[[legacy_image_262422]] As regras impostas em abrigos e outros locais de acolhimento afastam, em vez de aproximar, pessoas em situação de rua dos serviços públicos. Essa é a avaliação de convidados presentes no terceiro fórum deste ano do A Região em Pauta. O evento ocorreu nesta segunda-feira (24), no auditório do Grupo Tribuna. O seminário tratou, por exemplo, do aumento de indivíduos vivendo em vias, praças e logradouros. E foi aí que os mecanismos atuais foram analisados. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Nesse sentido, a terapeuta e docente do Departamento de Políticas Públicas e Saúde Coletiva da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Luciana Surjus, disse: “Oferece-se vaga em abrigo, mas, aceitando-a, é preciso dissolver a família. Esta solução promove violência”. “Muitos não quiseram sair da rua por terem sensação de estarem submissos e agradecidos por algo que não resolve seus problemas”. A especialista falou que “pessoas se protegem nas drogas, fugindo de serviços públicos. Há serviço para promover e garantir direitos sendo visto como algo que tira direitos”. Outro problema apontado foi o comportamento de parte da sociedade, como ressaltou o secretário de Segurança de Santos, Sérgio Del Bel Júnior. “Colocam a situação não como de saúde pública ou assistência social, mas como bandidos que devem ser retirados da vista das pessoas, não importa como. Recebo sugestões como (a Guarda Civil Municipal) andar com jato d’água ou ‘cortar as mãos de dois ou três’, porque a notícia corre. Só que a solução inicial é o acolhimento”, disse. Tendo vivido por duas décadas nas ruas, a presidente do Conselho Municipal Antidrogas (Comad), Laura Dias, declarou que a solução não pode ser truculenta. Aliás, ela entende que o uso da força nunca vai trazer frutos positivos. Isso vale até para aqueles que são viciados em substâncias ilícitas ou álcool. “Internação compulsória não resolve a vida de ninguém. Internar à força não tira ninguém das drogas”, declarou ela, que esteve no primeiro painel, cujo tema foi Relatos Locais e a Experiência de São Paulo. Números e soluçãoDados de Santos foram apresentados. Segundo o último levantamento realizado pela Prefeitura, em conjunto com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), havia 868 indivíduos nas ruas em 2019. Na Capital paulista, eram cerca de 31,8 mil em 2021. “Se comparado a 2019, houve crescimento de mais de 7.500 pessoas. Ganhamos a população de rua do Rio de Janeiro no período (da pandemia)”, comparou o secretário de Projetos Estratégicos da Prefeitura de São Paulo, Alexis Vargas. Ao falar sobre as causas que contribuíram para o crescimento, Vargas mencionou que uma das razões é financeira. “O aumento de famílias nas ruas foi de 100%. Não conseguiam pagar aluguel.” O psiquiatra e futuro chefe do Departamento de Saúde Mental da Secretaria de Saúde de Santos, Roberto Tykanori Kinoshita, pensa da mesma forma. “Pessoas vão à rua por não ter onde morar. Moradia é bem de consumo. Assim, os preços vão lá em cima. Moradia tinha que ser insumo de produção, para ser baixa”. Diante disso, Alexis Vargas mencionou que a Prefeitura paulistana criou projetos, como moradias rápidas e locação social, com aluguel subsidiado. Em breve, Santos deve ter ações similares. “Fizemos a inserção, no plano de governo, de república para pessoas em situação de rua”, comentou o secretário de Desenvolvimento Social de Santos, Carlos Mota. EspecialEsses e outros detalhes serão aprofundados no caderno especial do A Região em Pauta, que será publicado neste domingo.