[[legacy_image_211798]] O viés social das práticas de ESG não afetam apenas as contas e a imagem de uma empresa, mas podem fazer a diferença para comunidades diretamente ligadas a elas. A meta é simples: fazer da letra do meio dessa sigla virar o S de ser. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “A gente faz parte do pacto global da ONU desde 2013. Então, a sustentabilidade não é uma novidade, mas um objetivo. Não é tudo pelo lucro. A gente tem outros desafios, tão importantes quanto”, conta Béatrice de Toledo Dupuy, da Santos Brasil. “O desafio das empresas é com a sociedade, não só com o investidor. A régua é alta, mas isso é bom, pois desafia a gente”. A EcoRodovias, por sua vez, também reforça a aposta nas práticas de ESG com o aspecto social de forma bem marcante, especialmente nas fontes de energia sustentáveis. “Nossa responsabilidade com o cliente/usuário é fomentar a transição energética. Por exemplo: de que adianta o número de veículos elétricos no Brasil explodir se não tenho vias devidamente preparadas para receber esse tipo de demanda? Esse é o papel do setor da construção de rodovias: apoiar, trazer tecnologias, que isso volta para a sociedade na forma de um valor geral, e eu reduzo minhas emissões”, resume o gerente de sustentabilidade da empresa, Moisés Basílio. Olhar cuidadoso e inclusivoA preocupação com a comunidade em que uma companhia está inserida pode ser verificada de forma efetiva, quando ela é “abraçada” pela empresa. Capacitação, cursos e outras medidas ajudam a estreitar de forma consistente esses laços. É o que acontece com a Rumo, por exemplo. De acordo com a coordenadora de ESG, Thamirys Kozien, a companhia de logística tem iniciativas junto às cidades mais impactadas pelo tráfego ferroviário desenvolvido. “Fizemos um levantamento interno, com vários critérios, para indicar os municípios críticos em termos de operação”, conta. Em 2021, foi criado o Instituto Rumo, voltado para a inclusão. “Há, por exemplo, um trabalho de mentoria, onde os próprios gestores e colaboradores se inscrevem para ajudar. Também temos voluntariado, onde os próprios colaboradores inscrevem projetos, subsidiados pela empresa, com o apoio de instituições localizadas nesses municípios. Tudo para criar uma relação com a comunidade”. Mudar concepções antigas também é uma forma de engrandecer a companhia. Segundo o gerente de sustentabilidade da América do Sul e diretor da Fundação Espaço EcoBasf, Walder Viana, a inclusão não pode ser apenas um discurso. “A questão da diversidade e inclusão tem metas a serem cumpridas. Uma delas é a de contratação de determinados grupos minoritários. Buscamos mais mulheres, e que elas ocupem posições de liderança. Outra meta é contratar pessoas negras, assim como pessoas com deficiência em número maior do que a lei exige”, complementa. Experiência da SabespUma empresa meio estatal, meio de capital aberto, que aprendeu com a experiência da crise hídrica da década passada. A Sabesp tem procurado difundir práticas de ESG, especialmente as ligadas à água e ao saneamento, enquanto reforça uma boa reputação social. “A Sabesp é uma empresa que tem um pé em cada canoa. Porque somos uma empresa pública, com o Governo do Estado como controlador (50,3% das ações), e também uma empresa aberta, com ações listadas nas bolsas de Nova Iorque e São Paulo, algo que traz uma participação de capital privado importante no seu portfólio. Isso faz com que a gente venha trabalhando em matérias ESG há muito tempo. Este ano, por exemplo, estamos publicando o 15º relatório de sustentabilidade”, explica a head de ESG da Sabesp, Monica Porto. Segundo ela, essa condição societária tem um aspecto favorável. “É algo que nos dá a oportunidade de, no setor público, ter uma atuação social bastante relevante — são 860 mil famílias com tarifas subsidiadas — e também haver uma responsabilidade, hoje cobrada por indicadores da bolsa, que nos dão um posicionamento de governança bem estruturado”, avalia. Economia circular Monica acredita que o saneamento, hoje em dia, pode representar uma oportunidade grande para a chamada economia circular. O reúso da água, do esgoto e até do lodo são sinais dessa possibilidade. “A Sabesp tem uma experiência importante em São Caetano (região do ABC), onde uma parte do esgoto tratado é reaproveitado no setor industrial. Além disso, o gás metano gerado, no tratamento de esgoto, vira biogás que abastece a frota da companhia em Franca. E o lodo pode ser usado na indústria agrícola, com o aproveitamento para fertilizantes”, conta a Head da empresa. No mês de abril, a Sabesp lançou um edital chamando indústrias que gostariam de trabalhar. Apareceram 13 empresas interessadas, sendo que quatro foram selecionadas. Aprendizado Ela diz que a empresa aprendeu com a crise hídrica de meados da década passada, quando a falta d’água assombrou os paulistas. Além das obras para dar sustentação a reservas como a da Cantareira, a conscientização sobre o uso da água já traz efeitos. “Na Região Metropolitana de São Paulo, antes da seca, consumia 72 metros cúbicos por segundo de água. Após sete anos, o consumo é de 61 metros cúbicos por segundo. É um exemplo claro do esforço, do incentivo ao uso racional. Não é porque a gente vende água que a gente quer vender mais água”, sinaliza.