[[legacy_image_206548]] O passar dos anos traz experiência às pessoas, mas a tristeza pode, muitas vezes, vir junto. Contra isso, nada melhor do que ser alegre por viver e conviver. Essa é a tônica de um projeto chamado Feliz Idade, gerido pelo Instituto Kaffé Sport na Vila Criativa Encruzilhada, em Santos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O trabalho com pessoas acima de 50 anos foi iniciado em 2016 por Weverson Alexandre Nogueira, o Professor Kaffé. O conhecimento, porém, já vinha de mais de duas décadas: em 1994, ele estava envolvido na oferta de oportunidade de atividades físicas e esportivas para jovens de comunidades carentes, com o auxílio de estudantes e professores de Educação Física, em um espaço cedido pelo antigo 2º Batalhão de Caçadores de São Vicente — atual Batalhão de Infantaria Leve. Há seis anos, quando começou o trabalho atual, as atividades eram em praças e na praia. Primeiramente, com aulas de caminhada e alongamento. Depois, de ritmos. Agora, há modalidades como dança de salão, de segunda a sexta-feira, das 14 às 18 horas. O instituto foi criado em 1998. “Com o reconhecimento do trabalho, as aulas passaram a ser realizadas com o Município: Centro Esportivo e Recreativo Rebouças e Espaço do Idoso. Em 2021, as atividades foram realizadas na Vila Criativa Sênior (no Embaré)”, comenta Kaffé. A utilização da Vila Criativa Encruzilhada é fruto de parceria com a Secretaria de Empreendedorismo, Economia Criativa e Turismo. Uma das aulas é a de ioga, ministrada pela professora Regina Santos. “É uma prática que tem como objetivo trabalhar o corpo e a mente de forma interligada, com exercícios que auxiliam no controle de estresse, ansiedade e dores no corpo, além de melhorar o equilíbrio e promover sensação de bem-estar e disposição”, afirma. “Além de todos esses benefícios, o melhor é a socialização. Sempre peço a eles: mesmo que não tenham vontade ou disposição de praticar, venham mesmo assim”, emenda. Saúde emocionalPara se ter uma ideia de como as aulas, de maneira geral, são procuradas, basta ver o número de alunos em cada uma delas: 48 na de ioga, 45 na de alongamento em cadeira, 46 na de alongamento geriátrico, 47 na de alongamento solo, 109 nas de dança de salão (somados os dois horários) e 45 na de ritmos sênior. “Além das atividades físicas, temos cuidado também com a saúde emocional e mental de nossos alunos e alunas. Temos um calendário anual de ações, como palestras com psicólogas, sobre primeiros socorros e alimentação, e diversas atividades de integração, como o Halloween e o Festival de Danças”, detalha Kaffé. A mudança de vida é evidente nas palavras de moradoras de Santos e que participam do Feliz Idade. Neusa Maria Teles Ravazani, de 76 anos, é uma delas. Frequentadora há seis anos, desde quando a iniciativa ficava no Embaré, ela se considera outra pessoa desde então e se encontrou nas aulas de dança. “Eu era um bichinho. Não passeava e não saía de casa. Meu pai não deixava, e meu marido era igual. Tive filhos, cuidei dos meus pais doentes e meu marido morreu há 15 anos. Quando meus pais morreram, fiquei meio depressiva. Estava um dia chorando no Canal 5 e uma moça chamada Edna me aconselhou para que fosse na Vila Criativa, no Embaré. Agora, o corpo vai embora com a música que estiver tocando. Sofri tanto. Por que agora não posso brincar? Agradeço muito ao Kaffé por ter virado essa menina doida”. Aposentada do comércio e professora formada, Rosa Elisabete de Lima, de 69 anos, também faz aulas de dança, ocupando com muita alegria a agenda da semana inteira. “Sinto-me mais disposta para o dia a dia. Vejo as outras amigas, mais velhas do que eu, e dá ânimo. Espero chegar à idade delas assim também. Há também muitas palestras sobre temas importantes e coisas para se aprender. São todos muito gentis e meu círculo de amizades é daqui. É um aconchego o que fazem aqui. É como se fosse minha família”, define. Sergipana da cidade de Salgado, a meia hora de Aracaju, Terezinha Ferreira, de 62 anos, viu a vida mais doce depois de fevereiro, quando começou a frequentar o espaço. Ela se aposentou como faxineira de um prédio, depois de 31 anos de serviço. Agora, limpa só a mente, com dança e ioga. “Não consigo ter raiva de ninguém nem ver problema. Só solução. Tinha depressão, crises de pânico e ansiedade. Tomava remédio para dormir e agora durmo, sem nem escutar o vizinho bater o portão. Conheci amigas e reencontrei outras. Venho todos os dias. Se eu pudesse, dormiria aqui. Venho feliz. É minha segunda casa”, afirma Terezinha.