(Vanessa Rodrigues/Arquivo AT) A mobilização dos colaboradores em torno das práticas ESG — em português, ambiental, social e governança — passa pela compreensão deles a respeito do impacto não apenas no contexto empresarial, mas também nas vidas e no mundo ao redor. É o que afirma o engenheiro e professor universitário Ivan Lima, também CEO da IRL Consult e presidente do Lide Equidade Racial. Por isso, a chave do sucesso está no envolvimento ativo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “O engajamento só ganha força quando os colaboradores são incentivados a participar ativamente das iniciativas ESG. Um caminho muito eficaz é criar programas de voluntariado, como plantio de árvores, mentoria para jovens de comunidades vulneráveis, ou mesmo projetos internos para reduzir o uso de plástico ou otimizar o consumo de energia”, sugere. Presidente da Comissão de Compliance da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em São Paulo, Flávia Filhorini Lepique ressalta que dar espaço para os colaboradores sugerirem e liderarem suas próprias iniciativas sustentáveis pode ser um poderoso estímulo ao envolvimento. “Isso pode incluir a criação de comitês de sustentabilidade, embaixadores em diferentes áreas da empresa ou até mesmo concursos internos de ideias sobre como melhorar as práticas ambientais e sociais”, exemplifica. A criação de metas coletivas desafiadoras, mas alcançáveis, também podem envolver todos, conforme Lima. “Um exemplo prático seria um desafio interdepartamental para reduzir a pegada de carbono da empresa em um determinado período. A competição saudável, aliada a recompensas simbólicas e ao reconhecimento público, ajuda a manter o time motivado.” Dentro dessa linha, acompanhar as iniciativas de ESG e dar retorno regular são elementos cruciais para manter o comprometimento, na visão de Flávia. “Ao mostrar o progresso e os resultados tangíveis alcançados pela empresa, os colaboradores se sentirão mais incentivados a continuar se engajando.” Cereja do bolo A presidente da Comissão de Compliance da OAB em São Paulo atribui o processo a uma soma de fatores: educação, liderança, comunicação, treinamento e feedback (retorno). Mas ela observa que há uma cereja nesse bolo: inserir o assunto na vida cotidiana da empresa. “É o ‘falar sobre’ e de uma forma acessível. Ou seja, é mostrar o que pode efetivamente contribuir para a melhora na vida de cada um por meio das práticas ESG. Esse diálogo por meio de várias ações é o que internalizará, é o que virará a chave para essa mudança cultural, que é uma construção, dia após dia”, afirma. Empresas devem mostrar impacto real Um dos maiores desafios para o sucesso das práticas ESG nas empresas é a descrença de que essas ações gerem impactos reais, afirma o engenheiro e professor universitário Ivan Lima. “Muitos colaboradores podem enxergar essas iniciativas como mais uma moda corporativa passageira ou se sentirem distantes do propósito, acreditando que seu esforço individual não fará a diferença”, lembra. Para superar essa barreira, é essencial mostrar resultados, segundo Lima. “Compartilhar cases (experiências) de sucesso, tanto internos quanto externos, demonstra que o que está sendo feito tem, sim, um impacto real. Além disso, criar uma cultura de feedback constante, onde as conquistas individuais e coletivas são reconhecidas e celebradas, ajuda a construir uma percepção positiva e reforça a importância dessas ações”, explica. A linguagem acessível também importa, ressalta a presidente da Comissão de Compliance da OAB em São Paulo, Flávia Filhorini Lepique. “As metas ESG devem ser explicadas de forma objetiva, com exemplos práticos e adaptadas à realidade de cada setor ou função na organização.” Ela cita a resistência à mudança como obstáculo. “A resistência à mudança é um comportamento comum quando os novos processos não são bem integrados ou claramente justificados. Por tal razão, é importante envolver gradualmente os colaboradores, mostrando os benefícios de médio e longo prazos dessas mudanças, tanto para a empresa quanto para os próprios trabalhadores, oferecendo suporte e capacitação.” Flávia também lembra como problema a desconexão entre ESG e resultados de negócio. “Muitos colaboradores podem não ver o impacto direto das práticas ESG nos resultados financeiros ou no desempenho geral da empresa. Essa falta de conexão entre ESG e os resultados tangíveis do negócio pode criar a sensação de que essas práticas são apenas mais um custo”. Líderes Os chefes — ou os líderes — têm um papel fundamental na mobilização dos colaboradores em torno das práticas ESG. A postura e as ações influenciam diretamente o engajamento, a motivação e a credibilidade das iniciativas sustentáveis e sociais dentro da organização, observa a presidente da Comissão de Compliance da OAB em São Paulo, Flávia Filhorini Lepique. Ela cita oito pontos: Ser exemplo e inspiração Os chefes precisam liderar pelo exemplo, demonstrar pessoalmente o comprometimento com as práticas ESG, incorporando essas ações no seu próprio comportamento. Assim, a mensagem ganha força e credibilidade. Criar um ambiente de colaboração e participação Os chefes devem promover um ambiente de colaboração, onde os colaboradores sintam que suas ideias<QA0> e ações são valorizadas, envolvendo a equipe no processo de decisão e execução. Fornecer capacitação e recursos Os líderes têm de garantir que os colaboradores estejam capacitados e preparados para adotar práticas ESG. Isso significa fornecer recursos e treinamentos para que os funcionários compreendam e apliquem práticas no dia a dia. Reconhecer e incentivar o comprometimento Os chefes devem reconhecer os esforços dos colaboradores que se dedicam às práticas ESG. Isso pode ser feito de forma formal, por meio de premiações e incentivos, e informal, como elogios públicos ou retornos positivos. Gerenciar resistências e promover a mudança de mentalidade É um dos grandes desafios na implementação das práticas ESG, e os chefes precisam ser agentes dessa mudança. Isso envolve lidar com a resistência à mudança de maneira empática, mostrando aos colaboradores como essas práticas são uma oportunidade de fazer parte de algo maior. Ter paciência e empatia Isto vale ao lidar com colaboradores que se mostram céticos ou resistentes, explicando os benefícios de longo prazo para a empresa e para eles próprios. Promover a mudança de cultura de forma gradual Para tanto, se devem mostrar exemplos concretos de como as práticas ESG trazem benefícios reais. Integrar ESG com os objetivos de negócio Para que os colaboradores levem as práticas ESG a sério, os chefes precisam integrá-las aos objetivos de negócio. Eles devem mostrar como a sustentabilidade e a responsabilidade social são essenciais para o sucesso e a estratégia de crescimento da empresa.