Mutirão Brasil aposta em mobilidade, finanças climáticas e inclusão (AdobeStock) A mobilidade urbana e a sustentabilidade conversam diretamente com a ideia de um mundo melhor. Pensando nisso, foi lançado o projeto Mutirão Brasil, iniciativa que apoia municípios na implementação de ações climáticas. Mais de 30 municípios receberão apoio técnico e financeiro para projetos. No Estado, as cidades de São Paulo e Campinas receberão apoio para “orçamento climático”. O programa foi lançado em novembro do ano passado, durante o Fórum de Líderes Locais da COP30. Cidades e estados serão apoiados até meados de 2027, em diversas frentes de atuação, que incluem Finanças Climáticas, Acesso a Dados Climáticos, Ação Climática Inclusiva e Diplomacia Climática. Para o especialista em transformação digital e inovação Alexandre Bürgel, a iniciativa é válida, desde que haja coordenação e planejamento. “Mas, se nós pensarmos no tamanho do País e na quantidade de cidades que, por obrigação, precisam de um plano de mobilidade urbana, não é suficiente. Temos que ter profissionais capacitados, secretários que conheçam o assunto. Precisamos de um plano e de projetos específicos para as cidades. Daí falamos de mobilidade urbana, lei de zoneamento e outros aspectos”, afirma. Ele entende que o papel do Governo Federal é importante nesse processo, mas ficar atrelado a ele é perigoso. “A vida acontece nas cidades. Tivemos, na Constituição de 1988, uma grande valorização das cidades, onde devem ser estabelecidos os planos. Acho que o papel do Estado, independentemente de partido ou viés de qualquer natureza, é estabelecer regras, projetos e planejamentos de médio e longo prazo. Precisamos definir onde queremos chegar e trabalhar para alcançar isso nos próximos anos”, pontua. Bürgel ressalta que, no caso de Santos e de outras cidades litorâneas, a topografia favorece o incentivo à mobilidade ativa, como bicicleta e caminhada. “É diferente de São Paulo, com muitas subidas e regiões que acabam impactando de forma diferente o planejamento. Por isso, não adianta trazer de Brasília um projeto engessado, se cada cidade tem a sua particularidade”. Mobilidade e inclusão O Mutirão Brasil conta com apoio institucional dos ministérios do Meio Ambiente e das Cidades, buscando integrar políticas públicas e potencializar sinergias entre programas federais voltados ao desenvolvimento urbano sustentável. Ao todo, o programa recebeu 149 propostas de cidades brasileiras, incluindo iniciativas do Banco de Projetos do Programa Cidades Verdes Resilientes (PCVR). “A mobilidade urbana sempre foi relegada a segundo plano, como se fosse papel das cidades apenas disponibilizar, por força de lei, o transporte para deslocar pessoas do ponto A ao ponto B. Mas é muito mais do que isso. Um horizonte de 20 anos é positivo e supera, por exemplo, a vida útil de um ônibus. Na maioria das cidades brasileiras, haveria tempo para renovar a frota. Mas não pode parar por aí”. O especialista insiste na importância da inclusão como pilar da mobilidade. “Temos a tarifa social, a busca de uma tarifa mais equilibrada ou, quando aplicável, a tarifa zero. Mas é possível buscar uma redução significativa de custos, dependendo da estruturação do projeto e da gestão, com o uso de tecnologias inclusivas e voltadas à redução de emissões. É aí que entram as questões ambientais, o ESG e a responsabilidade socioambiental”.