A startup de Lívia conecta clientes e fornecedores do setor de festas (Vanessa Rodrigues/AT) Em meio à consolidação da mulher empreendedora como uma importante força da economia nacional, o setor de serviços ainda é o mais procurado por elas, mas outras opções também aparecem no horizonte de quem busca ter o próprio negócio. “Há muita coisa ligada à tecnologia, startup, desenvolvimento de software e consultorias técnicas. Esses segmentos têm crescido bastante entre as mulheres”, afirma a consultora de negócios do Sebrae-SP e gestora do Sebrae Delas, Bianca Marsaioli. Um total de 6.225 empresas compõe o volume de operações da unidade do Sebrae da Baixada Santista. As fatias de mercado mais requisitadas são: cabeleireiros, manicure e pedicure, com 6,5% (405 atendimentos), e comércio varejista de vestuário e acessórios, com 6,2% (383 atendimentos). Na sequência, estão o fornecimento de alimentos preparados (consumo domiciliar), com 5,1% (317 atendimentos); fabricação de artesanato em materiais diversos, com 4,2% (264 atendimentos); fabricação de produtos de padaria e confeitaria, com 3,9% (240 atendimentos); serviços ambulantes de alimentação, com 3,7% (233 atendimentos); e atividades de estética e serviços de cuidados com a beleza, com 3,1% (196 atendimentos). Juntos, os setores de beleza/estética somam 9,6% e os de alimentação/gastronomia alcançam 12,7% do total de empresas da amostra, provando que a gastronomia é um ramo altamente promissor para se investir. Habilidade Bianca conta que há empreendedoras que trabalham em determinados segmentos e, pela necessidade do próprio negócio, acabam desenvolvendo novas habilidades, como vendas em um marketplace. “Há casos em que a pessoa ficou tão especialista que hoje também dá mentoria para quem quer vender em plataformas digitais. Com isso, transformou uma necessidade em uma habilidade, desenvolveu bastante conhecimento nessa área e hoje transfere esse aprendizado a outras empreendedoras, gerando renda”, lembra a consultora do Sebrae. Jornada de Lívia teve início em 2018 Um exemplo de desenvolvimento “fora da caixinha” é a startup de eventos Dinda Shop, comandada por Lívia de Carvalho, de 41 anos. Formada em Comércio Exterior e sem funcionários diretos, ela conta com parceiros especializados, como desenvolvedor de sistema e gestor financeiro. Sua jornada começou em 2018, quando começou a testar formatos, desembocando na criação de uma plataforma que conecta clientes e fornecedores do setor de festas e eventos por meio de rodadas de negócios e benefícios exclusivos. “Eu fazia algumas coisas para eventos para a empresa em que trabalhava e vi que esse mercado em Santos era ruim em matéria de atendimento, preços e serviços de fornecedores. As noivas não sabiam como contratar ou ler um contrato”. Então, começou a juntar as interessadas de maneira ainda informal, para ter poder de barganha com o fornecedor. Eles gostaram da iniciativa e começaram a espalhar o contato de Lívia, sugerindo serem “interessantes” para as noivas. Em um único “encontro” entre quem ia casar e quem oferecia serviços, viabilizou mais de 20 contratos. “Vi que aquilo era um mercado a ser explorado de maneira honesta. Dava para negociar, conferir fornecedores bons e havia margem para negociar preço. Um bom negócio”, conta Lívia. Segundo ela, o crescimento aconteceu de forma orgânica. Só que gerenciar tudo isso era desafiador. Foi por isso que ela machucou os pulsos, de tanto responder mensagens e administrar inúmeros grupos ao mesmo tempo. “Procurei o Sebrae e consegui um empréstimo para criar meu primeiro site, que está em processo de atualização. Desenvolvi toda a lógica das rodadas de negócios e tudo isso levou um tempo para ficar pronto”, recorda. Hoje, o saldo é mais que positivo. “Temos uma taxa de conversão próxima de 80% em fechamento de contratos. Nunca tive uma reclamação registrada em mais de 4 mil serviços contratados pelas rodadas Dinda. Tenho fornecedores que estão comigo desde antes de existir o site, desde 2018. São parceiros muito confiáveis”, complementa.