[[legacy_image_251222]] Ao longo do segundo painel do primeiro evento do ano do projeto A Região em Pauta, que abordou o tema Apagão de professores: o desafio de atrair jovens para a carreira, levantou-se uma questão: se os salários fossem mais altos, mais jovens ingressariam na área? Especialistas que tentaram responder ao questionamento divergiram sobre o peso do salário do professor no interesse por ser docente. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A vereadora de Santos e presidente da União dos Vereadores da Baixada Santista (Uvebs), Audrey Kleys (PP), mostrou depoimentos de professores, sem citar os nomes, apontando problemas enfrentados pelos profissionais. E a insatisfação com relação ao salário foi mencionada. Por isso, a parlamentar foi direta em sua afirmação. “É um ponto determinante, sim! Hoje, o salário é de sobrevivência. Não dá para conceber um professor tendo de trabalhar três ou quatro períodos para ter salário suado no final do mês, não sobrando um tempo nesta grade a fim de buscar um aperfeiçoamento dentro de sua profissão”, asseverou. Ela prosseguiu, reforçando que elevar o valor pago ao docente daria a ele uma condição maior para se atualizar. “Quem dá aula precisa ser bem remunerado, para aplicar isto em sua vida particular, mas também buscar capacitação e desenvolvimento, com cursos extras. Do contrário, a preocupação dele não vai ser prioritária em buscar cursos para que se especialize mais. Vai ser sobreviver”. Indagado a respeito do assunto, João Bosco Guimarães, que é dirigente de ensino da rede estadual de Santos e atua na área há mais de 30 anos, discordou da vereadora. “Não acredito nisso. Estudos nacionais e internacionais falam disso. Há várias experiências de sistemas que dobraram ou triplicaram salário, mas a qualidade não subiu. O salário está ligado a vários outros ingredientes. Então, é como me convencer de que, para fazer um bolo de chocolate, só se coloca chocolate. Não é assim, porque se precisa de outros ingredientes”, falou o educador. Concorrência Apesar dos argumentos usados por Bosco, Audrey reiterou sua posição e ainda ressaltou que o mundo da tecnologia, no qual os jovens estão inseridos, paga valores mais atrativos, interferindo para que novas gerações não queiram a carreira docente. “O salário pesa. Há concorrência está na palma da mão (nos celulares): os youtubers”. Mesmo ciente de que ocupações ou profissões como a citada pela vereadora tem honorários maiores, o dirigente não concordou mais uma vez. “O youtuber ou o cara que está em casa, consertando aparelhos, não contribui para a formação de um país. Eu, como programador ou youtuber, sou eu, não sou o país. Assim, perde-se a perspectiva de construção de nação. Estas são profissões corriqueiras, passageiras — não se é youtuber para o resto da vida e não se mexe com programação (para sempre). Quando mexo com Educação, vai ser para o resto da vida, porque me constituí educador, que contribui para a construção do Brasil. Portanto, discutimos em um patamar mais elevado, pois deixo de ser eu e ganhar mais, para ganhar menos, não o que desejava, mas ajudar a construir um país”.