[[legacy_image_268326]] O número de registros de microempreendedores individuais (MEIs) cresceu mais de 500% na Região Metropolitana da Baixada Santista na última década: de 27.636 em 2012 para 175.643 em 2022 — alta de 535,6%. A projeção para o fim do ano é de 179.063. Os MEIs são pessoas físicas que se registram como profissionais autônomos, passando a ter um CNPJ. Ou seja, têm facilidades com a abertura de conta bancária, no pedido de empréstimos e na emissão de notas fiscais. O faturamento anual de um MEI não pode ultrapassar R\$ 81 mil. O crescimento do número de profissionais que se enquadram nessa categoria foi inverso ao total de pessoas com emprego formal no período. Em 2012, eram 400.798 e, no ano passado, 383.699. A análise de especialistas é que muitas pessoas que ficaram desempregadas passaram a atuar de forma autônoma, emitindo nota fiscal, mas sem direito aos benefícios de que gozavam com carteira assinada. Para Rodolfo Amaral, especialista em finanças públicas, a preocupação na análise desses dados está diretamente relacionada à previdência social, pois boa parte dos MEIs deixa de recolher tributos federais, como a parcela para a seguridade social. “Com receita a menos, os recursos da previdência vão ficando cada vez mais comprometidos para pagar os aposentados e os que ainda vão se aposentar”, diz. Na Baixada Santista, o número de aposentados e pensionistas saltou de 241.473 em 2012 para 286.659 no ano passado, crescimento de quase 20%. DebateUma das categorias que podem ter forte descontinuidade nos próximos anos, segundo Amaral, é a de trabalhadores em edifícios, função que vem sendo substituída gradativamente por porteiros eletrônicos a distância e novas tecnologias de segurança. No Brasil, essa categoria representa 3,18% do mercado formal. Na Baixada, em função da intensa verticalização, 7,64%, chegando a 18% em Bertioga. O Futuro do Emprego é o tema do próximo fórum do projeto A Região em Pauta, no dia 29, a partir das 14h30, no auditório do Grupo Tribuna (Rua João Pessoa, 350). As inscrições podem ser feitas, gratuitamente, na internet. Além de Rodolfo Amaral, que é consultor em finanças públicas e sócio da Data Center Brasil, o encontro também terá a participação do professor Carlos Alberto Arruda de Oliveira, responsável pela parte brasileira do mais recente relatório sobre o futuro do emprego elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, da Fundação Dom Cabral. Ele discorrerá sobre o tema com base em dados atuais e projeções que vêm sendo feitas a partir do uso cada vez maior das novas tecnologias. Carlos Arruda também falará sobre a demanda crescente que os países devem viver por recursos dos governos para os trabalhadores que forem excluídos do mercado formal por falta de qualificação profissional. Participa também do encontro Ana Carolina Bertoni, psicóloga com atuação na área de Recursos Humanos. Nos últimos quatro anos, ela tem atuado com gestão de projetos para seleção de juventude na Eureca, consultoria de RH em São Paulo especializada em juventude, trainees e estagiários. Ana Carolina abordará como tema central o novo perfil de vagas que têm surgido para esse público e as demandas que trabalhadores mais jovens têm apresentado na hora de buscar uma colocação. O segundo painel também terá a participação de Bruno Orlandi, secretário de Assuntos Portuários e Emprego de Santos.