[[legacy_image_309321]] A psicanalista e fundadora do Espaço Adolescer, entidade que atua há 30 anos com esse público e suas famílias, Alessandra Mazzotta, diz que um mal está presente em boa parte dos jovens: o vício em internet. Nesses casos, segundo ela, nem mesmo conversar é suficiente para que adolescentes reduzam o uso desse recurso. A solução, assim, passa pelo pulso firme dos pais, que precisam frear a utilização de celulares e afins. “Nós temos de segurar a reclamação, a cara feia. Existe este vício e, às vezes, só o diálogo não dá jeito, porque é como uma droga. Então, aguentar cara feia é necessário”, diz a profissional. A especialista também declarou que reduzir o tempo que os jovens gastam no mundo virtual é fundamental, pensando no futuro deles. Isso porque, conforme diz, permanecer longos períodos nas telas impede que os mais novos trabalhem a criatividade, já que limitam suas mentes enquanto ficam diante das telas. “Tenho uma preocupação muito grande. A criatividade se desenvolve até o final da juventude, e a usamos para sobreviver. Se nossos meninos não desenvolverem isso, vão ter grandes dificuldades na vida adulta”, sentenciou. Essas, porém, não foram as únicas questões levantados no fórum. A neuropsicóloga Iara Mastine citou que a falta de paciência é outra consequência da má utilização de recursos tecnológicos. “Precisamos entender o mundo atual. Quando criança, eu adorava um desenho: o He-Man, que passava às 11 horas. Para eu assistir, como estudava à tarde, tinha de estar de banho tomado e mochila organizada. Eu assistia, terminava e só tinha no dia seguinte. Então, meu pai não precisou me ensinar paciência. O estilo de vida ensinava valor para o desenvolvimento”, disse, antes de comparar com o que acontece agora. “Hoje, a criança nasce em um mundo que é para ela. Ela pausa, vai para frente… Até acelera a voz do outro, porque não quer ficar dois minutos ouvindo uma mensagem”, falou, ressaltando que é um desafio para os pais ensinar seus filhos a serem pacientes. Ainda sobre a “correria” atual, a educadora e vice-reitora da Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp), campus Guarujá, Priscilla Bonini Ribeiro, ponderou: “Somos seres humanos, com capacidade de pensar. É isso que nos difere dos animais. Não podemos perder a habilidade de pensar. A gente tem de ter tempo. Precisamos parar para pensar. Senão, nos tornamos meros reprodutores, que não criam, não transformam, não mudam o mundo”.