[[legacy_image_172713]] Principal bandeira da Prefeitura de Santos para combater as habitações irregulares em áreas de palafitas, o projeto Parque Palafitas, anunciado pelo prefeito Rogério Santos (PSDB) em encontro do A Região em Pauta, no ano passado, segue em fase de gestação. De acordo com o secretário de Desenvolvimento Urbano, Glaucus Farinello, a expectativa é de que um piloto do projeto fique pronto ainda nessa gestão, desencadeando um processo a longo prazo. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “O Parque Palafitas chega para romper um paradigma de que a palafita tem que ser removida por completo e aí vou recuperar o mangue. Sem simplesmente entender que, ali, vive uma comunidade. Ele vem para fazer um novo modelo de ocupação totalmente saneado, com uma infraestrutura, uma engenharia de ponta”, afirma. A ideia é a construção de conjuntos habitacionais na área seca do mangue, próximo à via, e de habitações com estrutura pré-fabricada (casas) sobre a água. Os prédios abrigam a caixa d'água e deles ocorre a distribuição de energia elétrica e da estrutura de saneamento para todas as unidades. A proposta começou a ser desenvolvida em 2018, juntamente com o escritório do arquiteto curitibano de Jaime Lerner, já falecido. "É a maior palafita do Brasil, com vários problemas sociais. Ainda temos que superar muitas barreiras como as ambientais, a busca de recursos, o que faremos com planejamento e trabalho técnico. É um resgate da cultura das pessoas que moram ali e do bom convívio com o meio ambiente, o oceano e o mangue”,disse o prefeito, na ocasião. “Já conversamos com a Sabesp, CPFL, União. Por ser água, o tipo de cessão vai ser diferente, talvez uma cessão de espelho d’água. Todos esses pontos vão ser debatidos, conversados”, explica o secretário, que aposta num bom relacionamento com a SPU para viabilizar o projeto. “Vários empreendimentos, inclusive em parceria com a CDHU, são em áreas da União”. Farinello conta que a recepção ao projeto tem sido boa junto à comunidade, o que estreita a relação com quem vai, efetivamente, usufruir do empreendimento. “Sabemos que tem aquelas pessoas que tinham em mente a imagem de “eu tenho que voltar com o mangue”. O mangue não está mais lá. As pessoas, sim. Para isso, quando a gente fala em ganho ambiental: o ganho em saneamento não começa numa eventual reocupação ordenada? Esse trabalho a gente começou no ano passado e já tivemos uma devolutiva bem interessante. Porque, num primeiro momento, havia receio que as pessoas achassem que era errado o que estávamos propondo”. O secretário cita outras prioridades no campo habitacional, como os cortiços e morros. Mas que, para cada situação, uma solução diferente. “São vários desafios e, para cada um deles, tem que entender as especificidades, ouvir a comunidade e buscar uma solução em conjunto”. Regularização e congelamentoEle reforça também a importância da regularização fundiária, como um instrumento para coibir novas invasões. “Quando você dá título, reconhece, elimina esse poder paralelo. Esse é o caminho. A oportunidade que as pessoas vêm usando: ela paga aluguel e vê que, do outro lado da rua, tem mais barato. Mas ela consegue conviver com a mesma comunidade, vai focando em pagar mais barato. Mas temo ônus”. Glaucus Farinello cita ainda outros gestos que têm resultado em menos invasões. “Passamos a colocar uma placa dizendo “esta área contém x famílias e está congelada”. Fizemos ainda um convênio com o Ministério da Justiça, onde tivemos acesso a um satélite, o que nos dá um auxílio. Com isso, avançamos bastante. Existe ainda invasão? Sim, mas o número de boletins de ocorrência dessas áreas congeladas diminuiu bastante. São ferramentas que nós estamos buscando para fazer congelamento”, acredita. "As pessoas precisam morar"O secretário de Desenvolvimento Urbano de Santos lembra que, no ano passado, assim que assumiu a pasta, trouxe à tona a discussão sobre o Plano Diretor e a Lei de Uso e Ocupação do Solo. E que, semana passada, compareceu a uma audiência pública da Câmara sobre habitação. “A gente percebe que esse é o tema mais relevante hoje. As pessoas precisam morar. E como resolver isso? O desafio é enorme. Mas vamos arregaçar as mangas e tentar achar soluções”, avisa. Ele também se mostra favorável a uma revisão no Pacto Federativo. “O recurso gerado aqui vai para Brasília e a devolução é muito morosa”, avalia. “O município de Santos tem procurado ser criativo e buscar parcerias. Buscar a cultura do privado também para as soluções. É possível fazer um rearranjo, entender vocações”, complementa. [[legacy_image_172714]] Farinello não descarta a criação de uma Secretaria de Habitação para tratar o tema, mas não vê como prioridade. “Tenho falado bastante com o prefeito da necessidade de estruturar, não necessariamente uma secretaria, tentar aproximar os setores da Prefeitura, numa ação integrada. Quando a gente fala em habitação, educação, meio ambiente, segurança, é um conjunto de atores envolvidos no processo. Ter uma secretaria é um detalhe, mas estamos conversando com o prefeito para estruturar um setor que possa estar focado nesse processo”, pondera o secretário. “A gente não invade porque quer” Laura Virgílio é manicure e mora na Bela Vista, uma ocupação irregular no Morro da Nova Cintra, próximo à Vila Progresso. Sem opções decentes de moradia – chegou a habitar um local com11 pessoas dividindo o mesmo banheiro -, subiu o morro para poder converter o gasto em aluguel numa oportunidade para a filha estudar. Hoje, ela e as 137 famílias que moram no local sonham com a regularização, algo ainda distante, visto a complexidade do local. “Fui para lá não porque a gente quis. Querem fazer remoção da gente para um prédio. O que vai adiantar? Vão ocupar de novo”, alerta. “O dinheiro do aluguel estou investindo na minha filha. A gente congelou, não tem como fazer mais invasão”, garante.