Fortalecimento de relações baseadas em confiança foi um dos conceitos abordados no encontro de ontem (Alexsander Ferraz/AT) Para quem empreende, conhecer pessoas pode ser tão importante quanto ter dinheiro para investir. Foi com essa proposta que empresárias da Baixada Santista participaram, na manhã desta quinta-feira (27), do quinto encontro deste ano do Donas do Negócio - Agora que São Elas!, no auditório do Grupo Tribuna, em Santos. Em sete mesas, as participantes tiveram dois minutos por rodada para apresentar seus negócios, diferenciais e possíveis oportunidades de parceria. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A dinâmica foi conduzida pelo Sebrae e buscou estimular o chamado networking qualificado – conexões feitas com um objetivo concreto, como conquistar clientes, encontrar parceiras ou ampliar a divulgação de uma marca. As participantes circularam pelas mesas até terem contato com todas as empreendedoras. “Networking qualificado não é encher o seu LinkedIn de gente. É criar capital social”, explicou Michele Divino, consultora de negócios do Sebrae. Segundo ela, o objetivo é fortalecer relações baseadas em confiança. “Quando o dinheiro acaba, tem uma coisa que não acaba, que são as conexões”. A jornalista e empresária Luiza Hager participou pela primeira vez do encontro. À frente de uma agência de comunicação e de uma produtora audiovisual, ela vê nas conexões a possibilidade de crescimento profissional. “Empresas são feitas por pessoas e para pessoas. Para você vender ou ganhar mercado, você precisa se conectar com pessoas”, afirmou. A diretora vice-presidente do Grupo Tribuna, Renata Santini Cypriano, ressaltou que a iniciativa vem sendo renovada a cada encontro. “A gente já está na quinta edição. Agora estamos fazendo umas dinâmicas diferentes, diversificando e mudando os encontros. Para elas, é muito importante”, afirmou Desafios De acordo com Patrícia Ovalle, líder regional do Sebrae na Baixada Santista, o empreendedorismo feminino já representa uma parcela expressiva dos novos negócios. Segundo ela, mais de 47% das empresas abertas na região são comandadas por mulheres. A gestora do Sebrae Delas na Baixada Santista, Bianca Marsaioli, afirma que os setores de serviços, beleza e atividades desenvolvidas pela internet estão entre os que reúnem mais empreendedoras. Ao mesmo tempo, mulheres têm ocupado áreas antes menos associadas ao empreendedorismo feminino, como serviços técnicos. O maior desafio, agora, é fazer com que elas se reconheçam como empresárias e consigam sustentar os negócios. “Ela (a mulher que empreende) acha que faz um bico, que tem uma segunda atividade, mas não se enxerga enquanto empresária ou empreendedora”, diz Patrícia. Entre os obstáculos, as empreendedoras citam a dificuldade de acesso ao crédito e a cultura empresarial ainda predominantemente masculina. “Nós não somos preparadas para sermos empresárias. Desde pequena, a mulher aprende a brincar de boneca e a cuidar da família”, observa Luiza. Bianca acrescenta que a própria rotina pode afastar mulheres de oportunidades de networking. “A mulher naturalmente já tem jornada dupla, tripla”, destacou, apontando que muitas acumulam trabalho, cuidados com a casa e os filhos e acabam deixando encontros profissionais em segundo plano. Planejamento e coragem Segundo a gestora do Sebrae Delas na Baixada Santista, Bianca Marsaioli, mulheres ainda encontram mais dificuldades que homens para obter financiamento, inclusive pela menor disponibilidade de bens em seus próprios nomes. Ela defende, porém, que planejamento pode reduzir os riscos. “Empreender é correr risco o tempo todo, mas com um bom planejamento ela sabe que caminho pode tomar caso não dê certo aquele primeiro planejamento”. Além disso, a gestora diz que também existe um obstáculo comportamental: o receio de comparecer sozinha a eventos e perder oportunidades por falta de coragem para se apresentar. A orientação é justamente aproveitar esses espaços para conhecer pessoas fora do círculo habitual. “Apareceu uma oportunidade? Vá”, aconselha.