[[legacy_image_211793]] Desenvolvimento ambiental, social e de governança: conceitos que não são novos, mas que foram agregados numa mesma sigla: ESG. A aplicação das boas práticas une segmentos diferentes da economia, mas que compartilham de um mesmo sentimento: o mundo pede, o quanto antes, mais ações e menos promessas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O Grupo Tribuna abriu, na última terça-feira (27), uma série de três encontros batizada de Agenda ESG. Nele, especialistas e pessoas ligadas ao setor falaram sobre suas dores e experiências. O encontro teve mediação da gerente de Projetos e Relações Institucionais do Grupo, Arminda Augusto, e do professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e sócio da GO Associados, Gesner Oliveira. “É legal ver grandes empresas com disposição em amparar as menores na orientação sobre as práticas de ESG. Valorizar essa troca de experiências e levar em conta que deve ser dado um passo de cada vez. O recado é sobre uma política que é coletiva, que todos devem adotar”, afirma Arminda. Para Oliveira, a mensagem é de que é preciso escolher bem as ações a serem feitas. “É preciso mostrar para os investidores o que está sendo feito, e os benefícios também econômicos dessas práticas. Para cada ação, vou ter um fluxo de caixa, uma taxa interna de retorno. É o que permite mostrar ao acionista o valor agregado à companhia”, explica. Preocupação antiga Ricardo Assumpção, líder de ESG da EY Brasil na América Latina Sul (Brasil, Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai), lembra que a preocupação com as práticas de ESG não são novas, mas viviam separadas no ambiente corporativo. “De repente, parece que a pandemia acelerou esse processo como um todo. A grande diferença é que a gente trouxe isso para a estratégia das empresas, de forma transversal, participando de todos os departamentos. Quando você faz isso, consegue criar valor”. O gerente de sustentabilidade da EcoRodovias, Moisés Basílio, também destaca a importância dessa agenda no dia a dia das companhias. “Garantir a presença da temática ESG no planejamento estratégico das companhias, na nossa percepção, é o primeiro passo que precisa ser dado. Porque, se está na estratégia, precisa ser acompanhado. Então, a gente tem uma governança, uma sistemática gerencial, de visibilidade para esse tema”. Pelos negócios e eficiência A gerente de comunicação e sustentabilidade da Santos Brasil, Béatrice de Toledo Dupuy, reforça que a busca por fornecedores que atuem de forma sustentável não é opção, mas necessidade. “Nossos clientes têm um nível de cobrança ESG muito elevado. Se a gente não se adequar ao nível de alguns clientes sobre normas internacionais, não há negócio”, sintetiza. Ela ressalta, ainda, que as empresas devem abraçar as boas práticas de ESG levando em conta suas possibilidades, o que permite uma ação mais precisa. “Temos que deixar clara uma coisa: empresas não são ONGs. A gente tem que escolher nossas batalhas. É melhor fazer pouco e bem do que pegar tudo e fazer pela metade”, ensina. Pressa por ações é primordialAs corporações cresceram e ganharam muitas responsabilidades. E o ecossistema onde elas estão, mudam a forma, por exemplo, de como elas contratam, e trazem nova percepção sobre como vai evoluir para uma próxima geração, ao mesmo tempo em que se mede os impactos presentes, que são gigantescos. Para o líder de ESG da EY Brasil na América Latina Sul (Brasil, Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai), Ricardo Assumpção, a pressa por ações se justifica. Ele ilustra com um exemplo impactante. “Se a gente tivesse uma cota de recursos naturais (água, minério, madeira) que pudesse usar ao longo do ano, e que a Terra conseguisse repor para a gente de forma sustentável, essa cota anual normalmente acabaria no dia 25 ou 26 de julho. Pois estamos ‘rodando’ com a cota das próximas gerações. Isso não é uma conta sustentável”, argumenta. Para ele, as grandes corporações precisam ter em mente a geração de lucro, mas não deixar de pensar nos impactos das ações feitas. “O lucro de uma empresa dependerá do que ela causa às pessoas e ao meio ambiente”, sintetiza. “O Brasil tem um diferencial comparativo enorme: a maior floresta tropical, a maior biodiversidade do mundo. É algo que mostra que a gente precisa ser responsável nas nossas ações”, acrescenta Assumpção. Métricas O especialista lembra uma característica dos tempos atuais de práticas ESG: a busca pelo cumprimento de metas e avaliações, que podem agregar valor (econômico e conceitual) às empresas. Mas tal dedicação deve ser consistente, alinhado com a sociedade e de olho nas cadeias de valor. “Hoje, para as empresas, existe uma zona cinzenta: qual o risco que carrego na minha cadeia? Os fornecedores, que risco eles têm de ESG que não estamos olhando e que podem impactar em mim? Tem muita inovação perdida na cadeia de suprimentos, que pode ser trazida para a empresa. Vejo um desafio pela frente, estamos andando devagar, mas num caminho correto”, aponta.