[[legacy_image_211822]] O trem não passa mais há muitos anos na Estação Ferroviária Sorocabana, na esquina das Avenidas Ana Costa e Francisco Glicério, no Campo Grande, em Santos. A cidadania, no entanto, fixou seu ponto de partidas e chegadas de causas sociais no imóvel histórico, tombado em 2006 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa). Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Em parceria com a Prefeitura de Santos, o local é a sede da Organização da Sociedade Civil (OSC) Consciência pela Cidadania – Concidadania, criada em 11 de dezembro de 2004 para dar suporte jurídico ao Fórum da Cidadania de Santos, idealizado pelo sociólogo Célio Nori – morto em maio de 2021 -, e que iniciou suas atividades há duas décadas, em 18 de maio de 2002. “A gente discute política suprapartidária. Nossa organização trabalha muito fortemente nessa reunião de coletivos, de forças cidadãs, para que lutem, discutam e participem da vida da sua cidade, atuando na melhoria de várias instâncias, caso da educação, da participação, da cultura como ferramenta fundamental do exercício de cidadania”, define Marise Teixeira Cabral, coordenadora geral da Concidadania. “Tantas pessoas se foram, a gente sentiu muito e tivemos que nos reinventar. E estamos aí. Não vamos baixar bandeira. Muito pelo contrário. Estamos somando e convidando as pessoas a se juntarem a nós”, emenda. [[legacy_image_211823]] O Fórum Social da Baixada Santista, inspirado no Fórum Social Mundial, é uma das principais realizações, com edições em 2017, 2019 e 2021 (esta última online). Dentre os projetos da Concidadania, estão a Escola de Cidadania da Baixada Santista, Projeto Condomínio Sustentável, Câmara Jovem, Estação da Juventude, Estação Mulher, Semana Mundial do Brincar, lançamento de livros de escritores e escritoras da região, Festa do Livro (integrante do calendário da Cidade), Semana de Arte Transmoderna (SAT22) e Semana da Cidadania Sociólogo Célio Nori. “Uma das ações de participação dentro das quais a gente atua fortemente é no segmento dos jovens e adolescentes. É uma fase importantíssima da vida. Eles não votam ainda nem atuam na vida adulta, mas já sentem todas as questões no seu ambiente, seja na casa, na escola ou no bairro. Temos que empoderá-los para que sejam agentes multiplicadores”, explica Marise. “O próprio Célio Nori dizia que a gente não tem que ficar de coadjuvante da nossa história. Temos que ser protagonistas”, emenda. União de esforçosA desilusão geral das pessoas com a política – aliado com a busca pelo próprio sustento - faz com que o trabalho de convencimento de uma entidade como a Concidadania seja ainda mais complicado, já que não há cabeça nem de comparecer à reunião do condomínio em que residem. Mas a entidade indica um bom caminho para que essa participação se efetive. “Nesses últimos anos que a gente passou por várias dificuldades, percebemos que as pessoas precisam de alguns apoios. Acho que um dos apoios fortes é ter uma estrutura de participação facilitada pelo Governo. Os Conselhos são uma instância de participação extremamente importante, sendo de várias áreas, e a nossa Cidade é avançada nesse sentido”, afirma Marise. A sustentabilidade é um desses pilares para discussão, com um olhar forte para a questão social e ambiental. “Somos uma cidade pequena em uma região que está bem judiada na ocupação da nossa Mata Atlântica e dos nossos manguezais. Precisamos nos articular”, recomenda a coordenadora geral da Concidadania. Geração de renda também está inserida nesse processo. “A sociedade civil tem que sentar com o Poder Público e as empresas. Não é uma briga. É somar esforços e achar um caminho inovador que tenha um melhor resultado. É nisso que a gente tem caminhado”, emenda.