[[legacy_image_204539]] A falta de mobilidade dentro da Baixada Santista – provocada por distâncias e preços - acaba sendo um impeditivo para quem deseja buscar a cultura, especialmente para quem é dos extremos da região (Bertioga e Peruíbe). “É quase um apartheid. Nem 50% da população brasileira tem automóvel, mas todo nosso sistema é feito para o automóvel”, sentencia Guilherme Leite Cunha, programador cultural do Sesc Bertioga. Como exemplo, Guilherme lembra da história de Jéssica, de 17 anos e filha de uma artesã de Bertioga. Ela gosta de escrever e ir até uma biblioteca, mas as distâncias atrapalham muito, juntamente com o custo. “A que fica mais perto da casa dela é no Guarujá, a Biblioteca Geraldo Ferraz, a 1h43 de ônibus. Ela tem que pegar a linha 903. Se a Jéssica quiser ir até Cubatão, que é a segunda biblioteca mais próxima, tem que fazer duas baldeações: primeiro no 903 e, depois, no 909, gastando 2h40”, calcula. Para ir até a biblioteca mais próxima, a de Guarujá, Jéssica precisa gastar R\$ 20,00, somando ida e volta de ônibus. “Como é que a gente consegue pensar em uma integração em ações política e de cultura se uma adolescente de 17 anos que deseja apenas ler porque ela não tem acesso pela internet e em Bertioga não tem livraria para que ela compre?”, questiona. O programador cultural do Sesc Bertioga lembra que, no curto prazo, poderiam ajudar a minimizar isso projetos de tarifa gratuita, pelo menos para os estudantes, ou aos finais de semana. Leva-se em conta experiências em outros locais do Brasil em que essa prática impactou o consumo cultural, atrelando ao teatro e ao cinema, por exemplo. “Com o cinema é a mesma coisa. Para a gente ir de Bertioga ou lá de Peruíbe, são horas de ônibus. Agora, no médio prazo, eu acho que tem de existir políticas combinadas, fazendo uma distribuição, uma descentralização da cultura. Há uma frase na USP que é muito bonita e diz que o centro está em toda a parte”, comenta. E o artista também sofre... Além do público, os problemas relacionados à mobilidade também atingem o artista. Uma realidade antiga e mais do que conhecida. “Faço teatro há 50 anos. Voltar para casa é a coisa mais terrível que existe. Para o espetáculo, para o ator e para o público. Há lugares que não dispõem de condução para que você volte para casa”, afirma Gilson de Melo Barros, professor universitário e artista. A situação causa dificuldade justamente para escoar essa produção cultural, embora existam artifícios que contemplam alguns grupos que conseguem realizar editais e, assim, arrumam verba suficiente para ir e voltar. Mas nem sempre é assim. “Gostaria muito de passear com meu espetáculo pela Baixada Santista inteira, pelo Litoral Norte. Demoramos meses produzindo uma ação que nos torna muito felizes. O caminho é sempre maravilhoso, mas quando a gente chega na boca do povo fica difícil. Levar e trazer custa dinheiro, já que não temos condução. Isso é uma questão doméstica e metropolitana. Como vou levar um espetáculo para Praia Grande e voltar às 23 horas com ele, se não tem condução para trazer as pessoas de volta e, depois, levá-las até suas casas?. É uma questão diária e não eventual. Este é apenas um dos percalços”, exemplifica. [[legacy_image_204540]] Estrada de arte e sustentabilidade Transformadora e importante instrumento para educar a sociedade. Assim a Ecovias, empresa que administra o Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI), encara a cultura. “É com esse objetivo que a empresa considera importante apoiar e patrocinar projetos culturais, principalmente voltados para crianças e jovens”, afirma Caio Vicentini de Barros, coordenador de Sustentabilidade da Ecovias. No caso da empresa, a ideia é utilizar a cultura para disseminar principalmente conceitos de segurança viária, de sustentabilidade, de cidadania e senso de pertencimento. “É nosso foco gerar conhecimento e reflexão sobre Sustentabilidade e Segurança Viária, dois temas que fazem parte do nosso negócio”, completa Vicentini. Projetos Os principais projetos da Ecovias são feitos via Lei de Incentivo à Cultura, como o Ecoviver, programa de fomento à cultura com foco em ensinar sobre o desenvolvimento sustentável e segurança viária nas escolas da rede pública de ensino, com atividades lúdicas e culturais – e que não parou durante a pandemia, sendo online. No fim da jornada de aprendizado, os alunos realizam uma apresentação teatral sobre os conhecimentos adquiridos. Desde o início, em 2006, o programa já beneficiou mais de 500 mil alunos da rede pública de ensino. No ano passado, participaram do Ecoviver 25.978 alunos de 358 escolas diferentes, espalhados por 24 municípios brasileiros do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Na região do Sistema Anchieta-Imigrantes, cerca de 150 mil professores e alunos já foram beneficiados. Em 2021, foram 54 escolas de cinco cidades diferentes no entorno do SAI, sendo quatro delas na região da Baixada Santista (Guarujá, Praia Grande, Santos e São Vicente). Ao todo, 4.290 alunos e 191 docentes participaram das atividades no último ano. Além do Ecoviver, temos também o Viajando de Bem com a Via que, de forma lúdica, explica sobre o comportamento seguro no trânsito por meio de apresentações teatrais e uma minipista de trânsito. Além disso, a empresa também patrocina a Encenação da Paixão de Cristo e o projeto Caminhos da Independência, os dois de Cubatão. “A concessionária está sempre aberta para novos projetos e estudamos novas propostas todos os anos. Temos um comitê de Sustentabilidade, composto por colaboradores de diversas áreas da empresa, que nos ajudam a ver quais as necessidades das cidades próximas, quais projetos estão abertos para captação e que tenham a ver com as nossas premissas”, explica o coordenador de Sustentabilidade. Por sinal, a Ecovias está justamente em fase de captação de projetos. A análise será feita até o final de setembro. Quem tiver algum projeto, via leis de incentivo, para sugerir à Ecovias pode enviar pelo e-mail ecovias@ecovias.com.br. Música constrói vidas em Bertioga “Uma cidade não é feita de cimento e tijolos e, sim, de cidadãos”. Era uma frase recorrente de Luiz Carlos Pereira de Almeida, diretor superintendente e fundador da Sobloco, já falecido. Dentro deste conceito, a empresa de desenvolvimento urbano, responsável pela realização e bairros planejados em diversos municípios do Estado, enxerga a cultura não apenas como uma forma de entretenimento, mas como um grande fator de transformação social. “A cultura cumpre uma função social essencial para construção de sociedades mais justas, felizes e saudáveis, sendo uma grande protagonista na minimização dos riscos sociais e na promoção da cidadania”, afirma Beatriz Pereira de Almeida, diretora-adjunta de marketing. Iniciativas Em Bertioga, onde está inserido o maior projeto de urbanização da empresa, a Riviera de São Lourenço, a Sobloco instituiu e mantém há 29 anos a Fundação 10 de Agosto, uma entidade sem fins lucrativos que leva educação e cultura para a população mais vulnerável do município. A organização abraça jovens e crianças da comunidade por meio da música, com cursos gratuitos de instrumentos musicais e a manutenção de uma orquestra didática juvenil e grupos de música popular. “São centenas de jovens concentrados em aulas de violão, violino, violoncelo, flauta, saxofone e outros instrumentos, que se encontram para ensaiar, exercitando a disciplina, respeito ao próximo, tolerância e a resiliência. A Fundação utiliza a música como ferramenta de formação individual e cidadã”, detalha Beatriz. Atividades paralelas reforçam o trabalho, como eventos cívicos e excursões culturais para outras cidades, fazendo com que os jovens conheçam outras realidades e provocando uma transformação social direta e contínua. “Nos projetos apoiados pela empresa em Bertioga, a música acabou se tornando a principal ferramenta de transformação social, mas existem diversas formas de consumir cultura e todas elas têm seus estímulos, significados, abran-gências e valor. A empresa está aberta a qualquer forma de expressão que promova o ser humano, seu senso crítico e seu protagonismo em comunidade”, afirma a diretora-adjunta de marketing. Diante desse raciocínio, a Sobloco está igualmente à disposição para apoiar iniciativas que contribuam para o bem coletivo e que agreguem valores positivos junto aos cidadãos. Em seus planos, a empresa continuará apoiando seus projetos, com ações voltadas a uma visão de longo prazo. “Estamos cientes de que novas oportunidades surgem a todo momento e de que investir em cultura é investir na própria sociedade, viabilizando ações que levem ao bem e à mudança”, finaliza Beatriz.