Um estudo realizado pelo Sebrae, com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad Contínua), indica que o Brasil registrou, nos últimos 10 anos, um crescimento de 27% do empreendedorismo feminino - de 8,2 milhões de mulheres no País em 2015 para 10,4 milhões em 2025. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O salto foi 16 pontos percentuais maior que o verificado entre homens empreendedores no mesmo período - não foram divulgados dados locais. Para a consultora de negócios do Sebrae, Bianca Marsaioli, o crescimento mostrado pelo estudo tem algumas razões, como a escolaridade das mulheres e mais acesso à informação, à tecnologia e aos canais digitais. Além disso, muitas passaram a ver o empreendedorismo não só como alternativa de geração de renda, mas um caminho para autonomia financeira e realização profissional. “Um grande salto nesse número ocorreu na pandemia, quando muitas mulheres foram retiradas do mercado de trabalho. Também houve uma mudança cultural: cada vez mais mulheres ocupam espaços de liderança, criam redes de apoio e buscam capacitação para transformar ideias em negócios sustentáveis”, aponta. Bianca explica que o Sebrae atende vários tipos de perfis de mulheres empreendedoras. “Há mulheres que chegam com uma ideia e desejam entender se é viável. Outras já possuem um negócio estruturado e buscam aumentar vendas, organizar finanças ou melhorar seus conteúdos nas redes sociais e sites”, descreve. Serviços A consultora reforça que o Sebrae oferece capacitações, consultorias, mentorias, oficinas, cursos presenciais e online, além de ferramentas para planejamento, gestão financeira, marketing, vendas, inovação e transformação digital. “Um dos principais insights que buscamos transmitir é que empreender vai muito além de dominar ferramentas de gestão. É preciso desenvolver comportamento empreendedor, planejamento, controle financeiro, conhecimento do mercado e foco no cliente”, pondera. Um problema recorrente de quem empreende é o risco de mortandade precoce. Para Bianca, a principal forma de reduzir os riscos é investir em planejamento e gestão desde o início. “Entre os erros mais comuns estão misturar finanças pessoais com as da empresa, não controlar fluxo de caixa e definir preços sem conhecer os custos reais”, ensina. (Divulgação) Exemplos vitoriosos Os números chamam ainda mais a atenção quando ganham nomes, como o de Veridiana Bitencourt (foto acima), de 41 anos. Há 14 anos, ela tem a VMB Eventos, que funciona em Santos. A maternidade (seu filho tem 16 anos) foi a inspiração para empreender. “Eu já amava organizar eventos. Foi bem difícil no começo, mas consegui, passei por uma pandemia e hoje a minha empresa já realizou mais de 2,5 mil eventos, entre sociais, corporativos, shows, congressos e formaturas”. Ela conta que, no início, contava apenas com as irmãs - hoje, aposta em uma equipe de freelancers. “Temos um escritório, funcionárias e muita disposição. Não desistir em nenhum momento fez com que a gente chegasse até aqui”. (Divulgação) A mesma força de vontade marca a trajetória de Jussara Prado (foto acima), de 43 anos. Ela, que começou como produtora multimídia, descobriu ao morar na Tailândia a saboaria artesanal, com óleos vegetais, essenciais e muito empenho. “Fiquei muito surpresa por conseguir fazer algo bom, utilizável e que as pessoas gostavam”, descreve. Ela voltou ao Brasil em 2024 e, participando de alguns bazares, percebeu o potencial de sua produção. “Uma coisa que me impressionou foi a diferença de preço dos insumos. Achar produtos de qualidade alta por um preço justo, que lhe permita consiga entregar um produto final bom, sem comprometer o orçamento”. Jussara pretende, até o final do ano, abrir uma loja física de cosmética artesanal. (Divulgação) Lesley Gerbi Jannuzzi (foto acima), de 44 anos, pega os clientes pelo estômago. Há dois anos e meio, ela foca na produção de cookies artesanais. Assim, o hobby virou profissão. “Vendia para amigos e familiares, que adoraram. Então, por que não fazer doces para vender? Comecei a estudar a respeito, fiz vários testes com receitas da internet, além de um curso no Senac de técnico de confeitaria”, narra. Após participar de feiras e bazares de empreendedores, hoje tem mais de 20 sabores de cookies (com e sem recheio). "Não era muito boa com vendas, mas venci a vergonha e a timidez para poder ser conhecida. Atualmente trabalho sozinha, e até montei uma pequena cozinha de produção no Gonzaga”, emenda.