(Adobe Stock) As tendências para este ano em termos de regulamentações envolvendo os conceitos ESG - ambiental, social e governança - apontam para a padronização das métricas, maior transparência nos relatórios corporativos e uma crescente responsabilização das empresas pelo impacto de suas atividades. Esse é o diagnóstico do engenheiro e professor universitário Ivan Lima. “A integração dos princípios ESG aos mercados financeiros se intensifica, com investidores exigindo clareza sobre o impacto socioambiental dos ativos. Isso reflete uma transformação estrutural no modelo de negócios global, tornando a sustentabilidade um fator essencial para a competitividade empresarial”, explica o também presidente do Lide Equidade Racial. Professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcela Argollo, vai na mesma linha da padronização dos relatórios, com normas internacionais, além de exigências mais rigorosas para metas de descarbonização e responsabilidade social. “Também há um foco crescente na transparência e combate ao greenwashing (quando uma organização implementa estratégias e propagandas enganosas sobre suas práticas ambientais), com governos impondo penalidades para evitar falsas alegações sustentáveis. Essas mudanças refletem a evolução do ESG de um diferencial competitivo para um requisito regulatório essencial”. Setores-chave O universo ESG deve se expandir significativamente em setores-chave, como energia, indústria e tecnologia, segundo Ivan Lima. “A transição energética se consolida como prioridade, com investimentos crescentes em fontes renováveis e tecnologias limpas. Na indústria, a descarbonização e a economia circular tornam-se imperativos para a sustentabilidade. O setor financeiro também evolui, com fundos de investimento ESG em ascensão e exigências cada vez mais rigorosas para concessão de crédito”, detalha. Marcela Argollo também aponta crescimento na mesma proporção nas mesmas áreas, devido à COP 28, a Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima. O evento foi realizado entre 30 de novembro e 12 de dezembro de 2023, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. E salienta um outro ponto importante para que as mudanças tenham êxito. “O avanço dependerá da colaboração entre público/privado; reguladores e empresas para transformar exigências legais em impacto concreto”. Pressões variadas impulsionam avanços em continentes distintos A União Europeia, os Estados Unidos, a China e o Reino Unido estão avançando rapidamente na regulação ESG, afirma a professora Marcela Argollo. “Eles estão impulsionados por pressões de investidores, governos e sociedade”. Dentre os países europeus, o engenheiro e professor universitário Ivan Lima destaca Alemanha e França. Nas Américas, ele também cita o Canadá. “Esses três estão na vanguarda da implementação de normas ESG, exigindo relatórios mais detalhados sobre o impacto ambiental e social das empresas”. União Europeia Lima também lembra da União Europeia, com crescimento significativo com a Diretiva de Relatórios de Sustentabilidade Corporativa (CRSD, a sigla em inglês), que amplia as exigências de divulgação ESG. “Nos Estados Unidos, estados como Califórnia e Nova Iorque estabelecem <CF70>regulações própria para incentivar uma transição sustentável, ainda que existam resistências em nível federal”, completa. Brasil busca se tornar uma potência verde Em meio à evolução crescente nas regulamentações dos conceitos ESG em outros continentes, o Brasil se encontra diante de uma oportunidade histórica para redefinir sua posição no cenário global e se consolidar como uma verdadeira potência verde, segundo o engenheiro e professor universitário Ivan Lima. “O país possui uma matriz energética predominantemente renovável e riquezas naturais que podem ser exploradas de forma estratégica para a transição verde. No entanto, a COP30, que será realizada em Belém, no Pará, destaca a necessidade de um reposicionamento global. O Brasil precisa transformar suas vantagens comparativas em competitivas, agregando valor a suas soluções sustentáveis e garantindo a preservação ambiental como eixo central de sua economia”, analisa o também presidente do Lide Equidade Racial. Para que isso aconteça, de acordo com Lima, o setor privado desempenha um papel essencial neste contexto. “Empresas brasileiras podem liderar a adoção de biocombustíveis, biometano e combustíveis sustentáveis, consolidando-se como referências internacionais. Além disso, há uma oportunidade única de integrar a Amazônia e os povos originários nas discussões, garantindo que o desenvolvimento econômico esteja alinhado com a conservação ambiental”. Outras medidas A professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcela Argollo, reforça que o Brasil tem grande potencial para ampliar sua liderança, especialmente no mercado de carbono, bioeconomia e energia renovável, já sendo referência em matriz energética limpa e agronegócio sustentável. Mas são necessárias outras medidas. “No entanto, ainda precisa fortalecer a governança corporativa e a fiscalização ambiental para consolidar sua posição como polo ESG na América Latina e atrair mais investimentos sustentáveis. É um momento muito favorável para as empresas brasileiras se adequarem para receber capital externo”, afirma.