-to-node="1,6,0"><b data-index-in-node="0" data-path-to-node="1,6,0">Cuide da conservação:</b> nunca reaproveite alimentos deteriorados ou armazenados inadequadamente.</p> </li> </ul>