Palestrantes discorreram sobre a contribuição que a diversidade oferece para as empresas e a sociedade e como promover ações de inclusão (Sílvio Luiz/ AT) Aos 18 anos, em 1991, a jornalista, escritora e palestrante Flávia Cintra ficou tetraplégica após sofrer um acidente de carro. O fato mudou sua trajetória. Repórter do Fantástico, da TV Globo, ela também é conhecida pela luta em prol dos direitos das pessoas com deficiência, em uma demanda que considera urgente a ser resolvida, como no mercado de trabalho. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Quanto mais diverso é o time, mais criativo, resolutivo, colaborativo e lucrativo ele se torna. Não se pode mais abrir mão de tanta contribuição que a diversidade oferece para as empresas e para a sociedade como um todo. Há pouco tempo se falava sobre tolerar a diversidade, a diferença. Hoje, a gente deseja. E, quando a gente deseja, tomamos atitudes. É ir para a prática”, afirma. Ela proferiu palestra nesta quinta-feira (27), no auditório do Grupo Tribuna, na abertura do segundo encontro deste ano da Agenda ESG. O último está marcado para 19 de novembro. A mediação foi feita pela gerente de Projetos e Relações Institucionais do Grupo Tribuna, Arminda Augusto, e pelo professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), economista e sócio da GO Associados, Gesner Oliveira. Também aos 18 anos, mas em 2000, Paulo Eduardo Chieffi Aagaard, o Pauê, também sofreu um acidente: foi atropelado por uma locomotiva, o que mudou sua vida. Ele, que perdeu as pernas, tornou-se campeão mundial de triatlo e o primeiro surfista biamputado no mundo, além de ter passado a cumprir papel transformador, com palestras. “A inovação está em você encontrar o seu próprio propósito, pois eleva a pessoa para um estágio de independência. É pensar diferente, não apenas agir diferente, para criar novas ideias, metodologias e abordagens. O mundo se movimenta com informações. Se você consegue trazer uma nova mentalidade para as pessoas, você consegue construir novas pontes”, argumenta. “Promover a inclusão é ouvir várias vozes e tomar atitudes precisas para não errar”, completa. Transpor fronteiras Especialista em ESG e Comunicação, a professora e escritora Viviane Mansi tem liderado transformações nessas áreas em empresas há 20 anos. Ela é diretora de Relações Corporativas da Diageo, fabricante de bebidas. A profissional considera importante que todos entendam a existência de fronteiras de sustentabilidade para estimular a chegada até lá. “Essa caminhada transforma a gente de um jeito positivo. É um caminho com muito mais oportunidade do que risco. O que as pessoas precisam é, efetivamente, apostar nisso”, explica. Viviane destaca duas fronteiras específicas para reflexão e ação. “Uma é que precisamos repensar o nosso consumo. Vivemos em um mundo em que tudo fica aqui. A outra é que precisamos entender melhor é onde as pessoas têm a sua melhor potência”, explica. País tem condição de liderar questões ESG, diz especialista Ainda que não esteja em um estágio ideal, o Brasil encontra-se em uma posição para liderar nas questões ESG em termos mundiais, segundo o senior partner na Global Forest Bond e autor de Nem Negacionismo nem Apocalipse - Economia do Meio Ambiente: uma Perspectiva Brasileira, Artur Villela Ferreira. “O Brasil tem uma contribuição gigantesca, pelas nossas características naturais e por termos os biomas mais biodiversos do mundo. Vinte por cento da biodiversidade do mundo está no Brasil”, afirma. Embaixador do ODS 17 (Objetivo de Desenvolvimento Sustentável) pelo Pacto Global da ONU e professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Pedro Saad lembra que o Brasil é referência nas questões social, ambiental e de segurança alimentar. “Abrimos e fechamos todos os fóruns internacionais”, lembra. Embora, segundo Saad, o País tenha perdido o passo recentemente nesses temas, conseguiu retomá-lo. “Estamos longe de alcançar os números ideais, mas o Brasil é bem-visto. Só temos que aprender a investir nos pontos que criam sustentabilidade nessas áreas”, argumenta o professor. “A COP30, em 2025, em Belém, é uma forma de atrair atenção e recursos.” A coordenadora de Sustentabilidade Social da Santos Brasil, Marjorie Samaha, cita iniciativas promovidas pela empresa para diminuir desigualdades e estimular a geração de renda, como o Formare, que abrange educação de jovens, o Rede Mulheres para a Vida Marinha, com artesanato a partir de artefatos de pesca recolhidos do mar e da natureza, e o Mãos que Transformam, projeto que capacita mulheres por uma vida melhor para suas famílias. “A maior inovação é você ouvir as pessoas e o que elas precisam de fato, e não você tentar pensar em demandas ou necessidades com o seu olhar", define Marjorie.