(AdobeStock) O debate em torno dos conceitos de ESG (ambiental, social e governança) há muito tempo deixou de ser exclusivo das empresas ou do meio acadêmico. Esses princípios podem (e devem) ser aplicados no dia a dia, em casa, no trabalho, na escola ou em qualquer outro espaço de convivência. Identificar quais atitudes estão alinhadas a esses preceitos é um passo importante para incorporá-los à rotina. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Na vida cotidiana, o ESG se manifesta em escolhas de consumo consciente, no respeito à diversidade e na transparência das relações. “Quando a gente deseja dar significado ao ESG para a sociedade e fazer com que isso, de fato, tenha impacto no cotidiano e na vida das pessoas, seja no planejamento de uma cidade, de um negócio ou de uma transformação local, ele se torna uma grande referência sistêmica, na qual o social e o ambiental estão intrinsecamente ligados", afirma a presidente do Instituto Supereco e consultora em ESG, sustentabilidade e liderança, Andrée de Ridder Vieira. Para ela, não existe uma separação entre o meio ambiente e as pessoas ou entre elas e os territórios onde vivem. “O ESG já faz esse chamamento para que ambiente e sociedade estejam sempre juntos. Com isso, cada ação planejada precisa considerar que a natureza oferece todos os recursos essenciais para a vida. E, se esse ambiente não prosperar, a vida também não vai prosperar”, acrescenta. Andrée ressalta ainda que a governança representa um convite à atuação coletiva. Segundo ela, para alcançar a sustentabilidade, é preciso pensar de forma colaborativa. “A governança é a nossa capacidade de criar redes de trabalho e nos associarmos uns aos outros, em pequenas iniciativas, para caminharmos em um mesmo propósito”. Além do corporativo A presidente do Instituto Supereco acredita que o ESG não deve ficar restrito às empresas e às decisões corporativas. “É um pensamento sistêmico que nos convida a refletir sobre transformação. Trata-se de criar um propósito de mudança em determinado aspecto, seja em um ambiente, em um território ou em um estilo de vida, qualquer que seja a frente em que decidimos atuar. Até mesmo questões relacionadas ao desrespeito aos valores humanos, como diversidade e igualdade de gênero, fazem parte do ESG”. Andrée reforça que cada pessoa pode ser um agente de boas práticas. “Um indivíduo pode praticar o ESG, desde que planeje sua vida e construa sua trajetória com base em valores como respeito e cuidado. E é muito melhor fazer isso junto com outras pessoas”. Ela cita o próprio Instituto Supereco como exemplo de organização capaz de mobilizar uma comunidade. A Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), fundada em 1994, elegeu, desde 2003, o Corredor de Biodiversidade da Serra do Mar – Mata Atlântica como área de atuação para desenvolver soluções no eixo “Oceano, águas, floresta, clima e sociedade”. De acordo com o relatório Balanço ESG: Inovação e Sustentabilidade, dezenas de mutirões ambientais retiraram, até dezembro de 2025, cerca de 12 toneladas de resíduos de praias, rios, manguezais e áreas costeiras de Santos, Bertioga, São Sebastião, Ilhabela e Caraguatatuba. VEJA DICAS POR SEGMENTO Ambiental (Environmental) Está relacionado à forma como cada pessoa utiliza os recursos naturais e contribui para a preservação do meio ambiente. Uso consciente dos recursos: evitar desperdícios, fechando a torneira ao escovar os dentes, reduzindo o tempo de banho e optando por lâmpadas de LED, que consomem menos energia. Reciclagem e descarte correto: separar os resíduos recicláveis dos orgânicos e levar pilhas, baterias e equipamentos eletrônicos aos locais apropriados para descarte. Menos plástico no dia a dia: dar preferência a produtos reutilizáveis, como ecobags, garrafas e copos permanentes, em vez de itens descartáveis. Transporte sustentável: sempre que possível, caminhar, pedalar, utilizar o transporte coletivo ou compartilhar caronas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Consumo consciente de alimentos: planejar as compras para evitar desperdícios, aproveitar integralmente os alimentos e priorizar produtos locais e da estação. Social (Social) Refere-se ao respeito às pessoas, à promoção da inclusão e ao fortalecimento das relações na sociedade. Diversidade e inclusão: valorizar e respeitar pessoas de diferentes origens, etnias, gêneros, idades e orientações sexuais, contribuindo para um ambiente mais acolhedor. Valorização do comércio local: sempre que possível, comprar de pequenos empreendedores, feiras e produtores da região, ajudando a movimentar a economia local. Solidariedade e participação social: contribuir com doações de roupas, alimentos, livros e outros itens em bom estado ou participar de ações voluntárias em benefício da comunidade. Governança (Governance) Refere-se à adoção de atitudes pautadas pela ética, pela transparência e pela responsabilidade. Consumo responsável: antes de adquirir um produto ou serviço, procurar conhecer a reputação da empresa, suas práticas trabalhistas e seu compromisso com a sustentabilidade e a transparência. Conscientização e cidadania: compartilhar informações sobre sustentabilidade com familiares e amigos, informar-se sobre os impactos das decisões políticas e apoiar iniciativas que promovam o desenvolvimento sustentável e o bem comum.