ESG deixa de ser assunto apenas empresarial e passa a influenciar consumo, investimentos e decisões dentro de casa (Adobestock) As práticas associadas ao ESG já não são, há algum tempo, uma realidade restrita às grandes empresas ou mesmo pequenos empreendimentos. O conceito também ganhou espaço dentro de casa e passou a influenciar a maneira como as famílias administram seus recursos, com escolhas que podem representar redução de despesas e, ao mesmo tempo, contribuir para um meio ambiente mais sustentável e harmônico. Na dimensão ambiental (E, de environment, em inglês), o foco está principalmente no consumo responsável. Entre as iniciativas, estão a economia circular, que estimula a compra de produtos usados e a comercialização ou reaproveitamento de itens que não têm mais utilidade, e a eficiência energética. A opção por aparelhos que consomem menos eletricidade e a instalação de painéis solares, por exemplo, podem gerar economia ao longo dos anos e reduzir a emissão de carbono. Também é importante observar o ciclo de vida dos produtos e considerar sua resistência e tempo de utilização. No aspecto social (S), as ações estão ligadas ao fortalecimento da comunidade e à utilização de mecanismos financeiros que também beneficiem causas humanitárias. Ao realizar compras no comércio da região, por exemplo, dar preferência a pequenos produtores e empresas do próprio bairro contribui para movimentar a economia local. Outra possibilidade está nos cartões que oferecem cashback social, destinando parte do dinheiro gasto a ONGs e iniciativas sociais, sem representar uma despesa extra para o consumidor. Outra atitude recomendada é evitar marcas que estejam relacionadas a casos de trabalho análogo à escravidão ou a desrespeito aos direitos humanos. Na esfera da governança (G), o objetivo é observar como as decisões são tomadas e valorizar a transparência na atuação e nos comportamentos adotados. Uma alternativa é aplicar a reserva financeira de emergência ou os recursos destinados a investimentos de longo prazo em fundos que fiscalizam e avaliam as práticas das empresas presentes em suas carteiras. Também pode ser interessante escolher bancos e cooperativas de crédito que apresentem informações acessíveis e transparentes sobre suas políticas de sustentabilidade e princípios éticos. Dentro de casa, a governança também pode ser colocada em prática por meio do controle e da organização das finanças, com um orçamento bem estruturado e transparente, ajudando a evitar situações de superendividamento. PESQUISA A incorporação de práticas ESG à rotina, no entanto, não ocorre de maneira uniforme nem segue um caminho igual para todas as pessoas. Cada indivíduo possui experiências, condições e desafios particulares, que podem facilitar ou tornar mais demorada essa mudança de comportamento. Segundo o Sustainability Sector Index (SSI), levantamento realizado pela Kantar e divulgado no ano passado, 87% da população afirma ter interesse em fazer escolhas mais conscientes. Na prática, porém, somente 35% diz ter alterado efetivamente seus hábitos de consumo. O levantamento, realizado a partir de 1 mil entrevistas, apontou os principais obstáculos para a adoção de atitudes sustentáveis. O preço elevado aparece em primeiro lugar, citado por 35% dos participantes, seguido pela falta de informação, mencionada por 33%, e pela dificuldade de compreender qual é o impacto ambiental ou social concreto de determinadas ações, apontada por 20%. A pesquisa também identificou um aumento na desconfiança dos consumidores. Entre os entrevistados, 58% afirmaram já ter encontrado ou ouvido informações consideradas enganosas relacionadas a iniciativas sustentáveis apresentadas por empresas. Apesar dessas dificuldades, a escolha de marcas a partir de seus valores e impactos vem ganhando espaço. Conforme o levantamento da Kantar, 55% dos consumidores afirmam já ter experimentado ou utilizado marcas consideradas de impacto positivo ou demonstram disposição para fazê-lo. Além disso, metade dos participantes declarou ter interrompido o consumo de produtos ou serviços avaliados como prejudiciais ao meio ambiente ou à sociedade.