Heloisa Schurmann integra uma família que desde 1984 percorre o mundo em um veleiro. Na paisagem, alterações decorrentes da poluição (Alexsander Ferraz/AT) Os oceanos mudaram muito desde a primeira volta ao mundo de veleiro feita pela família Schurmann há 40 anos, em 1984. E cada vez mais nos outros retornos. A preocupação está no projeto A Voz dos Oceanos, movimento mundial de combate à poluição plástica, iniciado em 2021. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Queríamos dar uma voz a esse oceano, que está pedindo socorro. Estamos navegando, registrando, divulgando, conscientizando e e compartilhando nas redes sociais aquilo que estamos vendo e vivenciando”, conta a velejadora, escritora e ambientalista Heloisa Schurmann. Ela proferiu palestra na tarde desta terça-feira (24), no auditório do Grupo Tribuna, na abertura do primeiro encontro deste ano da Agenda ESG. Estão marcados mais dois: em 17 de outubro e 19 de novembro. A mediação foi feita pela gerente de Projetos e Relações Institucionais do Grupo Tribuna, Arminda Augusto, e pelo professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), economista e sócio da GO Associados, Gesner de Oliveira. Além da relação com a família Schurmann, com um projeto educacional em que os integrantes são levados a escolas para falar sobre microplástico nos mares, a gerente de Comunicação Corporativa e Sustentabilidade da Santos Brasil, Béatrice de Toledo Dupuy, explica a parceria da empresa no projeto Rede de Mulheres pela Vida Marinha, do Instituto Gremar, de Guarujá. “As redes velhas são doadas pelos pescadores para que suas esposas façam itens que poderão vender e terem uma renda a mais para a família, preservando também a vida marinha”, detalha. Diretor financeiro da KWP, José Luiz Wald falou sobre a holding das empresas que desenvolvem e operam projetos de geração de energia por meio de usinas solares flutuantes. “Elas estão instaladas sob a lâmina da água de reservatórios. Esse tipo de usina é muito benéfico para a preservação da água, tendo economia de até 70% da evaporação dela e gerando até 15% mais energia do que a solar convencional”, explica. Professor da FGV, Gesner de Oliveira prega a coletividade. “Se todos participarem e cobrarem dos governantes bom saneamento e gestão de resíduos sólidos, não vai haver tanto lixo no mar nem tanta poluição.” Preocupações convergem para bem-estar da coletividade Mais do que pensar em carros elétricos e nos postos para carregamento, nos veículos movidos a hidrogênio e híbridos flex, a Toyota mostra-se mais preocupada com a saúde pública, o que passa diretamente pelo saneamento, analisa o gerente de Comunicação da montadora, com atuação na área ESG, Otacílio do Nascimento. “A Fundação Toyota do Brasil (da qual ele é diretor-executivo) anunciou parceria em projeto no Pará para oferecer oficinas com temas importantes para a região, como painel solar e o artesanato. Isso gera conhecimento para obtenção de renda às comunidades ribeirinhas, criando, por exemplo, produto para oferecermos aos nossos clientes. E pude também observar as dificuldades com o saneamento”, explica. A educação também é necessária para os políticos, lembra o diretor de Energia Sustentável e Bioeconomia do Instituto E+ Transição Energética, Clauber Leite. Em uma visita a Brasília, ele teve nítida percepção a respeito dessa realidade, apesar da incidência de tantos — e cada vez mais constantes — eventos clímáticos extremos. “Um de nossos trabalhos no Instituto E+ é fazer esse convencimento de políticas públicas que favoreçam a descarbonização. E lidamos com deputados e senadores. Minha surpresa é que muitos deles ainda não sabem do que a gente está falando. Existem alguns que conhecem o assunto, mas estão em grupos fechados”, conta. “Se não houver essa educação, nós, cidadãos, não conseguimos fazer essa relação dos impactos causados pelas nossas ações”, emenda. Na estrada do conhecimento, o gerente de Sustentabilidade da EcoRodovias, Moisés Basilio, reforça a importância do ESG e nas métricas trazidas a reboque, ainda mais em contratos que, geralmente, possuem longo prazo. “Empresas como a EcoRodovias, que já possuem uma estratégia consolidada de sustentabilidade, conseguem se posicionar de maneira mais adequada e mais respeitosa com a sociedade. Os parâmetros ESG vêm carregados nos novos contratos e, muito mais, nas orientações de governança, tendo em vista que são firmados entre as concessionárias e o Poder Público”, explica.