[[legacy_image_204697]] A pandemia de covid-19 e o consequente isolamento das pessoas ajudaram a formar um triste quadro: o da falta de comida, em especial para os mais pobres. Heloísa Morais, fundadora da ONG Frutos do Amanhã, de São Vicente, percebeu essa necessidade, arregaçou as mangas e foi atrás de doadores. Assim nasceu o Quarentena sem Fome. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A primeira entrega de cestas básicas aconteceu em 11 de maio de 2020. De lá para cá, foram mais de 2 mil famílias cadastradas na entidade que receberam o benefício. Menos de um ano depois, em 24 de março de 2021, Heloísa teve um mal súbito e morreu, aos 51 anos. A família não deixou a chama da solidariedade acabar: manteve a ONG, criada em 2011, e o projeto. “Atualmente, atendemos 300 famílias todos os meses com um auxílio mensal de cesta básica, a partir da ajuda de doadores físicos ou empresas. Junto com elas, entregamos a Feirinha da Criança aos nossos cadastrados. A Feirinha, porém, é uma ação que a gente realiza toda semana. Fechamos o ano de 2021 com mais de 5 mil feirinhas entregues”, conta a presidente Bianca Mendes, filha de Heloísa. No caso da Feirinha da Criança, uma iniciativa mais antiga, há uma parceria de nove anos com o Instituto GPA, em que são retiradas doações de frutas, legumes e verduras de segunda a sábado nos mercados Extra de Praia Grande (nos bairros Ocian, Caiçara, Tupy e Aviação) para que se faça a triagem e sejam montadas as sacolas destinadas às famílias. Firme e forte Atualmente, a ONG Frutos do Amanhã não atende apenas famílias cadastradas em São Vicente – nos bairros Vila Matias (onde fica a entidade), Fazendinha, Catiapoã, Pompeba e Rio Branco - e se faz presente também em outras cidades da Baixada Santista (Santos e Praia Grande). Estão cadastradas 252 famílias e 300 crianças. O projeto Quarentena sem Fome segue firme e forte, sendo realizado da mesma forma desde o seu início: a doação é arrecadada, as famílias cadastradas vão até a ONG e retiram a alimentação tão essencial para o cotidiano delas. [[legacy_image_204698]] “Desde a pandemia, não paramos mais com essa ajuda (Quarentena sem Fome) a essas famílias. É uma luta diária arrecadar e entregar as doações em razão do aumento dos preços dos alimentos, o que tornou mais difícil esse trabalho. No entanto, graças aos nossos doadores, temos conseguido ajudar todas as nossas crianças”, conta Bianca. A ONG Frutos do Amanhã tinha várias atividades antes da pandemia – balé, caratê, reforço escolar, artesanato e outros cursos. No entanto, foi necessária uma pausa e, até o momento, a entidade só consegue trabalhar com três iniciativas – no caso, a Feirinha da Criança, a Oficina Terapêutica e a Quarentena sem Fome. Esta última, por sinal, rendeu um momento de fé do qual Bianca não esquece. “Nunca esqueço da primeira doação que fizemos sem minha mãe, quatro dias depois da morte dela. Ela era espírita e eu também sou, pois acredito, embora não seja praticante. Uma sensação que nunca vou esquecer foi eu ter visto um pedaço do vestido – ela usava muito esse tipo de roupa – passando atrás de mim. Veio um arrepio dos pés até os cabelos que nunca havia sentido na minha vida. Era um sinal que ela está aqui e apoia a gente. Ainda hoje, sentimos a presença dela. De onde ela estiver, ajuda o projeto a andar”, recorda, emocionada. Três famílias e uma ajuda além da quarentena O que Rosemeire da Silva, Fabiana Haddad de Oliveira e Lisiê Vieira de Araújo Silva possuem em comum? Além de serem mulheres e moradoras de São Vicente, todas as suas famílias contam com a ONG Frutos do Amanhã e o projeto Quarentena Sem Fome, além de outras iniciativas da entidade. [[legacy_image_204699]] Moradora do Bairro Fazendinha, no Samaritá, Rosemeire é casada, tem 38 anos, quatro filhos e recorreu à ONG há pouco mais de dois anos para tentar driblar as dificuldades, que seguem constantes, mas são minimizadas com a ajuda da entidade. “Naquele momento, meu marido estava sem fazer bicos e foi o nosso socorro. E sigo agradecendo a Deus porque vivemos momentos difíceis, com tudo caro. Aí a gente consegue comprar uma carne e pegar verduras. Agora também pego leite. Essa ONG é muito boa para a gente”, agradece. Já a dona de casa Fabiana, de 46 anos, casada e com duas filhas, reside em um bairro bem próximo à sede da entidade, a Vila Ema. O contato com a Frutos do Amanhã, assim como aconteceu com Rosemeire, aconteceu há dois anos. “Faço parte dessa ONG maravilhosa. Minhas filhas faziam aulas e cursos, que pararam por causa da pandemia, e eu ajudava na parte dos eventos. Recebemos essa ajuda e somos muito gratos por essa atitude da entidade. Várias famílias têm muitos filhos e isso faz com que ninguém passe necessidade, depois de tanta falta de emprego e dinheiro causada pela pandemia”, conta. Por sua vez, Lisiê, de 43 anos, mora no mesmo bairro da entidade, a Vila Matias. Casada e com dois filhos, a vendedora frequenta a entidade há mais de seis anos. “A Bianca e toda a família estão sempre empenhados em buscar ajuda. É uma forma de sermos vistas, pois não somos notados pelos nossos governantes. Na ONG, temos voz e vez. Espero que seja cada vez melhor”, comenta. (TS) PERFILQuarentena sem FomeO que é? Projeto iniciado em 2020 que leva cestas básicas a famílias cadastradas na entidade, além de contar com outras iniciativas combinadas, como a Feitinha da CriançaOnde ONG Frutos do Amanhã - Rua Geralda Martins de Oliveira, 355, Vila Matias, São VicenteContatos (13) 98858-5602 e contato@ongfrutosdoamanha.com