[[legacy_image_251210]] Um ano se passou desde a reabertura das escolas após a pandemia da covid-19. Entretanto, uma coisa é certa e confirmada por quem precisou encarar o desafio de voltar às salas de aula, enfrentando atrasos no aprendizado, tensões psicológicas e a obrigação de avançar na vida educacional: as marcas daquele período ficaram. No entanto, nem todas as cicatrizes são negativas. Aliás, muito pelo contrário. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A estudante Sarah Almeida, de 15 anos, esteve no A Região em Pauta no começo de 2022. Na ocasião, falou sobre as dificuldades encaradas por estar longe da UME 28 de Fevereiro, de Santos, durante o isolamento e fechamento dos colégios. Agora, ela regressou ao fórum, para revelar como foi a experiência no nono ano do Fundamental 2 depois de um “retorno à normalidade”. E trouxe um depoimento cheio de elogios aos professores. “(Dois mil e vinte e dois) foi o melhor ano que tive na escola pública. Quando as aulas voltaram, os professores também não estavam totalmente preparados. Mas, quando via alguém sentar na cadeira, não via alguém mandando, mas querendo que eu me interessasse. Eles estavam 100% ali, para me ajudar. Não queriam que eu fosse um número”, disse. A aluna, agora estudante do Ensino Médio, aluna da Escola Técnica Estadual (ETEC) Escolástica Rosa, acredita que a mudança de postura foi resultado de dois fatores: a pandemia em si e os obstáculos que os próprios docentes tiveram de superar para dar aulas à distância. “Acho que a pandemia ensinou aluno e professor. Até meu sexto ano, eu não sentia uma proximidade com os professores. Aí, veio a pandemia e mudou tudo. A escola não está mais atrás de alunos copistas. Antes, via professores que não ligavam se um estudante aprendia. Agora, estão se importando. Preferem um aluno que entendeu do que ter dez que estão ali por estar”, afirmou. Déficit Até aqui, Sarah só falou sobre o lado bom da volta às aulas presenciais. Contudo, também houve problemas. “Eu perdi conteúdo, e como voltei no nono ano, retornei com muitas provas no fim do ano, como ETEC e outras. (Ouvi muitas vezes:) ‘Você tem de passar, tem de passar de ano…’. Me deu um pavor no momento. Eu corri muito atrás, pois tive medo de ficar para trás. Mas, eu ainda vejo diferença. Comparando alunos de escola particular e pública, percebo que estou atrasada. Porém, dá tempo de correr atrás”. “Que o investimento no professor seja maior” Sarah Almeida não foi a única aluna que esteve no A Região em Pauta do ano passado e voltou agora. Ela teve a companhia de Matheus Antunes, de 18 anos, que acaba de entrar na faculdade após encerrar o Ensino Médio na EE Prefeito Domingos de Souza, de Guarujá. Mais uma vez no palco do auditório do Grupo Tribuna, o agora universitário marcou o evento com uma declaração. Questionado sobre o que gostaria de ver na escola pública do futuro, ele não falou de maior tempo de intervalo (recreio) ou outra coisa assim. Seu desejo, disse, é outro. “Que haja mais investimento nos professores. Qualificando-os, vão transmitir melhor o conhecimento”. A frase rendeu aplausos de autoridades e especialistas. E, após sua participação no fórum, Antunes explicou de onde surgiu aquele pensamento verbalizado. “Tirei aquilo de uma aula de Gestão, que tive na faculdade. A Educação é o recurso mais importante que temos, para fomentar a sociedade como um todo. Tendo isso em vista, temos de investir nela e nos professores, que devem estar capacitados, a fim de receberem o aluno e passarem o conhecimento. Por isso é tão importante investir”, declarou o rapaz, que cursa Comunicação e Publicidade e Propaganda na Esamc. Acolhimento Assim como Sarah, Antunes comentou o retorno às aulas presenciais. Para ele, um dos fatos mais marcantes foi a forma como os docentes acolheram os estudantes após a pandemia. “Houve uma receptividade muito grande por parte dos professores. A preocupação com cada aluno foi essencial, porque nos sentíamos acolhidos e especiais. Foi importante, porque muitos estavam feridos psicologicamente”, ressaltou, mencionando que diversos de seus colegas regressaram às unidades de ensino sofrendo de “depressão e ansiedade”.