(Adobe Stock) É possível adotar em casa práticas ESG — em português, ambiental, social e governança. Ou, como prefere o professor e consultor Gustavo Loiola, práticas de sustentabilidade. Independentemente do termo utilizado, a discussão começa na própria pessoa. “É a gente olhar para as nossas próprias atitudes e hábitos relacionados às questões ambientais e sociais, que tem muito a ver tanto com a forma com a qual a gente lida com os recursos naturais quanto com as pessoas”, afirma. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! No quesito ambiental, observa a professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcela Argollo, a adoção de meios de transporte sustentáveis, como bicicletas e transporte público, e o incentivo à carona solidária entre amigos e familiares ajudam a reduzir a pegada de carbono e o número de veículos nas ruas. “Dentro de casa, a eficiência energética é fundamental. A troca de lâmpadas convencionais por LED, a desconexão de aparelhos em modo standby e a instalação de painéis solares são ações que contribuem para a redução do consumo de energia. Essas medidas não apenas diminuem as contas de luz, mas também ajudam a mitigar as emissões de carbono”, afirma. Reciclagem e compostagem são práticas essenciais para a gestão de resíduos. Marcela recomenda a separação do lixo reciclável e orgânico e a busca de produtos com embalagens reduzidas ou que sejam 100% recicláveis ou retornáveis. “Além disso, medidas simples como a instalação de chuveiros de baixo fluxo e torneiras com arejadores, bem como a coleta de água da chuva para irrigação, podem resultar em significativa economia de água. Lembre-se também de que muitos aparelhos consomem energia mesmo quando estão desligados. O uso de réguas com interruptores pode facilitar a desconexão de diversos dispositivos”, lembra. No que diz respeito à moda, priorizar roupas de design atemporal e alta qualidade, em vez de seguir tendências passageiras, incentiva um consumo mais consciente. “Apoiar marcas que produzem localmente não apenas reduz a pegada de carbono associada ao transporte, mas também favorece melhores condições de trabalho. Algumas empresas já estão adotando tecnologias que minimizam o uso de água e energia durante a produção, como métodos de tingimento que utilizam menos recursos e produtos químicos”, justifica. E tem mais... SOCIAL - A escolha consciente de produtos de empresas que praticam comércio justo é crucial. Essas empresas respeitam os direitos dos trabalhadores e têm um impacto social positivo. Apoiar o comércio local e produtos orgânicos também é uma forma de contribuir para a sustentabilidade da economia regional; - Envolver-se em iniciativas locais, como mutirões de limpeza em parques ou hortas comunitárias, é uma excelente maneira de promover a sustentabilidade e o bem-estar social. Além disso, compartilhar informações sobre práticas sustentáveis com crianças e familiares ajuda a criar uma cultura de responsabilidade ambiental desde cedo. GOVERNANÇA - Ao adquirir produtos ou serviços, é importante pesquisar sobre as empresas envolvidas, suas práticas éticas e seu compromisso com a sustentabilidade. Prefira aquelas que demonstram transparência e responsabilidade social em suas operações; - Engajamento político também é fundamental. Votando em candidatos que priorizam políticas de sustentabilidade e proteção ambiental, você ajuda a promover mudanças significativas. Em casa, crie um conjunto de regras ou práticas que priorizem a sustentabilidade, como limitar o uso de plástico, promover produtos ecológicos e incentivar a redução do consumo. Painéis solares, uma alternativa limpa de energia Os painéis de energia renovável, especialmente os solares fotovoltaicos, são uma das soluções mais eficazes para promover a sustentabilidade em casa, sugere a professora da FGV, Marcela Argollo. O equipamento transforma a luz solar em eletricidade, oferecendo uma alternativa limpa e renovável aos combustíveis fósseis. Compostos por células fotovoltaicas, esses painéis capturam a luz solar e a convertem em energia elétrica. Quando a luz incide sobre as células, os elétrons são excitados, gerando uma corrente elétrica. Essa eletricidade pode atender às necessidades energéticas da residência, reduzindo a dependência da rede elétrica convencional. “A combinação de painéis solares com baterias permite armazenar energia para uso durante a noite ou em dias nublados, aumentando ainda mais a autossuficiência. A instalação de painéis solares pode resultar em uma redução significativa na conta de energia elétrica; em muitos casos, é possível gerar mais eletricidade do que se consome, permitindo a venda do excedente para a rede elétrica”, explica Marcela. Além disso, lembra a professora, casas equipadas com sistemas assim tendem a ter valor de mercado mais alto, tornando-se um investimento atraente. A instalação dessa tecnologia pode ser realizada em telhados, superfícies planas ou em estruturas independentes no quintal, e deve ser feita por profissionais. É de pequeno que se aprende em casa Ensinar crianças sobre a importância da sustentabilidade desde cedo pode formar uma geração mais consciente, reflete a professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcela Argollo. E isso começa em casa, acrescenta o professor e consultor em ESG, Gustavo Loiola. “Em relação às crianças, educa-se pelo exemplo. Muitas vezes, as famílias esperam muito da escola para falar sobre essa discussão ambiental e social, mas esquecem que, na verdade, o maior exemplo é sempre em casa. Então, essas práticas de cuidado com o meio ambiente e com o próximo é o que acabam guiando as crianças e servindo de aprendizado para serem pessoas melhores, mais comprometidas e mais preocupadas com o futuro”, completa. Atividades como reciclagem, jardinagem e economia de água podem ser transformadas em jogos educativos divertidos. “Cultivar um jardim com plantas nativas e resistentes à seca não só ajuda a conservar água, mas também proporciona habitats para a fauna local, melhora a qualidade do ar e reduz a temperatura ao redor da casa. Além disso, essa é uma atividade divertida para ser realizada em conjunto com as crianças”, exemplifica a professora da FGV. Reduzir o consumo excessivo e priorizar a compra de produtos duráveis e de qualidade pode diminuir a quantidade de resíduos gerados e promover um estilo de vida mais consciente, sugere Marcela. “Estabeleça um conjunto de normas familiares que incentivem a economia de recursos, como ‘não usar copos e canudos plásticos descartáveis’; priorize o uso de canudos e copos de papel ou alumínio reutilizáveis ou o simples ato de ‘desligar as luzes ao sair de um cômodo’”, lista. Unir vizinhos também faz parte do processo Pensar coletivamente vale também quando o assunto é unir os vizinhos na adoção de práticas ESG, lembra o professor e consultor Gustavo Loiola. “É importante pensar que o ambiente onde a gente vive é sempre uma comunidade, não só com as pessoas que convivem junto com a gente em casa, mas também com todo mundo que está no entorno, seja em um condomínio ou em um bairro de casas. Então ‘não adianta’ só eu separar meu lixo se meu vizinho não separa também. Faz parte do viver em sociedade, neste caso entre vizinhos, criar esse processo de construir um futuro comum e cuidar de onde vivemos”, afirma. A professora da FGV, Marcela Argollo, sugere a separação de materiais recicláveis, como papel, plástico, metal e vidro, e que se organize um ponto de coleta na vizinhança. “Além disso, crie uma composteira em casa para resíduos orgânicos, como restos de frutas e verduras. Essa prática não apenas diminui a quantidade de lixo destinado aos aterros, mas também gera adubo natural, que pode ser utilizado na horta comunitária do bairro”, completa. As hortas comunitárias, observa Marcela, exemplificam a aplicação dos princípios de ESG em iniciativas locais. “Elas promovem práticas agrícolas sustentáveis e criam um espaço social inclusivo, fortalecendo a comunidade e incentivando a transparência e a colaboração. Ao apoiar projetos como esses, cada membro da comunidade pode desempenhar um papel importante na construção de um futuro mais sustentável e socialmente responsável”, explica.