(Adobe Stock) O olhar das empresas para o seu papel social com iniciativas dentro dos preceitos ESG – em inglês, environmental, social and governance, que significam ambiental, social e governança – é uma forma de diálogo não só com os colaboradores, mas também com as comunidades onde suas unidades estão instaladas. Com isso, vem a geração de resultados positivos e a criação de novas oportunidades. “Isso pode ser realizado por meio de estratégias abrangentes, como o desenvolvimento de programas de capacitação profissional e empregabilidade para os residentes locais, parcerias estratégicas com fornecedores da região, investimentos em infraestrutura comunitária e serviços essenciais, além da implementação de programas de responsabilidade social corporativa personalizados para atender às demandas específicas das comunidades”, sugere a professora da FGV, Marcela Argollo. O engajamento ativo e inclusivo das comunidades, juntamente com um diálogo contínuo e transparente, desempenha um papel fundamental na construção de relações sustentáveis e mutuamente benéficas, observa Marcela. “Ao unir esforços nesses aspectos, as empresas podem promover um ambiente de negócios ético, socialmente responsável e economicamente próspero, impulsionando o desenvolvimento sustentável e inclusivo nas áreas em que estão inseridas”, afirma. Qualificação Presidente da Fundação Iochpe e do Programa Formare, que fornece qualificação profissional para jovens, Claudio Anjos defende que esse processo comece justamente nas proximidades da empresa. “Qualificar jovens em situação de vulnerabilidade destas mesmas comunidades, por exemplo, é uma ótima opção para empresas que buscam ações efetivas e transformadoras”, ressalta. “Companhias sem propósito tendem a mergulhar no ostracismo e ficarem para trás”, emenda. Para endossar esse caráter social das práticas, Anjos cita os dados de uma recente pesquisa realizada pelo Plano CDE, entre outubro e novembro de 2023, a pedido da Fundação Iochpe, com 1.157 egressos do Formare. Setenta e seis por cento acreditam que a ação voluntária contribuiu muito para se sentirem um agente de mudança para uma sociedade mais justa. Para 63%, esse tipo de atividade ajudou na melhoria de suas competências organizacionais e a sentir mais orgulho da empresa em que trabalham. “E outros 62% informaram que melhoraram habilidades práticas relacionadas ao que se ensina no Formare. O mesmo levantamento revelou que 80% dos ex-alunos do Formare continuam empregados e, desse total, 94% ocupando vagas formais. Também apontou 90% dando continuidade aos estudos (71% estão cursando Ensino Superior ou pós-graduação e 19% fazem curso técnico). Um outro dado muito importante mostrou que, após seis anos de conclusão do Formare, a remuneração desse jovem cresceu 142%”, detalha o presidente. Divulgação das ações é fator primordial Além dos resultados propriamente ditos envolvendo a questão social, é importante que as empresas divulguem efetivamente o que está sendo realizado. E há várias formas para que isso aconteça, explica a professora da FGV, Marcela Argollo. “As empresas podem amplificar a divulgação de suas iniciativas sustentáveis e responsáveis através de relatórios de sustentabilidade detalhados, conquista de certificações no campo da sustentabilidade, participação ativa em eventos que fomentem a sustentabilidade e empresas conscientes, uso estratégico de canais de comunicação para compartilhar o posicionamento da empresa e suas ações, patrocínio a premiações e eventos com foco no desenvolvimento social e estabelecimento de parcerias estratégicas com organizações e colaborações que potencializem o impacto positivo social”, lista. Presidente da Fundação Iochpe e do Programa Formare, que fornece qualificação profissional para jovens, Claudio Anjos acrescenta que a política de comunicação das empresas tem que ser eficaz, contemplando tanto o público interno quanto o externo. “São diversas as ferramentas que podem auxiliá-las, como as redes sociais, por exemplo. Quando elas estabelecem essas conexões, fica muito mais fácil de transmitir as ações em andamento, realizadas e futuras. Integrar diferentes públicos torna a empresa mais atuante, reconhecida e preparada para novos desafios. No Formare, por exemplo, no momento da formatura, a empresa abre as suas portas para receber os jovens e suas famílias, fortalecendo a sua relevância para a comunidade”, exemplifica. Outro idioma Além de ensinar inglês e espanhol, o Yázigi está interessado em outro idioma: o da sustentabilidade, ponto que contribui muito para o aperfeiçoamento da questão social, dentro das práticas ESG. O símbolo disso é o programa Act to Impact, criado em 2017 e alinhado aos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas (ONU). Dentre as ações trabalhadas, estão campanhas para conscientização ambiental sobre os efeitos dos canudos de plástico na natureza, reciclagem correta de resíduos domésticos, diminuição da emissão de carbono, coleta de resíduos eletrônicos dos alunos e familiares e destinação adequada, além de pautas sociais, como a coleta de toneladas de alimentos para destinação a entidades responsáveis, e o cuidado da saúde emocional dos alunos na infância e adolescência, entre outras. Podem participar alunos, pais e funcionários. “Em 2023, na primeira fase, focamos na questão ambiental ao trabalhar a conscientização e destinação correta de resíduos eletrônicos. As escolas se tornaram pontos de coleta. No encerramento, no final do ano passado, foi recolhida 1,7 tonelada desses materiais, com 26 certificados de destinação ambiental emitidos pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Na segunda etapa, o objetivo foi o de conscientizar alunos, pais e professores sobre a importância do tema saúde emocional e como tornar as escolas ambientes emocionalmente seguros”, explica o gerente de marketing, Bruno Lima. <QA0> Para este ano, o Yázigi está preparando uma nova ação que terá início no segundo semestre. “Ela será desdobrada com as escolas focando na pauta ambiental e conscientização dos alunos, em uma parceria inédita com uma importante ONG do setor”, adianta Lima.