[[legacy_image_286571]] Com o aumento da longevidade da sociedade global, muitos países já enxergam na terceira idade uma fonte de geração de riqueza. Com isso, teve início uma batalha pelo dinheiro desse público. Este movimento é chamado de geopolítica do envelhecimento. Único integrante do segundo painel de A Região em Pauta, o jornalista e escritor Jorge Felix, que também é comentarista de longevidade da Rede Globo, explicou um pouco sobre este cenário. Para isso, primeiro, o especialista ressaltou algo que já é conhecido: essa fatia da população tem demandas altas e caras, como remédios e outros cuidados. Na sequência, ele falou que o mundo, como um todo, começou a buscar soluções para que “os novos gastos que a idade traz não se tornem tão pesados no orçamento familiar”. A partir daí, a visão econômica com relação a essa parcela da população mudou completamente. “O envelhecimento sempre foi visto, do ponto de vista da economia, como uma carga, uma despesa, no mundo todo. Só que os países perceberam que os novos produtos que as pessoas vão consumir se tornaram uma oportunidade econômica. Esta é a economia da longevidade. É reverter a imagem catastrófica sobre envelhecimento e conceber, a partir de sua dinâmica, geração de riqueza”, disse. Diante disso, o jornalista frisou que, ao notarem que este mercado deve ser explorado, as nações começaram uma corrida. “Está em disputa, no mundo, quem vai pagar pelo envelhecimento de quem em termos de país. Estão criando novos produtos e garantindo certo nível de independência em relação a importações”. Um exemplo deste movimento é a França. “Ela está colocando a meta de, até ano que vem, ser autossuficiente em fabricação de paracetamol. Não quer importar este insumo da China ou da Índia”. Apesar de Felix ter citado, nominalmente, a nação europeia, ele afirmou que “países como Estados Unidos e Canadá” já possuem política industrial para o setor de envelhecimento. Brasil está atrasado, afirma Jorge FelixComo Jorge Felix disse, os países disputam o mercado voltado à terceira idade. Mas, como está o Brasil nesta corrida mundial pelo dinheiro de senhores e senhoras? De acordo com o especialista, ele está atrasado. “Estamos dependentes de produtos (de fora), e a riqueza desta inovação não fica aqui, porque são empresas estrangeiras. Assim, o lucro vai para o exterior”, lamenta. Afirmando, ainda, que o país “vive” do que é produzido lá fora, o jornalista frisa que a nação está desperdiçando uma grande oportunidade. “O envelhecimento não determina negativamente o crescimento econômico. Pelo contrário. O Brasil está envelhecendo muito rapidamente, mas ainda está em processo. É o momento em que deveria aproveitar esta vantagem que tem em relação aos outros países para investir em pesquisa e desenvolvimento”. Por fim, o escritor pediu que seja criado um planejamento, não só para o país atuar com mais força nos mercados interno e externo, mas a fim de se transformar em um destaque mundial. “É isso que precisamos: avançar, dinamizar, para que não fiquemos tão dependentes dos produtos de outros. Nenhum país vai ser bom em tudo, mas tem de ter estratégia e definir onde quer ser bom, ser referência no mundo, para competir com os outros. Isso precisa ser feito aqui”. Empresas não investem em pesquisa e inovaçãoJorge Felix também falou sobre a iniciativa privada no Brasil e sua atuação. O especialista disse que as empresas nacionais demonstram estar muito interessadas no segmento da terceira idade, mas que investem pouco. “Elas estão muito voltadas para este mercado. Vemos cada vez mais marcas sendo revigoradas no segmento de não envelhecimento, que engloba a indústria de beleza e outras. O que acontece é que as empresas nacionais ou as estrangeiras que estão aqui tem baixíssimo ou nenhum investimento em pesquisa. Elas não conseguem inovar, produzir e registrar patentes para produtos e serviços que gerem mais riqueza”, explicou. Este não é o único problema apontado pelo comentarista da Rede Globo. Outro é que as organizações brasileiras não contratam profissionais da terceira idade. “Estão muito atrasadas. Existe uma iniciativa aqui ou ali, mas, na média, o que vemos é grande dificuldade de empregabilidade de mão de obra idosa”, declarou. PublicidadeJorge Felix comentou a forma como as empresas se comunicam com o público idoso. “Não há letramento. Falamos do letramento para a questão étnico-racial, para a questão da mulher, da pessoa com deficiência (PcD), mas não falamos do letramento na publicidade, nos filmes e na televisão (para a terceira idade). Qualquer coisa que as pessoas queiram tornar pejorativas ou fazer humor chamam de velho”. A assessora especial para longevidade na Prefeitura de Santos, Ana Bianca Ciarlini, também deu sua opinião. Ela afirmou que as organizações precisam ajustar suas propagandas. “Quando escolhe um idoso para vender qualquer marca, ele consegue, porque está falando para o público dele, não uma menininha de 20 anos, vendendo produto para uma de 80”.