Especialistas defendem que conceitos ligados ao ESG devem fazer parte da formação dos estudantes (AdobeStock) Educar para uma sociedade que entenda a importância da sustentabilidade é um desafio que movimenta órgãos públicos e privados. Pois levar esse debate para a Educação é visto como um incentivo para criar gerações cada vez mais conscientes. E isso inclui preceitos da agenda ESG. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Questões como sustentabilidade, governança, desenvolvimento de habilidades socioemocionais e inclusão entraram na pauta do dia de ambientes escolares. É o que afirma a especialista em sustentabilidade Denise Villas-Boas Saleh. “As práticas ESG estão sendo difundidas de forma crescente na formação dos jovens, embora muitas vezes isso aconteça de maneira indireta e integrada. Em vez de aprenderem a sigla de mercado, os estudantes vivenciam os pilares do ESG na rotina escolar”, explica. Ela vê o pilar Ambiental na educação ambiental, como reciclagem, compostagem, economia de recursos, consumo consciente e o entendimento das mudanças climáticas. Já o social é trabalhado no dia a dia por meio do acolhimento, de políticas de inclusão de alunos com deficiência ou neurodivergentes, e de debates profundos sobre racismo, misoginia, etarismo e direitos humanos. Por fim, o pilar de governança aparece quando as escolas promovem liderança estudantil, grêmios, assembleias e a participação ativa dos jovens nas decisões da comunidade escolar. “Inserir o ESG no conceito escolar exige ir além da teoria das salas de aula. Os professores têm encontrado caminhos inovadores para conectar esses temas através de metodologias ativas, mas a formação docente e o suporte institucional continuam sendo os maiores desafios”, avalia. Aplicação Para a professora do Departamento de Ciências Ambientais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Camila dos Santos Ferreira, para inserir esses conceitos de forma orgânica, é necessário migrar do modelo de aulas puramente expositivas para a aprendizagem baseada em problemas reais. “A sustentabilidade corporativa não se aprende decorando normas, mas sim exercitando o processo de tomada de decisão diante de dilemas complexos. Uma excelente estratégia é os docentes desafiarem os estudantes com problemas corporativos ou sociais reais, nos quais a solução exija a fusão de diferentes saberes”, explica. Para ela, quando os desafios são conectados às realidades locais — por exemplo, por meio de projetos de extensão que atendam cooperativas de reciclagem, ONGs ou pequenas empresas da região —, o estudante deixa de ser um espectador passivo. “Ele percebe que a sustentabilidade e o ESG não são temas abstratos do futuro, mas sim ferramentas de trabalho do presente”, explica. Importância Denise entende que a importância de preparar, desde já, adultos conscientes é gigantesca. “Quando ensinamos economia, cidadania, empatia e sustentabilidade para uma criança, não estamos apenas evitando que ela se torne um adulto indiferente, estamos capacitando um agente de transformação imediato em sua família e comunidade”. Camila vai na mesma linha. “A importância reside no fato de que esses estudantes serão os futuros tomadores de decisão da nossa sociedade. Em poucos anos, serão eles os diretores, engenheiros, gestores, formuladores de políticas públicas e cientistas que definirão os rumos das organizações e das comunidades. Se esperarmos que entrem no mercado de trabalho para só então descobrirem os conceitos de sustentabilidade e responsabilidade social, continuaremos a agir de forma puramente reativa”, finaliza.