Realizado em março em SP, Lollapalooza promoveu economia circular (Leandro Chemalle/ TheNews2/ Estadão Conteúdo) O evento Todo Mundo no Rio, conduzido por Lady Gaga na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, em maio do ano passado, teve um impacto econômico de R\$ 600 milhões, com um público de 2,5 milhões de pessoas. Os números superlativos acompanham um desafio gigante do setor: equilibrar seu gigantismo com a preocupação sustentável. O engajamento de vários artistas abre caminho para que isso vá além de discurso. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! É o caso da colombiana Shakira, que será a estrela da edição deste ano, no próximo dia 2. Sua fundação Pies Descalzos, iniciativa voltada à promoção de educação pública de qualidade para crianças e adolescentes na Colômbia em 1997, já colhe frutos - tanto que, desde 2003, ela é embaixadora da Boa Vontade da Unicef. “Há tantas crianças crescendo abandonadas sem ter a chance de um começo justo. Não é caridade: é investimento humano”, disse a cantora, à rede de TV CBS, em 2014. O grupo britânico Coldplay também virou sinônimo de sustentabilidade. A Music of the Spheres World Tour, que durou de março de 2022 a setembro de 2025, reduziu em 59% as emissões de carbono em comparação à anterior. As ações incluem palcos de materiais recicláveis, energia solar/cinética (piso e bicicletas), redução de plástico e plantio de árvores. Além disso, as pulseiras de led entregues ao público foram feitas de materiais 100% compostáveis à base de plantas e plástico reciclado. Festivais As grandes promotoras de shows têm investido nesse olhar sustentável e inclusivo. Um exemplo é o Lollapalooza Brasil, realizado em março, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. O cuidado com a energia limpa permitiu o uso de postes solares com luminárias led, reduzindo a pegada de carbono. O festival também promoveu ações de economia circular e conscientização ambiental, muitas vezes com estandes de ONGs como o Greenpeace – iniciativas como o Rock & Recycle incentivam o público a descartar corretamente seus resíduos em troca de brindes e recompensas simbólicas. Uma inovação foi a criação de um espaço com isolamento acústico e acompanhamento profissional, destinado a pessoas neurodivergentes (como autistas) que precisaram de regulação durante o festival. O Rock in Rio, que terá mais uma edição em setembro, também aposta em sustentabilidade. Foram instituídas algumas metas a serem atingidas até 2030, como capacitar 100 mil pessoas; ser lixo zero em todas as edições; zerar o desperdício alimentar; envolver 100% dos stakeholders na sua política de sustentabilidade; e ser um evento 100% acessível. “Sustentabilidade é uma forma de estar no mundo, com a certeza de que tudo que fazemos impacta quem está ao nosso redor. Com esse olhar buscamos sempre aprender como fazer melhor para nós e para o todo. Isso só funciona se todos estiverem diariamente comprometidos com este olhar como ponto de partida para que, a cada escolha pessoal e profissional, estejamos construindo um mundo mais harmônico a todos”, afirma, no relatório de sustentabilidade do Rock In Rio, a diretora de reputação de marca, Roberta Medina. Boas práticas Ícone do cenário trip-hop, o trio inglês Massive Attack desenvolveu o Act 1.5, um guia de boas práticas para a realização de shows sustentáveis que orienta a turnê da banda, incluindo a apresentação única em São Paulo no ano passado.