Santos defende oferta de alternativa para famílias que moram em áreas de risco invadidas

Secretário de Meio Ambiente clamou pela necessidade de se apresentar uma opção contra a 'tolerância zero'

Por: Redação  -  05/06/22  -  14:48
Atualizado em 05/06/22 - 15:20
Moradias devem ser oferecidas para pessoas evitarem áreas de risco
Moradias devem ser oferecidas para pessoas evitarem áreas de risco   Foto: Vanessa Rodrigues/AT

Em meio ao discurso de tolerância zero contra famílias que invadem e moram em áreas de risco e que estão sujeitas às intempéries do clima, propagado por Eduardo Trani, o secretário do Meio Ambiente de Santos, Marcos Libório, destaca as dificuldades de se executar o método. E mais do que isso: clamou pela necessidade de se apresentar uma opção a essas pessoas.


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“A pasta do Meio Ambiente precisa influenciar no desenvolvimento urbano, no planejamento, na oferta de um novo serviço, loteamento ou empreendimento. Precisamos oferecer moradias e em quantidade adequada para que possam evitar áreas de proteção”, afirma.


Libório afirma que o investimento na contenção das encostas por parte do Poder Público tem sido em torno de R$ 30 milhões e podendo alcançar o dobro, segundo dados da Secretaria de Infraestrutura e também da pasta de Serviços Públicos. Certamente um fruto da importância que o assunto tem ganhado ao longo do tempo, diz o secretário.


“O Meio Ambiente buscou amadurecer o diálogo e a influência na administração pública. Não vou dizer que conseguimos, mas estamos mudando o olhar sobre a pasta”, explica o secretário. “A consideração mudou nas administrações municipais e temos um peso maior usando a estratégia de falarmos de saúde, habitação e economia”.


Clima de fatalidades
A Defesa Civil contabiliza 11 mil moradias em áreas de risco nos 17 morros de Santos, sendo que aproximadamente 1100 em nível muito alto e em torno de 3 mil, com risco alto. “Não existe morro mais perigoso do que o outro. Há risco 4 (muito alto) em todos os morros. Tem no Morro Santa Terezinha? Tem. Mas as edificações lá são bem sólidas”, afirma Daniel Onias, coordenador da Defesa Civil de Santos.


A crise climática é apenas um dentre os problemas, mas é a que causa mais fatalidades, embora muito se possa prever graças à tecnologia. “Tivemos oito mortes a lamentar em Santos nos deslizamentos de março de 2020, mas poderiam ser mais de 100 caso não tivessem sido removidas dezenas e dezenas de famílias pelo acumulado de chuva registrado nas semanas anteriores, ainda em fevereiro. Foram 900 mm de chuvas e o verão (de dezembro a março) tem, em média, 1200 mm”, explica Onias.


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