Painel do 2º encontro do ano da Agenda ESG reuniu, no auditório do Grupo Tribuna, especialistas e autoridades nos eixos ambiental e social (Sílvio Luiz/ AT) No segundo painel da Agenda ESG, realizado em Santos na última quinta-feira (19), no auditório do Grupo Tribuna, em Santos, a coordenadora de Sustentabilidade Social da Santos Brasil, Marjorie Samaha, disse que o maior desafio não só para a empresa onde trabalha, mas para todas as corporações, é pensar o ESG de forma integrada. “Esses três pilares não podem andar separados. Para um projeto ambiental acontecer, tem que haver, por exemplo, economia circular e educação ambiental porque, caso contrário, ele não terá sucesso”, opina. O encontro teve como tema Inovação Social e Sustentabilidade enfocou a implantação de uma política de ESG nas empresas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Para que o social e o ambiental ocorram, a governança deve selecionar projetos que, entre outros quesitos, avaliem os proponentes e possa ser medido do ponto de vista de resultados. Isso é muito importante para direcionar uma estratégia ESG”. Samaha explicou que a Santos Brasil tem operações que vão de Barcarena, no Pará, até Imbituba, em Santa Catarina, passando pela Baixada Santista e por São Luiz do Maranhão. “Temos muita regionalidade envolvida. São pessoas com vivências, culturas e necessidades diferentes. Então, a nossa estratégia é conversar com essas pessoas para entender o que elas estão precisando e quais são as necessidades. Isso é muito importante para um projeto social dar certo”. De acordo com ela, trabalhando dessa forma, a Santos Brasil direcionou seus esforços para projetos de educação e capacitação profissional, especialmente na Baixada Santista, onde desenvolve três iniciativas: “Rede de Mulheres pela Vida Marinha”, “Mãos que Transformam” e o “Programa Formare”. Palavras x ações Especialista em ESG e Comunicação, a professora e escritora Viviane Mansi também destaca desafios relacionados à implantação dessa política nas empresas. Ela, que também é diretora de Relações Corporativas da Diageo, uma fabricante de bebidas, diz que um deles é entender que nossas ações falam mais alto do que nossas palavras. “Portanto, mais do que falar sobre, estamos atuando de acordo? Porque isso ajuda as pessoas a perceberem as oportunidades e o valor que o ESG tem, o que faz essa agenda a se movimentar mais rapidamente”. Viviane contou que atua em uma organização em que o tema diversidade é bastante importante. “Temos mulheres em cargos de presidência da empresa, mais de 50% das pessoas são mulheres, o número de pessoas pretas e pardas vai chegar logo mais em 30% e a gente quer ultrapassar essa meta”, elencou, dizendo ainda que essa é a primeira empresa do Brasil a criar a licença paternidade no mesmo tamanho da licença maternidade. “Então, se você contrata um homem ou uma mulher não faz diferença porque todos poderão sair de licença quando tiverem seus filhos”. Para ela, quando a empresa consegue dar sinais efetivos de que está alinhada com o tema, as coisas acontecem. Viviane Mansi, da Diageo: não é só falar, é preciso mostrar o que faz; Marjorie Samaha, da Santos Brasil: projetos com a comunidade (Sílvio Luiz/ AT) Pauê destaca motivação para cumprimento de metas A fala do esportista e palestrante Paulo Eduardo Chieffi Aagaard, o Pauê, vai ao encontro da opinião de Viviane Mansi. “Para cumprir uma responsabilidade, as pessoas precisam se sentir parte e partir de um princípio que as motive”. Atuando no mercado corporativo há 21 anos, Pauê diz que conhece empresas que investem em sustentabilidade porque acreditam e têm paixão por esse tema. Pauê começou a atuar em empresas a convite de Flávia Cintra, que o chamou para fazer parte do Instituto Paradigma em 2002, dois anos após o acidente que resultou na amputação de parte de suas pernas. Esse obstáculo não o impediu de tornar-se campeão mundial de triatlo e o primeiro surfista biamputado do mundo, além de ser um agente transformador ao levar às empresas temas como adaptação às mudanças e motivação. Flávia destacou que, para as empresas atraírem pessoas com deficiência, é necessário contratá-las pela capacidade e não pela deficiência. “A maioria contrata pessoas com deficiência tendo em vista o cumprimento da lei de cotas, para não tomar multa, e oferece vagas mais operacionais, mais iniciais. Não há mal nenhum nisso, todo mundo começa por baixo, mas a gente cresce”. Vagas sem carimbo Para ela, é necessário que as empresas tirem o carimbo das vagas e que todas possam ser ocupadas por pessoas com deficiência. “Caso ela não tenha a qualificação exigida, mesmo assim pode se desenvolver e é aí que entram o desejo e a tomada de decisão de impulsionar esse processo ao investir nessa pessoa enquanto ela se aprimora, assumindo que ela tem a habilidade necessária para o cargo”.