(Divulgação) Um incidente de mergulho, ocorrido em 2018, em Ilhabela, no Litoral Norte de São Paulo, originou a criação da Tidalwatt, uma startup dedicada à inovação no campo da energia renovável, especificamente focada em aproveitar o poder das correntes oceânicas. No grupo estava Maurício Otaviano de Queiroz, que é físico, mergulhador, inventor da tecnologia, fundador e CEO da iniciativa, atualmente incubada no Parque Tecnológico de Santos. “Uma forte corrente marinha arrastou nosso grupo durante uma parada de descompressão. Este evento me deixou pensativo sobre o imenso potencial das correntes oceânicas para geração de energia, algo que parecia subutilizado na época”, relembra o paulistano, que veio morar em Praia Grande há quase 12 anos, em dezembro de 2013. A reflexão acompanhou Queiroz por meses até que, em uma madrugada de 2019, quando estava em casa, teve um estalo que o levou a esboçar o que viria a ser a base tecnológica da Tidalwatt. Com um protótipo inicial desenvolvido e testado com sucesso nas mesmas águas de Ilhabela, percebeu que estava diante de uma inovação com potencial de romper convicções. “O nome Tidalwatt nasceu, inicialmente, como um domínio de internet, escolhido para refletir a fusão das palavras tidal, relacionado às marés (vem do inglês), e watt, uma unidade de potência. Registrei o domínio para o que ainda era apenas um projeto mas, com a formalização e os passos seguintes, o nome do domínio foi naturalmente adotado como nome fantasia da empresa”, detalha. A nomenclatura não continha apenas o foco tecnológico, mas também servia perfeitamente para representar o projeto em sua transição para uma startup oficial, fundada em Praia Grande. “A missão era transformar a maneira como o mundo capta e utiliza a energia das correntes marítimas, unindo minha invenção puramente mecânica às tecnologias eletromagnéticas existentes para que o produto final se torne um ‘hidrogerador submerso’”, explica. Desenho da turbina está alinhado à proteção ambiental A tecnologia central da Tidalwatt, a Unidade Coletora de Energia de Corrente (UCEC), representa uma nova abordagem na captura de energia marinha, alinhada com o compromisso de sustentabilidade e eficiência energética, segundo Queiroz. “A inovação por trás da UCEC está na sua capacidade única de capturar não apenas as energia cinética das partículas de água que colidem diretamente com as pás da turbina, mas de todo o fluxo de corrente à montante. Isso é possível graças ao seu design geométrico inovador que interage com grandes volumes de água. Esse conceito garante uma captação contínua e renovável de energia, pois as forças de campo que movem as correntes marítimas são incessantes, repondo a energia extraída pela turbina quase instantaneamente”, afirma. Comparando com outras fontes de energia renovável, lembra o inventor da tecnologia, a energia das correntes oceânicas oferece vantagens significativas em termos de previsibilidade e constância. “Enquanto as fontes como solar e eólica dependem de condições meteorológicas variáveis, a energia do oceano é mais estável e previsível, proporcionando uma fonte de energia mais confiável e menos sujeita a interrupções”, argumenta. Queiroz garante que, além da geração de energia, a Tidalwatt está comprometida com a proteção ambiental. O design da UCEC assegura que a vida marinha não seja ameaçada pela operação das turbinas. “As pás da turbina, sem ângulo de ataque, permitem que a água e qualquer vida marinha que entre se movimentem juntas, reduzindo o risco de danos aos organismos marinhos. Espera-se que, com o tempo, as estruturas de ancoragem dos hidrogeradores facilitem a formação de recifes artificiais, proporcionando novos habitats e contribuindo para a biodiversidade marinha”, detalha. “Não somos apenas uma empresa de tecnologia, pois pensamos em soluções de energia renovável que visam não só atender às necessidades energéticas globais, mas também proteger e enriquecer o ambiente marinho”, finaliza. Processo de homologação para validação envolve experimentos práticos e análises detalhadas (Divulgação) Tecnologia em fase de testes já conquista interessados A Unidade Coletora de Energia de Corrente (UCEC) está em fase de testes certificados e já atrai interessados, ainda que não revelados, segundo o físico e criador da Tidalwatt, Maurício Otaviano de Queiroz. O processo envolve rigorosa homologação tecnológica, em que experimentos práticos e análises detalhadas são responsáveis pela validação. A intenção é atender padrões internacionais de desempenho e segurança antes da implementação comercial. “Os testes estão ocorrendo em ambientes controlados e em condições reais no mar, para garantir que a turbina opere eficazmente em diversas condições ambientais. Este período de validação é crucial para as adequações das tecnologias subjacentes e funcionalidade da turbina, preparando-a para uma implementação mais ampla”, afirma. Queiroz conta que as perspectivas de expansão para a tecnologia da Tidalwatt são extremamente animadoras. “Há um interesse crescente por parte de governos e empresas de diversos países, cada um enfrentando seus próprios desafios energéticos e ambientais. A capacidade da UCEC de fornecer uma fonte de energia constante e previsível sem impactar negativamente os ecossistemas marinhos apresenta uma solução atraente para muitas regiões que buscam diversificar suas matrizes energéticas a reduzir sua dependência de combustíveis fósseis”, explica. Além disso, revela o profissional, estão sendo exploradas parcerias estratégicas com organizações internacionais e locais para adaptar e instalar a tecnologia em diferentes contextos marítimos e fluviais. Isso inclui não apenas regiões costeiras, mas também grandes rios, onde a energia cinética da corrente pode ser aproveitada de forma similar. “Com base no sucesso dos testes atuais e no crescente reconhecimento global da importância de soluções energéticas sustentáveis, a Tidalwatt planeja expandir significativamente suas operações nos próximos anos. Esperamos que a UCEC seja adotada em larga escala como uma solução confiável e que respeite o meio ambiente, capaz de desempenhar um papel crucial na transição global para um futuro energético mais sustentável”, finaliza. Maurício Queiroz entende que a função da startup vai além da tecnologia (Divulgação) Beneficiar comunidade também é parte da missão O criador da Tidalwatt, Maurício Otaviano de Queiroz, entende que a função da startup vai além da tecnologia. A intenção é envolver e beneficiar a comunidade de maneiras concretas, envolvendo capacitação de mão de obra, conscientização das pessoas e criação de benefícios diretos para a sociedade, especialmente na Baixada Santista. “Implementaremos programas de treinamento para capacitar trabalhadores locais, especialmente em comunidades costeiras e fluviais, onde as turbinas serão instaladas. Esses programas focarão em habilidades técnicas relacionadas à instalação, operação e manutenção das UCECs”, afirma. Além disso, pretende-se colaborar com instituições educacionais locais para desenvolver cursos que possam preparar a futura força de trabalho para carreiras em energia renovável. “Também priorizaremos a contratação de mão de obra local para construção, operação e manutenção das instalações. Isso não apenas ajuda a economia local, mas também garante que a comunidade tenha papel ativo e se beneficie diretamente do projeto”, completa. Em termos de conscientização da comunidade, a ideia, segundo Queiroz, é desenvolver iniciativas para educar as pessoas sobre os benefícios da energia renovável e a importância da sustentabilidade ambiental, no que se incluem workshops, seminários e material educativo distribuído nas escolas e centros comunitários. Eventos regulares para engajar as pessoas, apresentar atualizações sobre o progresso dos projetos e ouvir retornos também estão incluídos, de modo a construir relação de confiança e colaboração com as comunidades. No que se refere aos benefícios socioeconômicos, o profissional afirma que, além de criar empregos, a instalação das UCECs pode atrair investimentos adicionais para as áreas locais, como melhorias na infraestrutura e no turismo ecológico, especialmente em regiões que podem se tornar pontos de referência em energia limpa e acessível. “Isso pode ajudar a reduzir os custos de energia para as comunidades locais, melhorando a qualidade de vida e diminuindo a pobreza energética. Além disso, parte dos lucros gerados pelos projetos será reinvestida em iniciativas comunitárias locais que promovam a sustentabilidade, como projetos de conservação ambiental ou programas de educação”, acrescenta. (Divulgação)