Primeiro fórum deste ano da Agenda ESG reuniu especialistas e representantes do setor empresarial, com foco nos compromissos de 2030 (Alexsander Ferraz/AT) A realidade das mudanças climáticas se impõe às empresas, que já desenvolvem iniciativas para enfrentá-las. Anunciadas há algumas décadas, as mudanças climáticas já fazem parte do cotidiano de todos e exigem medidas que mitiguem seus efeitos para que não haja um colapso total em um prazo bem mais curto do que o previsto. Trata-se de uma realidade que equivale a trocar as rodas de um carro em movimento e que reflete o tamanho do desafio que deve ser enfrentado pelas empresas, principalmente no que tange à transição para fontes limpas de energia. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Essa foi uma das principais questões abordadas durante o primeiro encontro da terceira edição da Agenda ESG do Grupo Tribuna, realizado na última terça-feira, em Santos, reunindo especialistas e representantes do setor empresarial no Auditório do Grupo. O evento foi aberto por uma palestra da velejadora, ambientalista e escritora Heloisa Schurmann (leia mais nesta reportagem). Com o tema Rumo à Agenda 2030, o debate apresentou os compromissos e os desafios que devem ser contemplados para que o ambicioso, mas necessário objetivo desse plano de ação global possa ser alcançado, a saber: erradicar a pobreza e promover vida digna a todos de acordo com as condições que o planeta oferece e sem comprometer a qualidade de vida das próximas gerações. Para atingi-lo, foram traçados 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável<CW-2> (ODS), 169 metas e quase 300 indicadores, que ajudam a nortear as práticas relacionadas ao ESG, a abreviatura que vem do inglês Environmental, Social e Governance (Ambiental, Social e Governança) e se consolida como um instrumento importante para as empresas estabelecerem suas políticas de forma não só a trazer resultados, mas também garantir que o ambiente em que está inserida também seja beneficiado. Santos Brasil foca em descarbonizar operações até 2040 Uma das ODS, a de número 13, estimula o combate às mudanças climáticas, alterações que têm nos combustíveis fósseis seu grande gerador. A Santos Brasil está alinhada a ele e já tem um plano de transição climática que prevê a descarbonização das suas operações até 2040. “A sustentabilidade está no DNA da empresa desde 2013”, explicou a gerente executiva de Comunicação Corporativa e Sustentabilidade, Béatrice de Toledo Dupuy, uma das participantes do debate. Naquele ano, a empresa se tornou signatária do Pacto Global da ONU, que tem diretrizes contempladas na Agenda 2030. “A primeira providência para a descarbonização é o inventário das nossas emissões para que possamos reduzi-las e, finalmente, eliminá-las”, disse. “A segunda é preparar o cais para receber, no futuro, navios elétricos e a terceira, uma grande batalha, é melhorarmos nossa eficiência energética”. Cadeia de fornecedores Além disso, de acordo com Béatrice, a Santos Brasil, que já compensa 100% das suas emissões de gases de efeito estufa, também se responsabiliza por trabalhar junto com clientes e fornecedores a fim de recomendar boas práticas para ajudar em seu plano de transição climática. Nesse sentido, a empresa criou recentemente o programa LCL Carbon Neutral, atestando que os serviços prestados para as cargas LCL (Less than Container Load), do transporte rodoviário à movimentação e armazenagem das cargas, são compensados, reduzindo a pegada de carbono de suas operações. Ecovias: desafios internos e externos “Do ponto de vista dos desafios de como atender a Agenda 2030, temos como um deles aquele enfrentado dentro de casa e o outro, a transição energética”, colocou o gerente de Sustentabilidade da EcoRodovias, Moisés Basilio, também presente ao primeiro encontro deste ano da Agenda ESG. O primeiro desafio pode ser exemplificado por um dos recursos da empresa, o asfalto, insumo derivado do petróleo. “Estamos vivendo em um mundo de transformação em que nosso dia a dia é trabalhar soluções e a inovação entra como uma linha transversal do sucesso do nosso negócio para superar desafios como esse”, afirmou. Já em relação à transição energética, Moisés explicou que para ser considerada sustentável, uma empresa do setor de concessão de rodovias deve seguir um protocolo específico que garanta a mobilidade de qualquer pessoa que use a malha. Ele cita como exemplo desse desafio os usuários com veículos elétricos, que dependem de postos com carregadores elétricos de alta capacidade, o que ainda não é uma realidade no país. Elétricos No Brasil, há 50 mil postos de combustíveis e quase quatro mil postos de recarga elétrica, segundo o gerente de Comunicação da Toyota com atuação na área ESG, Otacílio do Nascimento, também presente ao encontro. Além de serem poucos, esses postos ainda têm um prazo demorado de recarga, que leva de 1h30 a três horas, o que pode comprometer o tempo de viagem do motorista. A Toyota já trabalha na direção de minimizar os impactos negativos do carbono ao ser pioneira em carros híbridos no mundo, a exemplo daqueles que combinam motor a combustão com motores elétricos. Neles, a bateria é recarregada nas desacelerações do veículo ou na utilização do motor a combustão. “A Toyota oferece todas essas tecnologias, mas também tem a responsabilidade muito grande de como democratizá-las”. Para Otacílio, o inimigo comum de todos é o carbono e o desafio que se impõe, não só na questão dos automóveis, é como mitigar impactos nas operações da empresa, nas fábricas, nas concessionárias e junto aos fornecedores, entre outros. “Já temos bons cases relacionados à economia circular e à reciclagem, como iniciativas para reutilizar plásticos no forro do carro, resíduos de parachoque para produção de óculos para crianças e resíduos da produção de motores para próteses de perna e pé”.