[[legacy_image_286561]] Primeiro convidado a falar na sexta edição deste ano do projeto A Região em Pauta, o médico Acary de Souza Bulle, que também é neurologista e professor da Faculdade de Medicina da Unifesp, tratou logo de dizer que ver o tempo passar, a família aumentar, a fraqueza física surgir, bem como os cabelos brancos, e acumular experiência não é motivo de tristeza. Muito pelo contrário. Em suas palavras, a chamada terceira idade existe para ser festejada. “Ser velho não é doença. Ser velho é privilégio”, afirmou ao longo de sua participação no evento, que, desta vez, teve como tema Terceira Idade. O seminário foi realizado na última terça-feira, no auditório do Grupo , em Santos. O especialista embasou sua fala trazendo um fato histórico. “(Quando estou na Europa) vou às igrejas onde as pessoas eram enterradas. Lá, pego as faixas etárias daqueles que morreram. Na família do Rei Eduardo I, da Inglaterra, dos anos 1300, sua esposa teve 16 filhos, todos mortos muito precocemente — só dois depois dos 50 anos. A longevidade não era alta. Ser velho era para poucos”, frisou o docente, que falou de forma remota, já que, durante o seminário, estava em um congresso. O tempo passou, e a realidade descrita mudou. Bulle destacou que “no ano de 2025, aqui, teremos mais de 32 milhões de idosos. O Brasil será o sexto país do mundo na proporcionalidade entre idosos e não idosos. Por isso, vamos ter de aprender com o envelhecimento sadio”, avisou o especialista. Tal aprendizado passa pela compreensão de que o ideal é que cada vez mais pessoas morram por causas naturais. “Quando se fala de alta longevidade, temos alguns exemplos. Vamos ver um casal inglês. O Príncipe Philip faleceu com 98 anos. Na certidão de óbito: idade avançada. Sua esposa, Rainha Elizabeth II, falecida recentemente: idade avançada. É isto que procuramos”. Segundo o médico, atingir tal objetivo se torna uma tarefa mais simples a partir do instante em que se tem, como sentido de vida, “a vontade de envelhecer”. E sem medo de ver o bolo de aniversário ganhar mais e mais velinhas. Afinal, como o docente disse no fechamento de sua fala no fórum, “o que vale é ser antigo e envelhecer sem ficar velho”.